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João Almeida: “Chegamos ao limite do corpo humano”
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅7 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️3 min · 🌱EMM
O português falou sem filtros sobre o calor extremo, os problemas que marcaram a sua época, a recuperação da forma, a luta pela geral e o objetivo que ainda persegue na Vuelta.
João Almeida não vive uma
Vuelta a Espanha normal. Após uma temporada marcada por problemas físicos e por
uma queda que voltou a interromper a sua preparação, o português continua à
procura da melhor condição — mas também de uma oportunidade para deixar a sua
marca na corrida espanhola.
Numa entrevista ao Cyclingnews,
antes da 15.ª etapa, Almeida falou de praticamente tudo. E deixou um alerta
particularmente forte sobre as condições que o pelotão enfrenta.
Corpo no limite
O calor é uma
das principais preocupações do português.
Almeida considera que as
temperaturas condicionam fortemente a corrida e entende que os ciclistas se
aproximam de um ponto perigoso para o organismo.
“Chegamos ao limite do corpo
humano”, afirmou o corredor português, considerando que
a situação pode tornar-se perigosa.
A preocupação não resulta
apenas de um dia de calor extremo. Almeida explicou que os profissionais
treinam especificamente para suportar temperaturas elevadas, mas fez uma
distinção importante: uma coisa é realizar treino de adaptação ao calor e outra
é competir durante horas nesse ambiente.
Segundo o português, durante o
treino é possível controlar o esforço, beber e recuperar. Numa etapa, a
intensidade é completamente diferente.
E há outro problema: os dias se acumulam.
“É diferente”
Almeida explicou que o calor
pode ser particularmente complicado porque a exposição prolongada provoca um
desgaste que vai crescendo de etapa a etapa.
A desidratação e as
temperaturas elevadas deixam marcas e, na perspetiva do corredor da UAE Team
Emirates-XRG, os ciclistas precisam de estar atentos uns aos outros.
O português deixou ainda uma
revelação curiosa: apesar de ser português, não considera que tenha
uma vantagem especial perante o calor.
Pelo contrário.
Admite que as temperaturas
elevadas o afetam bastante e que, para ele, é uma dificuldade real. Também
deixou claro que, nestas condições, não há espaço para erros na gestão do
esforço e da hidratação.
Uma época difícil
Mas a entrevista ganhou outra
dimensão quando Almeida falou sobre a temporada atípica.
O português explicou que os
problemas começaram ainda em março, quando contraiu um vírus do qual demorou a
recuperar completamente.
Mesmo assim, continuou a
treinar e a tentar recuperar a forma.
Depois surgiu outro golpe.
Na Polónia, sofreu uma queda e
voltou a adoecer. Outro revés que o deixou sem andar de bicicleta por 4 dias.
Uma sucessão de problemas que ajuda a explicar o motivo de Almeida, que, chegado à Vuelta, está longe do corredor que, em 2025, terminou a corrida no
segundo lugar e venceu no Angliru.
A fuga custou caro
Na 14.ª etapa, Almeida tentou
mudar a história.
Entrou numa fuga ao lado dos
companheiros Ivo Oliveira e Kevin Vermaerke e procurou aproveitar a
oportunidade para lutar pela vitória.
Mas o português revelou que
chegar à fuga teve um preço elevado.
Precisou de gastar muito para
conseguir entrar no movimento e, naquele momento da corrida, cada esforço conta
para um corredor que ainda está a recuperar de uma temporada tão irregular.
Mesmo assim, Almeida vê sinais
positivos.
Diz que a sua condição está a
melhorar, mas não alimenta ilusões sobre uma recuperação imediata.
É precisamente aqui que surge
uma das frases mais reveladoras da entrevista: “milagres não acontecem
de um dia para o outro”.
A mensagem é clara: Almeida
sente evolução, mas sabe que os meses perdidos não podem de repente ser recuperados.
Ainda acredita
Apesar de tudo, o português
não olha para a corrida como perdida.
Almeida continua a acompanhar
a luta pela classificação geral e considera que a corrida está longe de estar
decidida.
Enric Mas está numa posição
forte, mas o corredor da UAE acredita que Primož Roglič continua perfeitamente
capaz de vencer a Vuelta.
Na sua opinião, o esloveno
está a crescer de forma e as próximas etapas poderão alterar significativamente
a classificação.
E há ainda o contrarrelógio da
18.ª etapa, que Almeida vê como um momento potencialmente decisivo para
provocar diferenças.
Uma vitória na mira
É aqui que surge o objetivo
pessoal de João Almeida.
Depois de tudo o que aconteceu na época, o português ainda quer sair da Vuelta com uma vitória.
Não está a falar da
classificação geral. Não está a prometer uma recuperação milagrosa.
Quer uma etapa.
Almeida assumiu que pretende
continuar a tentar até à cidade de Granada e encontrar a oportunidade certa para voltar a
vencer numa grande volta.
É, afinal, a forma que
encontrou para continuar a lutar numa temporada que lhe trouxe doenças, queda,
paragens e uma recuperação muito mais complicada do que esperava.
E a mensagem deixada na
entrevista é simples: João Almeida ainda não desistiu.
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