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João Almeida em terceiro e Enric Mas sai vivo do maior teste na Vuelta

🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 10 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 3 min ·🌱EMM

João Almeida voltou a colocar o nome entre os melhores em um grande contrarrelógio da Volta a Espanha. O português foi terceiro na 18.ª etapa, esta quinta-feira, num exercício individual de 32,1 quilómetros entre El Puerto de Santa María e Jerez de la Frontera, e terminou apenas a oito segundos do vencedor, Stefan Küng.

Foi uma prestação de grande nível do corredor da UAE Team Emirates-XRG, que ficou também a seis segundos de Callum Thornley, segundo classificado. Küng ganhou a etapa, mas Almeida voltou a mostrar que, quando a estrada deixa de ser uma questão de rodas e é uma luta individual contra o relógio, continua a saber estar entre os melhores.

O resultado tem ainda um significado especial porque surge na terceira semana da corrida, quando o desgaste acumulado começa a separar os corredores que ainda têm pernas daqueles que apenas tentam sobreviver.

Almeida responde no contrarrelógio!

O português já tinha sido segundo num contrarrelógio da Vuelta de 2025, atrás de Jonas Vingegaard. Um ano depois, voltou a estar no pódio numa distância muito mais exigente: 32,1 quilómetros praticamente desenhados para especialistas.

E não foi apenas Almeida a pôr a UAE em destaque.

Ivo Oliveira terminou em oitavo, a 29 segundos de Küng, garantindo também um lugar entre os dez melhores. A equipa conseguiu, assim, colocar dois portugueses no top-10 da etapa.

Na classificação geral, Almeida ganhou quatro posições e é agora 88.º, enquanto Ivo Oliveira também subiu quatro lugares, para o 116.º posto.

Mas, desta vez, a história portuguesa da etapa não se resume aos lugares conquistados na geral. É sobretudo uma questão de rendimento: Almeida voltou a responder quando lhe deram 32 quilómetros para correr sozinho.

Mas ganhou uma batalha

Na frente, porém, o relógio tinha uma missão diferente.

Enric Mas não precisava de ganhar a etapa. Precisava de não perder a Vuelta.

O espanhol da Movistar entrou na única grande contrarrelógio que restava na corrida sabendo que Primož Roglič tinha uma das melhores oportunidades para lhe retirar a camisola vermelha. O esloveno é um especialista na disciplina; Mas, pelo contrário, tinha de limitar os danos.

E conseguiu.

Mas foi 12.º, a 51 segundos de Küng, enquanto Roglič terminou em quarto. A diferença entre os dois na etapa ficou em 33 segundos, insuficiente para tirar a liderança que agora vale 1,37 minutos ao espanhol.

A operação de Roglič teve, ainda assim, uma consequência importante: Felix Gall não conseguiu acompanhar o ritmo dos homens da frente. O austríaco foi apenas 26.º, a 1.46 minutos, e caiu para terceiro da classificação geral, trocando de posição precisamente com Roglič.

Gall está agora a 3.01 minutos de Mas.

Agora, a Vuelta muda de rosto

A chegada a Jerez encerra o capítulo do relógio. A partir de sexta-feira, a corrida volta a ser decidida onde se sente mais confortável: na montanha.

E é aí que a vantagem conquistada pelo espanhol ganha outra dimensão.

Roglič tem 1,37 minutos para recuperar. Gall está a mais de três minutos. Mas já ultrapassou aquele que, para muitos, seria o último grande obstáculo antes das etapas decisivas.

Mas ainda não ganhou a Vuelta.

Essa é a diferença entre estar perto da vitória e tê-la no bolso.

Restam três etapas, duas delas de alta montanha, antes da chegada final a Granada. Haverá ataques, haverá equipas a tentar controlar a corrida e haverá momentos em que a camisola vermelha será posta à prova.

Mas Jerez deixou uma certeza: Enric Mas entrou no contrarrelógio para defender a liderança e saiu dele ainda mais perto do sonho.

E deixou outra, do lado português: João Almeida voltou a ser terceiro numa grande crono da Vuelta.



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