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Enric Mas encara a crono sem medo: “O objetivo é conservar a camisola vermelha”
Enric Mas chega ao
contrarrelógio de Jerez de la Frontera com 2 minutos e 10 segundos de vantagem
sobre Primož Roglič e uma ideia muito clara: controlar o que depende dele. O
líder da Vuelta não esconde a confiança e rejeita a pressão de uma etapa que pode
mudar a classificação geral.
“Não tenho medo do crono; o
objetivo é conservar a vermelha.”
A frase de Enric Mas resume o
estado de espírito do líder da Vuelta a Espanha na véspera dos 32,1 quilómetros
entre El Puerto de Santa María e Jerez de la Frontera.
O espanhol da Movistar não
quer transformar o contrarrelógio numa batalha psicológica. Muito menos numa
corrida contra os adversários antes de sequer arrancar.
Quer se concentrar no próprio
esforço.
“Estou bem; considero que
fizemos um trabalho perfeito. Há que pensar no amanhã, depois no seguinte e no
outro. Estou confiante”, explicou o espanhol após a etapa que terminou em
Sevilha.
A confiança, porém, não significa que o líder ignore a dimensão do desafio.
Mas conhece o percurso e sabe
exatamente o que tem de fazer.
“O contrarrelógio é
bastante plano e não tem muitas curvas. Há que se concentrar na potência, na
posição e nada mais”, afirmou.
É uma abordagem
deliberadamente simples.
Potência.
Posição.
Concentração.
E nada de olhar demasiado para
o lado.
A vantagem sobre Roglič é uma
das grandes histórias do contrarrelógio.
O esloveno tem uma reputação
esmagadora neste tipo de esforço e chega a Jerez como a principal ameaça à
liderança de Mas.
Mas o espanhol não quer fazer
contas antes de começar.
O objetivo está definido.
“Um bom resultado seria
conservar a Vermelha. Não tenho medo do crono”, afirmou.
É uma declaração importante porque poderia facilmente cair na armadilha de transformar a etapa numa
defesa permanente da vantagem.
Não é isso que pretende fazer.
“Não tenho de pensar nisso;
tenho de me concentrar em mim mesmo, em fazê-lo o melhor possível”,
esclareceu, quando questionado sobre a importância de partir para a crono com a
camisola vermelha oficial da corrida.
A diferença é subtil, mas
significativa.
Mas não quer correr contra
Roglič.
Quer correr contra o relógio.
“Não posso controlar o que os outros fazem”
A estratégia do líder passa
precisamente por separar o que pode controlar do que está completamente fora
das suas mãos.
“Sairei em último, mas não
posso controlar o que os outros fazem; controlarei o meu e pouco mais”,
proferiu.
É a frase que melhor explica a
postura do espanhol nesta Vuelta.
Mas herdou a liderança depois
do abandono de Tadej Pogačar, mas rapidamente deixou de ser apenas o
beneficiário de uma circunstância da corrida.
Venceu no Alto de Aitana.
Resistiu aos ataques dos
rivais.
Aumentou a vantagem.
E transformou uma liderança
inesperada numa candidatura real à vitória final.
Agora chega o momento da
verdade e a margem ainda é boa.
E, mesmo assim, prefere não
antecipar o resultado.
Antes do crono, quer reconhecer o percurso
A preparação para a etapa
também está definida.
Mas revelou que voltará a
percorrer o circuito antes de competir.
“Antes do contrarrelógio
vou percorrer o circuito e depois descansar o máximo possível para enfrentar a
prova”, explicou.
Não há dramatização.
Não há discurso de guerra.
Há preparação.
O líder da Movistar sabe que
os próximos 32,1 quilómetros podem ter um peso enorme na classificação geral,
mas prefere manter o controlo sobre o que está ao seu alcance.
Até uma referência histórica
ao local surgiu na conversa.
Jerez também guarda boas
memórias para a Movistar: em 2014, a equipa espanhola venceu ali o
contrarrelógio por equipas da Vuelta.
Mas considera esse dado “um
dado bonito”, embora faça questão de lembrar a diferença fundamental:
“Desta vez trata-se de um
contrarrelógio individual.”
E é precisamente aí que toda a
responsabilidade recai sobre os seus ombros.
Enric Mas contra Roglič e o passado
A história entre o espanhol e
Roglič alimenta a expectativa.
O esloveno tem sido
historicamente superior ao espanhol nos contrarrelógios, mas amanhã, em Jerez,
serão as pernas do presente a contar — não os números do passado.
Mas chega a Jerez numa
condição diferente.
Mais confiante.
Mais protegido pela equipa.
E, sobretudo, com uma vantagem
que lhe permite não precisar de ganhar a etapa.
Precisa de sobreviver a ela.
A Movistar conta com um
especialista para ajudar na preparação.
“Temos um especialista,
Iván Romo, assim que faremos o nosso crono”, revelou.
Depois, será ele contra o
relógio.
O portador da camisola
vermelha sabe que Roglič pode ganhar tempo. Sabe que Gall também está próximo.
Sabe que a Vuelta ainda tem montanha pela frente.
Mas não quer viver,
antecipadamente, esses cenários.
Quer chegar à partida
preparado.
E sair dela ainda líder
“O objetivo é conservar o
maillot vermelho.”
Amanhã, os 32,1 quilómetros
dirão se a confiança de Enric Mas é suficiente para resistir ao ataque de
Roglič.
Por agora, o líder espanhol
não parece disposto a esconder-se atrás da camisola.
Nem a fugir à
responsabilidade.
“Não tenho medo da crono.”
Agora falta transformar as palavras em segundos.
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