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Tadej Pogačar, o “vírus” que destruiu o Alpe d'Huez

    🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 24 julho 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 3 min · 🌱EMM

Houve um 'vírus' chamado à solta na etapa mítica do Tour de France.

Se existiam dúvidas sobre o impacto do alegado “vírus” que afetou a UAE Emirates nos últimos dias, Tadej Pogačar respondeu da forma mais contundente possível: venceu no Alpe d'Huez, bateu um recorde que resistia há 31 anos e reforçou a liderança da Volta a França. A ironia é inevitável: neste sábado, o verdadeiro “vírus” da corrida foi o próprio esloveno, que atacou a concorrência sem dar hipótese de resposta.

Perante mais de 150 mil adeptos distribuídos pelos 13,8 quilómetros da subida onde Joaquim Agostinho triunfou em 1979, o camisola amarela  confirmou ser o homem mais forte do Tour. Numa jornada em que muitos esperavam que as dificuldades recentes da UAE Emirates se refletissem no rendimento do líder, Pogačar respondeu com uma aceleração devastadora que destruiu a resistência adversária e entrou diretamente para a história do ciclismo.

Ataque demolidor

Pogačar iniciou a subida ao Alpe d'Huez com mais de três minutos de atraso para os homens da fuga, mas nunca demonstrou preocupação. Apesar da UAE Emirates ter chegado aos Alpes fragilizada, após o abandono de Brandon McNulty e os problemas físicos sentidos por Tim Wellens e Adam Yates, o portador da camisola amarela mostrou desde cedo que estava preparado para decidir a etapa.

A cerca de 12 quilómetros da meta lançou um ataque demolidor que partiu definitivamente a corrida. Nenhum dos candidatos à classificação geral conseguiu acompanhar a aceleração do bicampeão mundial de estrada.

À medida que o ritmo aumentava, foi recuperando terreno aos corredores escapados. Um após outro, todos foram sendo alcançados.

Richard Carapaz e Lenny Martínez ainda resistiram durante alguns quilómetros, mas acabaram por ceder quando Pogačar voltou a acelerar a menos de um quilómetro da meta.

A vitória nunca esteve verdadeiramente em discussão.

Recorde!

O triunfo ganhou ainda maior dimensão quando os tempos oficiais confirmaram uma subida histórica.

O 'voador' esloveno percorreu os 13,8 quilómetros do Alpe d'Huez em 35 minutos e 25 segundos, estabelecendo um novo recorde absoluto da subida.

O melhor registo anterior pertencia a Marco Pantani desde 1995 e era considerado uma das referências mais emblemáticas da história da montanha francesa.

O esloveno retirou 1 minuto e 15 segundos ao registo do italiano, assinando uma velocidade média superior a 23 km/h numa das ascensões mais exigentes e famosas do ciclismo mundial.

Mais do que conquistar uma etapa, Pogačar escreveu uma nova página na história do Tour de France.

Pódio firme

Enquanto Pogačar seguia isolado para a meta, atrás desenrolava-se a luta pelas restantes posições do pódio.

Remco Evenepoel aproveitou o forte trabalho da Decathlon AG2R, equipa de Paul Seixas, para consolidar a segunda posição da classificação geral.

Isaac del Toro, colega de equipa de Pogačar, respondeu igualmente às dificuldades do jovem francês e reforçou o terceiro lugar, mantendo ainda a camisola branca da juventude.

A etapa acabou por consolidar ainda mais as posições cimeiras da classificação geral.

Dúvidas afastadas

Nos dias que antecederam esta etapa, a UAE Emirates viveu momentos de preocupação.

O abandono de Brandon McNulty, as dificuldades físicas de Tim Wellens e de Adam Yates e as referências a um alegado “vírus” levantaram dúvidas sobre a capacidade da equipa de enfrentar as etapas decisivas dos Alpes.

Contudo, o bicampeão mundial de estrada respondeu da única forma que verdadeiramente importa numa Grande Volta: na estrada.

Mesmo sem uma equipa completamente dominante durante toda a subida, resolveu praticamente sozinho a etapa mais emblemática da montanha francesa e voltou a demonstrar uma superioridade física impressionante.

História escrita

O Alpe d'Huez voltou a ser palco de um momento inesquecível. A subida onde Joaquim Agostinho triunfou em 1979 assistiu agora a mais uma exibição memorável do líder da UAE Emirates.

Aos 27 anos, o esloveno conquistou uma das vitórias mais marcantes da carreira, bateu um recorde que permanecia intacto há mais de três décadas e reforçou significativamente a liderança da Volta a França.

Dois grandes campeões do ciclismo mundial.
Se o alegado “vírus” lançou dúvidas sobre a UAE Emirates, Pogacar tratou de mudar o significado da palavra. No Alpe d'Huez, foi ele o “vírus” que se espalhou pela montanha, eliminou toda a concorrência e deixou apenas uma certeza: está cada vez mais perto de conquistar a quinta Volta a França da carreira.


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