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Alexis Guérin: do futebol à glória na Volta a Portugal em ciclismo
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 16 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️2 min · 🌱EMM
O francês da Anicolor-Campicarn confirmou, no Porto, a conquista da 87.ª Volta a Portugal, após uma corrida em que assumiu o comando na Torre e resistiu até ao final.
Alexis Guérin já não é apenas
o francês que chegou a Portugal à procura de uma oportunidade. Aos 34 anos,
tornou-se o vencedor da 87.ª Volta a Portugal, após uma campanha em que assumiu
a liderança na chegada à Torre e confirmou a camisola amarela no Porto.
O triunfo surgiu ao serviço da
Anicolor-Campicarn, numa corrida em que o francês demonstrou enorme
consistência nas etapas decisivas.
O futebol ficou para trás
A história de Guérin no
ciclismo começou relativamente tarde. Antes das bicicletas, havia o futebol,
no qual jogava como médio defensivo e se destacava sobretudo pela capacidade
física.
Uma lesão acabou por afastá-lo
temporariamente dos relvados e aproximá-lo do ciclismo, modalidade na qual
encontrou características que se adaptavam à sua forma de competir.
O percurso até ao
profissionalismo foi tudo menos imediato.
Passou pelas categorias de
formação em França e competiu durante vários anos no circuito continental
europeu, longe dos grandes palcos do WorldTour.
Foi construindo uma carreira
com experiência, resistência e algumas vitórias importantes, entre elas a Volta
à Alta Áustria, em 2021, e uma etapa da Semana Internacional Coppi e Bartali,
em 2023.
Portugal
mudou tudo
Em Portugal encontrou uma nova
oportunidade.
A ligação à Anicolor-Campicarn
permitiu-lhe assumir um papel de maior protagonismo e, em 2025, Guérin já tinha
demonstrado que podia lutar pelos principais objetivos do calendário nacional.
Na Volta a Portugal deste ano
terminou no segundo lugar, atrás do companheiro de equipa Artem Nych.
Um ano depois, a história foi
diferente.
A explosão na Torre
Guérin assumiu o comando da
Volta na chegada à Torre, numa demonstração de força que mudou completamente a
classificação geral.
O francês ganhou uma vantagem
significativa sobre os principais adversários e passou a vestir a camisola
amarela.
Era o momento em que poderia
transformar uma carreira construída longe dos grandes focos numa história de
consagração.
Um
susto na Régua
A liderança não foi um
passeio.
Em Peso da Régua, Guérin
perdeu tempo após ficar atrasado no pelotão. O próprio francês reconheceu
que esse foi o único erro cometido durante a Volta.
A diferença dos adversários diminuiu, mas a camisola amarela resistiu.
Quando a corrida voltou a
subir, Guérin voltou a mostrar porque era o homem mais forte da classificação
geral.
Na Senhora da Graça, venceu
novamente e aumentou a vantagem antes da chegada ao Porto.
Foi também uma etapa marcada
pela emoção, após a morte do jovem britânico Finlay Tarling.
Guérin competiu com uma
camisola negra em homenagem ao corredor.
Dois homens da mesma equipa
No Porto, a vitória ficou
definitivamente confirmada.
Guérin terminou a Volta
com 1 minuto e 2 segundos de vantagem sobre Artem Nych, antigo
vencedor da prova.
O resultado significou uma
dobradinha da Anicolor-Campicarn nos dois primeiros lugares da classificação
geral.
Para Guérin, era o maior triunfo da carreira.
Fora da bicicleta, Alexis
Guérin apresenta-se de forma bastante diferente da imagem de um vencedor de uma
grande competição.
Considera-se um homem simples,
que gosta de estar com a mulher, os filhos e os amigos e de aproveitar os
momentos longe das corridas.
Vive em Pau, no sopé dos
Pirenéus, cidade onde reside há nove anos.
Vinte horas na bicicleta
A rotina profissional continua
exigente.
Guérin treina cerca de 20
horas por semana e conhece bem algumas das grandes montanhas dos Pirenéus, como
o Tourmalet e La Mongie.
Entre os seus locais favoritos para treinar está o Col de Castet, uma subida curta, mas bastante exigente.
Apesar da exigência do
ciclismo profissional, a família ocupa um lugar central na vida do francês.
Uma das suas rotinas passa por
levar o filho à escola numa bicicleta preparada para duas pessoas.
São estes momentos que ajudam
a explicar o lado mais pessoal de um corredor que, depois de tantos anos a
lutar por espaço no ciclismo profissional, encontrou a grande
vitória.
A
Volta é dele
Alexis Guérin chegou a
Portugal depois de ter sido segundo em 2025.
Um ano depois, saiu do Porto
como vencedor.
Aos 34 anos, o francês
encontrou na Volta a Portugal o palco para conquistar a maior vitória da
carreira.
E deixou uma história curiosa:
a de um antigo médio defensivo de um clube de futebol de Libourne que descobriu
no ciclismo a modalidade perfeita para a sua resistência, personalidade e
espírito de equipa.
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