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Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

Assessoria de imprensa ou barreira à informação no desporto?

    António Vieira Pacheco 1 de novembro de 2026 DIREITOS RESERVADOS — EMM Leitura estimada: 2 min Há uma pergunta que tem de ser feita a quem exerce funções de assessoria de imprensa: afinal, para que serve um assessor? A questão não é meramente teórica. Algumas situações vividas no contacto com estruturas desportivas levantam dúvidas sobre como certas assessorias encaram a relação com os jornalistas. No ténis, perante um pedido de credencial de imprensa, a resposta foi uma pergunta: para que queria o jornalista a credencial? Noutro episódio, perante um pedido de contacto de uma atleta de ciclismo, a solução apresentada foi remeter o jornalista às redes sociais. Dois episódios distintos, mas com um denominador comum: a dificuldade em compreender que a assessoria de imprensa existe, entre outras razões, para facilitar o trabalho dos jornalistas. Uma credencial não é um favor É legítimo haver procedimentos de acreditação, critérios de acesso e regras de organização...

Pogačar foi à sauna e a Quick-Step não resistiu

   🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 31 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️2 min · 🌱EMM

Tadej e a sua bicicleta.

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Numa cama do hospital, em Barcelona, Tadej Pogačar, afastado das estradas depois da queda na Vuelta a Espanha, dificilmente imaginaria que, enquanto estava na sauna, a sua bicicleta já tinha sido alvo de uma verdadeira operação de espionagem por parte dos mecânicos da Quick-Step.

A história, revelada agora por Patrick Lefevere, aconteceu há cerca de dois anos, durante uma estadia de inverno no hotel Suitopia, na Espanha. Pogačar estava no local com a companheira, Urška Žigart, e solicitou aos empregados que deixassem a bicicleta no bicicletário da Soudal Quick-Step enquanto ambos iam à sauna.

O campeão esloveno saiu de cena. Os mecânicos ficaram.

E não resistiram à tentação.

“Assim que Pogi desapareceu de vista, os nossos mecânicos saltaram para a bicicleta”, contou Lefevere ao Het Nieuwsblad. Eram quatro e, segundo o antigo responsável da equipa belga, pesaram tudo, mediram tudo e analisaram tudo.

Nada foi desmontado, mas praticamente nenhum detalhe escapou à curiosidade dos mecânicos.

A oportunidade era demasiado boa. Afinal, não tinham todos os dias à sua frente a bicicleta do homem que já começava a construir uma carreira de domínio absoluto no ciclismo mundial.

A investigação, contudo, não produziu nenhuma descoberta revolucionária.

O que mais chamou a atenção foi a posição de Pogačar na bicicleta. Os mecânicos repararam no recuo do selim e consideraram que, relativamente ao movimento central, o esloveno parecia estar sentado bastante à frente.

Quanto ao resto, nada de extraordinário.

Nem sequer o tão falado motor.

Lefevere fez questão de brincar com o assunto e garantiu que a inspeção deixou uma coisa clara: não havia motor na bicicleta de Pogačar.

A pequena operação de espionagem terminou, portanto, sem o grande segredo que alguns poderiam esperar encontrar.

Mas revelou algo que, para Lefevere, é o mais interessante: a simplicidade de Pogačar longe das corridas.

O antigo dirigente admite que nunca chegou a conhecer verdadeiramente o esloveno, mas diz tê-lo visto várias vezes longe das câmaras. E a imagem que ficou foi a de um homem perfeitamente normal, sem sinais exteriores da dimensão que, entretanto, alcançou.

Pogačar e Žigart sentavam-se no átrio do hotel como qualquer outro casal. Para quem não percebesse de ciclismo, seria impossível imaginar que aquele homem de fato de treino era o melhor ciclista do mundo.

É precisamente essa normalidade que impressiona Lefevere.

Simultaneamente, enquanto Pogačar acumulava vitórias e construía uma reputação de vencedor insaciável, continuava a se comportar, longe das câmaras, como alguém que poderia ser o vizinho do lado.

Lefevere chegou mesmo a comparar a sua fome de vitória à de Eddy Merckx.

E há uma ironia deliciosa nesta história.

Enquanto Pogačar estava tranquilamente na sauna, quatro homens estavam do outro lado a tentar descobrir os segredos da máquina que o ajudava a ganhar.

Pesaram-na. Mediram-na. Examinaram-na.

E, no fim, ficaram praticamente na mesma.

O maior segredo de Pogačar continuava sentado na bicicleta.

E esse, aparentemente, não dava para desmontar.

EMM • DOSSIÊ

TADEJ POGAČAR

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