Visma domina o CR, UAE desmorona e Baudin segura a amarela
🖋️ Por: António Vieira Pacheco
📅 Data: 9 de junho de 2026
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
📸 Fotografia: Direitos Reservados
Contrarrelógio define corrida no Tour Auvergne-Rhône-Alpes.
Etapa decisiva muda geral
A terceira etapa do Tour Auvergne-Rhône-Alpes 2026, um
contrarrelógio coletivo longo e exigente, prometia ser o primeiro grande ponto
de viragem da corrida e não desiludiu. Após dois dias marcados por fugas e
controlo tático, as equipas chegaram ao exercício coletivo com a consciência de
que qualquer erro poderia custar minutos na classificação geral.
Para João Almeida, da UAE Team Emirates-XRG, a etapa começou
com esperança e terminou em frustração. No entanto, já se notam algumas
melhorias em relação às duas etapas anteriores. Para a Visma | Lease a Bike,
foi uma demonstração de força coletiva e, para Alex Baudin, da EF
Education-EasyPost, foi uma batalha de sobrevivência bem-sucedida com a
camisola amarela a resistir até ao fim.
Partidas iniciais
A Team Picnic PostNL foi a primeira a lançar-se na estrada,
fixando uma marca inicial de 35:37, com uma média de 47,8 km/h. O registo
serviu como referência provisória e rapidamente deixou claro que as equipas
mais fortes teriam capacidade para se aproximar — ou mesmo ultrapassar — a
barreira dos 50 km/h.
A NSN Cycling Team melhorou ligeiramente o registo, mas foi a
Team Jayco AlUla a impor o primeiro tempo verdadeiramente competitivo, com
33:46 e uma média superior a 50 km/h, impulsionada por Michael Matthews e Luke
Plapp.
UAE desilude
A UAE Team Emirates-XRG entrou em prova com João Almeida na última posição do sete e Ivo Oliveira a liderar o arranque. A equipa começou bem, passando no primeiro ponto intermédio na liderança provisória, ainda que por margem mínima sobre a Bahrain Victorious.
No entanto, a formação começou a perder consistência rapidamente. Ivo Oliveira cedeu antes da fase mais exigente do percurso e a equipa caiu para segundo no segundo ponto intermédio, já atrás da Bahrain. Enquanto isso, Lidl-Trek e Movistar aproximavam-se perigosamente, encurtando as diferenças e aumentando a pressão sobre a estrutura dos Emirados.
Primeiras perdas e Decathlon em apuros
A Decathlon CMA CGM foi uma das primeiras equipas a sofrer um
golpe significativo, perdendo Stefan Bissegger ainda antes do primeiro
intermédio. A formação francesa começou a mostrar fragilidade desde cedo no
exercício coletivo.
A Lidl-Trek destacou-se pela regularidade. Apesar de perder
um elemento após 16 minutos de esforço, manteve um bloco forte e chegou ao
segundo intermédio com o melhor tempo provisório, ainda com seis corredores na prova.
O desempenho sólido começou a colocá-los como referência na luta pela vitória na etapa.
A Soudal Quick-Step foi uma das primeiras equipas a terminar,
com Valentin Paret-Peintre a ceder 42 segundos. Pouco depois, a UAE começava a
quebrar definitivamente.
João Almeida mostrou um nível superior ao dos dias
anteriores, mas não conseguiu evitar perdas significativas. Isaac del Toro
ficou isolado com Vermaerke e Sivakov a cerca de 2,2 km do final.
O mexicano ainda conseguiu um esforço final competitivo,
terminando com 33:53, a sete segundos da Jayco AlUla.
A Movistar, por sua vez, surpreendeu ao assumir a liderança
provisória, com um esforço coletivo consistente liderado por Cian Uijtdebroeks, retirou dois segundos à referência anterior.
No entanto, a vantagem seria curta.
A Netcompany INEOS foi a equipa mais impressionante nos
pontos intermédios. No primeiro controlo, retirou 13 segundos às melhores
marcas até então, criando uma vantagem significativa para a fase final.
Apesar disso, problemas mecânicos e alguma irregularidade no esforço acabaram por comprometer o desempenho na segunda metade.
Lidl ataca
A Lidl-Trek voltou a elevar o nível com um registo impressionante de 33:24, a uma média de 51 km/h. Juan Ayuso e Mattias Skjelmose lideraram uma atuação sólida que colocou pressão máxima sobre os rivais.
No entanto, a INEOS respondeu com força no segundo
intermédio, recuperando tempo importante e mantendo-se na luta pela vitória.
A etapa ficou marcada por incidentes mecânicos. A Decathlon
perdeu organização após um problema com Paul Seixas, que quase caiu na fase
final.
Mais tarde, a INEOS sofreu um novo contratempo com Oscar Onley,
que viu a corrente sair do prato dianteiro a 8 km do final. A equipa esperou
pelo britânico, o que gerou alguma tensão interna com Kévin Vauquelin.
Com Vauquelin, Onley, Rodríguez e Tarling juntos na fase final, a INEOS ainda conseguiu um registo forte de 33:01, assumindo a liderança provisória da etapa.
O esforço parecia suficiente, mas faltava a resposta da
Visma.
Visma Imperial
A Team Visma | Lease a Bike foi simplesmente dominante.
Matteo Jorgenson, lançado por Jonas Vingegaard, atacou a subida final com
potência máxima e destruiu todos os tempos anteriores.
A equipa neerlandesa terminou com 32:52, tornando-se a única
a baixar da barreira dos 33 minutos.
A diferença foi clara:
- -9
segundos para INEOS
- -32
segundos para Lidl-Trek
- -45
segundos para Decathlon
- -1:01
para UAE Team Emirates-XRG
Uma exibição de força coletiva absoluta.
A última grande incógnita era a EF Education-EasyPost e a
liderança de Alex Baudin. Com a camisola amarela em risco, a equipa geriu o
esforço de forma calculada.
Lançado por Ben Healy e Michael Leonard, o francês completou
o esforço em 33,21, suficiente para garantir o terceiro melhor tempo e,
sobretudo, manter a liderança da classificação geral.
A amarela resistiu.
Hierarquia alterada
O contrarrelógio coletivo deixou marcas profundas na
classificação geral. A Visma saiu como grande vencedora do dia, enquanto a UAE
viveu uma das suas etapas mais difíceis da temporada, perdendo mais de um
minuto.
A INEOS confirmou consistência e ambição, a Lidl-Trek mostrou
profundidade competitiva e a Decathlon saiu como uma das derrotadas do dia.
João Almeida, apesar de uma melhoria do desempenho
individual, não conseguiu evitar o impacto coletivo da UAE num dia em que cada
segundo contou.
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