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Ben Shelton derruba Alcaraz às 3h33 da manhã num épico de 4h28
O norte-americano
eliminou o campeão em título após uma batalha de cinco sets e fechou o encontro
com um ás a 235 km/h. “Foi uma guerra, um jogo épico”, resumiu
Shelton.
Há encontros ligados a um resultado. E há outros que
estão relacionados a uma noite inteira.
Ben Shelton e Carlos Alcaraz protagonizaram um desses
encontros no US Open.
O norte-americano derrotou o campeão em título por 6-7
(5), 6-1, 6-3, 1-6 e 7-6(10–7), após 4h28 de batalha, num encontro que
terminou às 3h33 da madrugada em Nova Iorque, tornando-se o mais tardio da
história do US Open.
E, quando finalmente chegou o momento de fechar a partida,
Shelton não hesitou.
Um ás a 146 milhas por hora (234,96 km/h) selou uma das principais vitórias da sua
carreira.
“Foi uma guerra, um jogo épico”
Ainda a recuperar fisicamente do esforço, Shelton encontrou
uma forma simples de descrever o que aconteceu.
“Estou cansado. Foi uma guerra, um jogo épico, muito físico.”
Mas o norte-americano não se limitou à descrição da batalha.
Fez questão de colocar Alcaraz no lugar que entende que merece.
“Carlos já é um dos grandes campeões do nosso desporto, com
apenas 23 anos.”
E depois surgiu uma das frases mais reveladoras da noite:
“Foi, sem dúvida, o jogo de que mais gostei na minha
carreira.”
É uma declaração particularmente forte tendo em conta que
Shelton acabou de eliminar um dos principais candidatos ao título.
Perdeu
o primeiro set e não entrou em pânico
O encontro podia ter seguido uma história completamente
diferente.
Alcaraz ganhou o primeiro set no tie-break e parecia ter
assumido o controlo. Shelton, porém, conseguiu reagir de imediato.
O americano revelou que ficou frustrado, mas que encontrou
rapidamente razões para acreditar que poderia mudar o encontro.
“Estava irritado, mas consegui quebrá-lo no último jogo antes
do tie-break e isso ajudou-me a ganhar confiança.”
Shelton acreditava que o seu serviço ainda podia melhorar e
que os seus retornos começavam a incomodar Alcaraz.
A estratégia funcionou.
O norte-americano venceu o segundo set por 6-1, o
terceiro por 6-3 e chegou a ganhar nove jogos
consecutivos ao longo da recuperação.
Alcaraz ainda tentou fugir ao destino
O espanhol não entregou o encontro de bandeja,
Depois de estar a perder por dois sets a um, Alcaraz
respondeu com um contundente 6-1 no quarto set, obrigando Shelton a
disputar um quinto parcial.
Mas o esforço teve um preço.
Alcaraz passou por momentos de grande desgaste físico e
chegou a vomitar durante uma pausa, embora tenha regressado ao court e
continuado a lutar.
Depois da derrota, contudo, o espanhol recusou-se a transformar a
eliminação numa noite de frustração.
“Não estou desiludido por ter perdido. Estou feliz e
orgulhoso de mim, de como lutei durante todo o encontro.”
E acrescentou:
“Depois do terceiro set, estava realmente cansado, mas
continuei a lutar e a dar o máximo.”
3h33: o momento que entrou para a história
O quinto set foi decidido no super tie-break.
Alcaraz chegou a estar na frente por 5-3, mas
Shelton voltou a encontrar o seu melhor ténis no momento decisivo.
Chegou aos 8-6.
Depois aos 9-7.
E então veio o serviço.
146 mph.
Um ás impossível de devolver depois de mais de quatro horas
de jogo.
Fim.
Shelton caiu no court, enquanto Arthur Ashe explodia com
gritos de “USA! USA!”.
“Esta é a melhor cidade desportiva do mundo”
Depois da vitória, Shelton não esqueceu quem ficou nas
bancadas até à madrugada.
“É incrível. Sempre digo que esta é a melhor cidade
desportiva do mundo e que este é o melhor estádio do mundo.”
Mais tarde, explicou o papel que o público, a família e a
equipa tiveram na sua resistência:
“Para mim, é sempre sobre as pessoas na bancada. Os meus
treinadores, a minha equipa, os meus amigos e família e a cidade de Nova
Iorque, que apareceu esta noite até às 3 da manhã.”
“Os cânticos de ‘USA’ até ao fim foram o que me mantiveram a
lutar e o que me deu a vitória.”
Na bancada esteve também o pai e treinador, Bryan
Shelton, que durante a batalha deixou uma frase que acabou por se tornar
quase um resumo da noite:
“Are you not entertained?”
O
primeiro americano a bater Alcaraz num Major
A vitória tem ainda uma dimensão estatística especial.
Alcaraz havia ganho os 13 encontros anteriores contra
jogadores norte-americanos em torneios do Grand Slam.
Shelton foi o primeiro americano a conseguir eliminá-lo num
Major, à 14.ª tentativa.
Além disso, o triunfo acabou com uma sequência de 18
vitórias consecutivas de Alcaraz em torneios do Grand Slam.
E Shelton conseguiu a sua primeira vitória sobre um jogador
do top 3, depois de ter entrado no encontro com um registo de 0-17 nessas
partidas.
Agora vem Tiafoe
A recompensa é uma meia-final americana.
Ben Shelton defrontará Frances Tiafoe, que também precisou de
cinco sets para ultrapassar Alex Michelsen.
O vencedor terá a oportunidade de chegar à final do US Open e
alimentar um sonho que os Estados Unidos perseguem há 23 anos: voltar a
ter um campeão masculino de singulares num torneio do Grand Slam.
O último foi Andy Roddick, no US Open de 2003.
Shelton já sabe que terá pouco tempo de recuperar.
Mas, depois desta madrugada, talvez seja precisamente esse o
ponto.
Às 3h33, após 4h28 de batalha, Ben Shelton não
eliminou Carlos Alcaraz.
Ganhou uma noite que mudará a sua carreira.
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