Tiago Torres: “Estar nos quartos de final é qualquer coisa de inesquecível”
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 22 julho 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 3 min · 🌱EMM
Tiago Torres continua a viver
uma autêntica semana de sonho no Millennium Estoril Open. O português, número
427 do ‘ranking’ ATP, derrotou esta quarta-feira o chileno Alejandro Tabilo,
30.º do mundo e terceiro cabeça de série, por 6-4 e 6-4, garantindo um lugar
nos quartos de final da maior prova de ténis realizada em Portugal.
No final do encontro, o
campeão nacional não escondia a emoção pelo momento mais marcante da sua
carreira, confessando que ainda lhe custa acreditar no que vive.
“São quartos de final, são.
Ganhar ao 30.º do mundo, não sei, não sei. Vou repetir as palavras, mas cresci
a ver este torneio. Poder jogá-lo é um sonho, tornado realidade e estar nos
quartos de final, na minha primeira edição… Só jogar já é, por si só, uma coisa
brutal e estar nos quartos de final, nos oito melhores jogadores do torneio, é
qualquer coisa de inesquecível e impressionante. Estou a delirar, basicamente.”
O melhor jogo
A exibição frente a Alejandro
Tabilo foi praticamente irrepreensível e, para Tiago Torres, representa o ponto
mais alto da sua carreira.
Logo após abandonar o Court
Central do Clube de Ténis do Estoril, o português atribuiu o sucesso ao
trabalho desenvolvido diariamente e reconheceu que se apresentou a um
nível que jamais havia atingido.
“Fiz o trabalho de todos os
dias. Obviamente não estou habituado a jogar com muita gente, mas também na
segunda-feira já houve bastante público e hoje consegui juntar todos os
ingredientes, digamos assim, para jogar o meu melhor ténis e, se calhar, o melhor
jogo da minha vida.”
Sem acusar a pressão de
defrontar um jogador do top 30 mundial, Torres manteve-se sempre fiel ao seu
plano de jogo, mostrou enorme maturidade nos momentos decisivos e confirmou a
maior vitória da carreira.
Um sonho
Há poucos dias, o cenário era
completamente diferente. O lisboeta nem sequer pensava em jogar o quadro
principal do Estoril Open e acreditava que, com alguma sorte, poderia apenas
tentar a qualificação.
“Nem pensava em jogar o Estoril Open. Na semana anterior, pensava que, com sorte, poderia jogar a qualificação e, neste preciso momento, estou nos quartos de final.”
Agora, prefere aproveitar cada
momento e manter o foco apenas no próximo encontro.
“É bom ter também um dia para
descansar e perceber o que acontece, porque nem consigo entender até agora.
Portanto, é bom digerir tudo amanhã e, na sexta-feira, dar o meu melhor, outra
vez, para tentar dar mais alegria a este público que me veio ver.”
O próximo adversário será o
francês Hugo Gaston, 109.º mundial, num encontro que
vale um lugar nas meias-finais.
Muitas mensagens
O percurso histórico no
Estoril Open trouxe também uma enorme onda de carinho dos adeptos. O
telemóvel não para de receber mensagens, mas Tiago Torres admite que é
impossível responder a todas.
“Na segunda-feira, tinha para aí 500 mensagens; hoje vou ter outras 500. Peço desculpa a todos por não conseguir responder, mas também preciso de um tempo para mim, para ser sincero.”
Apesar da projeção mediática
que ganhou em poucos dias, garante que nada mudará na forma como encara a
carreira.
“Vou continuar a ser eu mesmo.
Para a semana jogo novamente os torneios do meu nível, os Futures; portanto,
não vai mudar nada. Continuo a ser humilde.”
O apoio
Após admitir que, na estreia
em torneios ATP, o nervosismo teve algum peso, Tiago Torres explicou que, desta
vez, conseguiu transformar a energia do público em motivação extra.
“O público ajudou muito. Na
segunda-feira estava muito nervoso, muito atípico, porque não estava habituado
a jogar com público, então não puxei muito. Hoje senti que ia ser necessário e
não fiquei assim tão nervoso, consegui adaptar-me bem e, como disse, jogar o
melhor ténis da minha vida.”
Ao longo de toda a partida, os
adeptos levaram o português a uma das principais vitórias do ténis
nacional nos últimos anos.
O trabalho
Para Tiago Torres, o resultado
alcançado no Estoril Open é apenas a consequência de muitos anos de dedicação.
O português recordou que, há
apenas três semanas, disputava a final de um torneio da categoria Future, uma
realidade completamente diferente daquela que vive agora.
"Há três semanas estava a
jogar a final de um Future e agora acabei de ganhar a um top 30 mundial. Isso
prova que o trabalho compensa."
Mais do que o resultado, o
lisboeta fez questão de destacar a importância da consistência e da dedicação
diária.
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