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Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

A Volta a Portugal entre sonhos e feridas

   🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 16 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️2 min · 🌱EMM  A Volta a Portugal terminou este domingo no Porto. Rui Oliveira ganhou em casa, Alexis Guérin levou a camisola amarela e milhares de pessoas encheram a Avenida dos Aliados para celebrar o ciclismo. Era suposto ser uma festa. E foi. Mas esta não pode ser a única fotografia que ficará da 87.Volta a Portugal. Porque entre a partida e a chegada, aconteceu uma tragédia que mudou tudo. Finlay Tarling faleceu. Tinha apenas 19 anos. O jovem ciclista britânico pereceu durante a oitava etapa, numa tragédia que deixou o pelotão em choque e transformou inevitavelmente o ambiente da competição. A corrida prosseguiu, mas já não podia ser igual. A partir daquele momento, a Volta deixou de ser apenas uma competição. Passou a carregar um luto. E talvez seja essa a primeira conclusão desta edição: há momentos em que o ciclismo precisa de parar para perceber que, antes dos tempos, das classificaç...

Alexis Guérin: do futebol à glória na Volta a Portugal em ciclismo

  🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 16 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️2 min · 🌱EMM 

Alexis Guérin vence pela primeira vez a Volta a Portugal.

O francês da Anicolor-Campicarn confirmou, no Porto, a conquista da 87.ª Volta a Portugal, após uma corrida em que assumiu o comando na Torre e resistiu até ao final.

Alexis Guérin já não é apenas o francês que chegou a Portugal à procura de uma oportunidade. Aos 34 anos, tornou-se o vencedor da 87.ª Volta a Portugal, após uma campanha em que assumiu a liderança na chegada à Torre e confirmou a camisola amarela no Porto.

O triunfo surgiu ao serviço da Anicolor-Campicarn, numa corrida em que o francês demonstrou enorme consistência nas etapas decisivas.

O futebol ficou para trás

A história de Guérin no ciclismo começou relativamente tarde. Antes das bicicletas, havia o futebol, no qual jogava como médio defensivo e se destacava sobretudo pela capacidade física.

Uma lesão acabou por afastá-lo temporariamente dos relvados e aproximá-lo do ciclismo, modalidade na qual encontrou características que se adaptavam à sua forma de competir.

O percurso até ao profissionalismo foi tudo menos imediato.

Passou pelas categorias de formação em França e competiu durante vários anos no circuito continental europeu, longe dos grandes palcos do WorldTour.

Foi construindo uma carreira com experiência, resistência e algumas vitórias importantes, entre elas a Volta à Alta Áustria, em 2021, e uma etapa da Semana Internacional Coppi e Bartali, em 2023.

Portugal mudou tudo

Em Portugal encontrou uma nova oportunidade.

A ligação à Anicolor-Campicarn permitiu-lhe assumir um papel de maior protagonismo e, em 2025, Guérin já tinha demonstrado que podia lutar pelos principais objetivos do calendário nacional.

Na Volta a Portugal deste ano terminou no segundo lugar, atrás do companheiro de equipa Artem Nych.

Um ano depois, a história foi diferente.

A explosão na Torre

Guérin assumiu o comando da Volta na chegada à Torre, numa demonstração de força que mudou completamente a classificação geral.

O francês ganhou uma vantagem significativa sobre os principais adversários e passou a vestir a camisola amarela.

Era o momento em que poderia transformar uma carreira construída longe dos grandes focos numa história de consagração.

Um susto na Régua

A liderança não foi um passeio.

Em Peso da Régua, Guérin perdeu tempo após ficar atrasado no pelotão. O próprio francês reconheceu que esse foi o único erro cometido durante a Volta.

A diferença dos adversários diminuiu, mas a camisola amarela resistiu.

Quando a corrida voltou a subir, Guérin voltou a mostrar porque era o homem mais forte da classificação geral.

Na Senhora da Graça, venceu novamente e aumentou a vantagem antes da chegada ao Porto.

Foi também uma etapa marcada pela emoção, após a morte do jovem britânico Finlay Tarling.

Guérin competiu com uma camisola negra em homenagem ao corredor.

Dois homens da mesma equipa

No Porto, a vitória ficou definitivamente confirmada.

Guérin terminou a Volta com 1 minuto e 2 segundos de vantagem sobre Artem Nych, antigo vencedor da prova.

O resultado significou uma dobradinha da Anicolor-Campicarn nos dois primeiros lugares da classificação geral.

Para Guérin, era o maior triunfo da carreira.

Fora da bicicleta, Alexis Guérin apresenta-se de forma bastante diferente da imagem de um vencedor de uma grande competição.

Considera-se um homem simples, que gosta de estar com a mulher, os filhos e os amigos e de aproveitar os momentos longe das corridas.

Vive em Pau, no sopé dos Pirenéus, cidade onde reside há nove anos.

Vinte horas na bicicleta

A rotina profissional continua exigente.

Guérin treina cerca de 20 horas por semana e conhece bem algumas das grandes montanhas dos Pirenéus, como o Tourmalet e La Mongie.

Entre os seus locais favoritos para treinar está o Col de Castet, uma subida curta, mas bastante exigente.

Apesar da exigência do ciclismo profissional, a família ocupa um lugar central na vida do francês.

Uma das suas rotinas passa por levar o filho à escola numa bicicleta preparada para duas pessoas.

São estes momentos que ajudam a explicar o lado mais pessoal de um corredor que, depois de tantos anos a lutar por espaço no ciclismo profissional, encontrou a grande vitória.

A Volta é dele

Alexis Guérin chegou a Portugal depois de ter sido segundo em 2025.

Um ano depois, saiu do Porto como vencedor.

Aos 34 anos, o francês encontrou na Volta a Portugal o palco para conquistar a maior vitória da carreira.

E deixou uma história curiosa: a de um antigo médio defensivo de um clube de futebol de Libourne que descobriu no ciclismo a modalidade perfeita para a sua resistência, personalidade e espírito de equipa.

 

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