Pogačar foi à sauna e a Quick-Step não resistiu
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 31 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️2 min · 🌱EMM
A história, revelada agora por
Patrick Lefevere, aconteceu há cerca de dois anos, durante uma estadia de
inverno no hotel Suitopia, na Espanha. Pogačar estava no local com a
companheira, Urška Žigart, e solicitou aos empregados que deixassem a bicicleta no bicicletário
da Soudal Quick-Step enquanto ambos iam à sauna.
O campeão esloveno saiu de
cena. Os mecânicos ficaram.
E não resistiram à tentação.
“Assim que Pogi desapareceu de
vista, os nossos mecânicos saltaram para a bicicleta”, contou Lefevere ao Het
Nieuwsblad. Eram quatro e, segundo o antigo responsável da equipa belga,
pesaram tudo, mediram tudo e analisaram tudo.
Nada foi desmontado, mas
praticamente nenhum detalhe escapou à curiosidade dos mecânicos.
A oportunidade era demasiado
boa. Afinal, não tinham todos os dias à sua frente a bicicleta do homem que já
começava a construir uma carreira de domínio absoluto no ciclismo mundial.
A investigação, contudo, não
produziu nenhuma descoberta revolucionária.
O que mais chamou a atenção
foi a posição de Pogačar na bicicleta. Os mecânicos repararam no recuo do
selim e consideraram que, relativamente ao movimento central, o esloveno
parecia estar sentado bastante à frente.
Quanto ao resto, nada de
extraordinário.
Nem sequer o tão falado motor.
Lefevere fez questão de
brincar com o assunto e garantiu que a inspeção deixou uma coisa clara: não
havia motor na bicicleta de Pogačar.
A pequena operação de
espionagem terminou, portanto, sem o grande segredo que alguns poderiam esperar
encontrar.
Mas revelou algo que, para
Lefevere, é o mais interessante: a simplicidade de Pogačar longe das
corridas.
O antigo dirigente admite que
nunca chegou a conhecer verdadeiramente o esloveno, mas diz tê-lo visto várias
vezes longe das câmaras. E a imagem que ficou foi a de um homem perfeitamente
normal, sem sinais exteriores da dimensão que, entretanto, alcançou.
Pogačar e Žigart sentavam-se
no átrio do hotel como qualquer outro casal. Para quem não percebesse de
ciclismo, seria impossível imaginar que aquele homem de fato de treino era o
melhor ciclista do mundo.
É precisamente essa
normalidade que impressiona Lefevere.
Simultaneamente, enquanto Pogačar
acumulava vitórias e construía uma reputação de vencedor insaciável, continuava
a se comportar, longe das câmaras, como alguém que poderia ser o
vizinho do lado.
Lefevere chegou mesmo a
comparar a sua fome de vitória à de Eddy Merckx.
E há uma ironia deliciosa
nesta história.
Enquanto Pogačar estava
tranquilamente na sauna, quatro homens estavam do outro lado a tentar descobrir
os segredos da máquina que o ajudava a ganhar.
Pesaram-na. Mediram-na.
Examinaram-na.
E, no fim, ficaram
praticamente na mesma.
O maior segredo de Pogačar
continuava sentado na bicicleta.
E esse, aparentemente, não
dava para desmontar.
TADEJ POGAČAR
As histórias do campeão
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