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Enric Mas encara a crono sem medo: “O objetivo é conservar a camisola vermelha”

🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 9 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 3 min · 🌱EMM Enric Mas chega ao contrarrelógio de Jerez de la Frontera com 2 minutos e 10 segundos de vantagem sobre Primož Roglič e uma ideia muito clara: controlar o que depende dele. O líder da Vuelta não esconde a confiança e rejeita a pressão de uma etapa que pode mudar a classificação geral. “ Não tenho medo do crono; o objetivo é conservar a vermelha .” A frase de Enric Mas resume o estado de espírito do líder da Vuelta a Espanha na véspera dos 32,1 quilómetros entre El Puerto de Santa María e Jerez de la Frontera. O espanhol da Movistar não quer transformar o contrarrelógio numa batalha psicológica. Muito menos numa corrida contra os adversários antes de sequer arrancar. Quer se concentrar no próprio esforço. “ Estou bem; considero que fizemos um trabalho perfeito. Há que pensar no amanhã, depois no seguinte e no o...

Ben Shelton derruba Alcaraz às 3h33 da manhã num épico de 4h28

🖋️ António Vieira Pacheco · 📅8 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️3 min · 🌱EMM
Ben Shelton brilha na cidade onde não se dorme.



O norte-americano eliminou o campeão em título após uma batalha de cinco sets e fechou o encontro com um ás a 235 km/h. “Foi uma guerra, um jogo épico”, resumiu Shelton.

Há encontros ligados a um resultado. E há outros que estão relacionados a uma noite inteira.

Ben Shelton e Carlos Alcaraz protagonizaram um desses encontros no US Open.

O norte-americano derrotou o campeão em título por 6-7 (5), 6-1, 6-3, 1-6 e 7-6(10–7), após 4h28 de batalha, num encontro que terminou às 3h33 da madrugada em Nova Iorque, tornando-se o mais tardio da história do US Open.

E, quando finalmente chegou o momento de fechar a partida, Shelton não hesitou.

Um ás a 146 milhas por hora (234,96 km/h) selou uma das principais vitórias da sua carreira. 

“Foi uma guerra, um jogo épico”

Ainda a recuperar fisicamente do esforço, Shelton encontrou uma forma simples de descrever o que aconteceu.

“Estou cansado. Foi uma guerra, um jogo épico, muito físico.”

Mas o norte-americano não se limitou à descrição da batalha. Fez questão de colocar Alcaraz no lugar que entende que merece.

“Carlos já é um dos grandes campeões do nosso desporto, com apenas 23 anos.”

E depois surgiu uma das frases mais reveladoras da noite:

“Foi, sem dúvida, o jogo de que mais gostei na minha carreira.” 

É uma declaração particularmente forte tendo em conta que Shelton acabou de eliminar um dos principais candidatos ao título.

Perdeu o primeiro set e não entrou em pânico

O encontro podia ter seguido uma história completamente diferente.

Alcaraz ganhou o primeiro set no tie-break e parecia ter assumido o controlo. Shelton, porém, conseguiu reagir de imediato.

O americano revelou que ficou frustrado, mas que encontrou rapidamente razões para acreditar que poderia mudar o encontro.

“Estava irritado, mas consegui quebrá-lo no último jogo antes do tie-break e isso ajudou-me a ganhar confiança.”

Shelton acreditava que o seu serviço ainda podia melhorar e que os seus retornos começavam a incomodar Alcaraz.

A estratégia funcionou.

O norte-americano venceu o segundo set por 6-1, o terceiro por 6-3 e chegou a ganhar nove jogos consecutivos ao longo da recuperação.

Alcaraz ainda tentou fugir ao destino

O espanhol não entregou o encontro de bandeja,

Depois de estar a perder por dois sets a um, Alcaraz respondeu com um contundente 6-1 no quarto set, obrigando Shelton a disputar um quinto parcial.

Mas o esforço teve um preço.

Alcaraz passou por momentos de grande desgaste físico e chegou a vomitar durante uma pausa, embora tenha regressado ao court e continuado a lutar.

Depois da derrota, contudo, o espanhol recusou-se a transformar a eliminação numa noite de frustração.

“Não estou desiludido por ter perdido. Estou feliz e orgulhoso de mim, de como lutei durante todo o encontro.”

E acrescentou:

“Depois do terceiro set, estava realmente cansado, mas continuei a lutar e a dar o máximo.”

3h33: o momento que entrou para a história

O quinto set foi decidido no super tie-break.

Alcaraz chegou a estar na frente por 5-3, mas Shelton voltou a encontrar o seu melhor ténis no momento decisivo.

Chegou aos 8-6.

Depois aos 9-7.

E então veio o serviço.

146 mph.

Um ás impossível de devolver depois de mais de quatro horas de jogo.

Fim.

Shelton caiu no court, enquanto Arthur Ashe explodia com gritos de “USA! USA!”.

“Esta é a melhor cidade desportiva do mundo”

Depois da vitória, Shelton não esqueceu quem ficou nas bancadas até à madrugada.

“É incrível. Sempre digo que esta é a melhor cidade desportiva do mundo e que este é o melhor estádio do mundo.” 

Mais tarde, explicou o papel que o público, a família e a equipa tiveram na sua resistência:

“Para mim, é sempre sobre as pessoas na bancada. Os meus treinadores, a minha equipa, os meus amigos e família e a cidade de Nova Iorque, que apareceu esta noite até às 3 da manhã.”

“Os cânticos de ‘USA’ até ao fim foram o que me mantiveram a lutar e o que me deu a vitória.” 

Na bancada esteve também o pai e treinador, Bryan Shelton, que durante a batalha deixou uma frase que acabou por se tornar quase um resumo da noite:

“Are you not entertained?” 

O primeiro americano a bater Alcaraz num Major

A vitória tem ainda uma dimensão estatística especial.

Alcaraz havia ganho os 13 encontros anteriores contra jogadores norte-americanos em torneios do Grand Slam.

Shelton foi o primeiro americano a conseguir eliminá-lo num Major, à 14.ª tentativa.

Além disso, o triunfo acabou com uma sequência de 18 vitórias consecutivas de Alcaraz em torneios do Grand Slam.

E Shelton conseguiu a sua primeira vitória sobre um jogador do top 3, depois de ter entrado no encontro com um registo de 0-17 nessas partidas.

Agora vem Tiafoe

A recompensa é uma meia-final americana.

Ben Shelton defrontará Frances Tiafoe, que também precisou de cinco sets para ultrapassar Alex Michelsen.

O vencedor terá a oportunidade de chegar à final do US Open e alimentar um sonho que os Estados Unidos perseguem há 23 anos: voltar a ter um campeão masculino de singulares num torneio do Grand Slam.

O último foi Andy Roddick, no US Open de 2003.

Shelton já sabe que terá pouco tempo de recuperar.

Mas, depois desta madrugada, talvez seja precisamente esse o ponto.

Às 3h33, após 4h28 de batalha, Ben Shelton não eliminou Carlos Alcaraz.

Ganhou uma noite que mudará a sua carreira.


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