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Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

Rui Oliveira continua a bater à porta da vitória — e a porta já fica sem trinco

  🖋️ António Vieira Pacheco · 📅5 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 3 min · 🌱EMM Há derrotas que deixam azia. E há segundos lugares que começam a cheirar a aviso. Rui Oliveira ficou em segundo no prólogo da 87ª Volta a Portugal, atrás do companheiro de equipa Julius Johansen, mas saiu de Lisboa com uma mensagem bem mais importante do que a classificação: a primeira vitória em estrada continua a fugir-lhe, mas já não consegue esconder-se muito bem. O português da UAE Emirates perdeu quatro segundos para Johansen, especialista na luta contra o relógio e primeiro líder da Volta, mas colocou atrás de si nomes que conhecem estas estradas como poucos. Entre eles, Rafael Reis. Nada mau para quem, há três semanas, nem sabia se conseguiria alinhar. “É um sentimento agridoce. Não ganhei, mas perdi para o Julius, um colega de equipa. Ele é dos melhores do mundo nesta especialidade.” Tradução livre para quem acompanha de fora: não ganhou, mas também não veio brincar aos ciclistas ol...

O percurso da Volta à Suíça 2026 vai testar os favoritos

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📅10 junho 2026

📸 Créditos: Direitos Reservados

⏱️ Tempo de leitura: 4 minutos

Mapa da Suíça.




1ª etapa


Sondrio - Sondrio

Etapa explosiva


Etapa 1: Sondrio - Sondrio, 142,9 km.


A corrida arranca em Sondrio, numa tirada que se desenvolve em grande parte fora do território suíço. O pelotão sai em solo italiano para um dia irregular e exigente, em que os puncheurs e os trepadores podem começar a marcar diferenças.

Os primeiros 55 quilómetros são essencialmente planos, mas a entrada no coração dos Alpes altera por completo o cenário. O percurso torna-se seletivo, com várias subidas curtas e íngremes que favorecem os corredores mais explosivos. A primeira surge logo com 2,8 quilómetros a 10%.

A dificuldade mantém-se constante ao longo da etapa, num crescendo que vai afinando o grupo até aos momentos decisivos. A 16 quilómetros da meta, os corredores enfrentam uma subida de 1,4 quilómetros a 9%, antes de uma descida muito rápida que desemboca num sprint intermédio.

Sem grande margem para recuperar, surge o derradeiro obstáculo: a subida para Bordighi, com 1,1 quilómetros a 11,5%. Esta rampa deverá ser determinante na definição da etapa, com o topo a surgir a cinco quilómetros da chegada.

A partir daí, segue-se uma descida rápida e técnica, quase até ao limite, antes dos últimos 1,5 quilómetros em falso plano já dentro da cidade.


2ª etapa


 Locarno - Locarno 


Rampas decisivas



Etapa 2: Locarno - Locarno, 157,7 km.


A 2.ª etapa decorre na Suíça italiana, em solo helvético, mantendo um perfil exigente e explosivo, ideal para corredores fortes em subidas curtas e intensas. Com Pogačar à partida, a luta pela vitória promete ser ainda mais aberta num terreno seletivo.

Logo após o início surge uma subida dura com mais de cinco quilómetros a 6,3% de inclinação média, onde deverá formar-se a fuga do dia. Segue-se um longo setor mais controlado, antes de o percurso voltar a endurecer na parte final.

O primeiro ponto decisivo surge na ascensão de Fanghi, com 3,5 quilómetros a 7%, cujo topo se situa a 14 quilómetros da meta. E pela sua extensão e dureza, pode ser o local ideal para ataques mais fortes. A descida seguinte é curta, muito inclinada e técnica.

Sem grande pausa, o pelotão entra na subida para Orselina, com 1,4 quilómetros a 8,5%. O topo surge a nove quilómetros do final, antecedendo uma descida técnica até ao centro de Locarno, onde termina a etapa.

3ª etapa


Bad Ragaz - Bad Ragaz 


Oportunidade dos sprinters




Etapa 3: Bad Ragaz - Bad Ragaz, 157,6 km.


EMM


À primeira vista, a terceira etapa parece oferecer a oportunidade mais clara aos sprinters. Contudo, o perfil da jornada está longe de corresponder à imagem tradicional de uma etapa plana. Desde o quilómetro inicial, os corredores encontram uma subida de dois quilómetros com inclinações médias de 10%, um arranque explosivo que deverá provocar imediatamente uma seleção no pelotão.

Tudo aponta para uma luta intensa pela formação da fuga. Caso não se consolide nos primeiros quilómetros, a primeira grande oportunidade surgirá na subida de 1.ª categoria, com quase nove quilómetros a 7%. Mais adiante, uma segunda ascensão exigente, com mais de quatro quilómetros a 8%, termina ainda a 95 quilómetros da meta e poderá continuar a alimentar os ataques.

Apesar de ser a etapa mais favorável para uma chegada em grupo, o percurso apresenta dificuldades suficientes para desgastar os homens rápidos e abrir espaço a cenários alternativos.

4ª etapa (CRI) 


Aarburg - Aarburg


A hora do esforço solitário

Perfil_VoltaASuica2026_etapa4_CRI

Etapa 4 (CRI): Aarburg - Aarburg, 23,6 quilómetros


A quarta etapa entrega o protagonismo aos especialistas do esforço individual. Em Aarburg, um contrarrelógio de 23,6 quilómetros praticamente planos oferece o cenário ideal para os corredores mais potentes. Sem grandes obstáculos altimétricos e com poucas exigências técnicas, a corrida transforma-se numa luta direta contra o tempo, na qual a capacidade de sustentar velocidades elevadas será determinante.


5ª etapa
Villars-sur-Ollon - Villars-sur-Ollo

 O palco dos trepadores

5ª etapa da Volta à Suíça.
Etapa 5: Villars-sur-Ollon - Villars-sur-Ollon, 151,9 km.

Chega o dia que todos esperavam. A única verdadeira etapa de alta montanha desta edição apresenta-se como o grande tribunal da classificação geral. 

Aqui as pernas deixam de esconder a verdade e as diferenças ganham dimensão.

 O percurso tem uma particularidade rara: a montanha surge em formato de circuito, obrigando os corredores a revisitar o mesmo gigante.

A partida e a chegada ocorrem em Villars-sur-Ollon, mas a tranquilidade da estância suíça durará pouco. Logo após o arranque, a estrada inclina-se para o Col de la Croix, numa primeira abordagem, de 3,9 quilómetros a 8,8%, terreno ideal para a formação da fuga do dia.

A seguir, começa o verdadeiro castigo. O pelotão terá de escalar, por duas vezes, a totalidade do Col de la Croix, uma subida longa e demasiado exigente, com 19 quilómetros a uma média de 7%.

A primeira passagem servirá apenas para medir as forças dos corredores. A segunda poderá transformar-se num campo de batalha. Os cumes aparecem a 93,5 e 42,5 quilómetros da meta, deixando margem suficiente para estratégias agressivas e movimentos decisivos.

Num cenário destes, não seria surpreendente ver Tadej Pogačar endurecer a corrida à distância. Afinal, cada quilómetro ultrapassado em altitude pode servir como mais um ensaio geral para os desafios que o aguardam na Volta a França.

Golpe final

Após a última descida, que faz perder cerca de 1300 metros de altitude, surge o derradeiro teste. O Col de la Croix regressa uma terceira vez, mas desta feita apenas até Villars-sur-Ollon.

São 9,6 quilómetros com uma inclinação média de 8%, o segmento mais duro de toda a etapa e o local perfeito para os candidatos à geral mostrarem as suas cartas.

Em apenas 151 quilómetros acumulam-se cerca de 4500 metros de desnível positivo. Números que ajudam a perceber a dimensão do desafio.

Não haverá espaço para táticas defensivas nem para esconder fragilidades. Quando a estrada apontar novamente para o céu, apenas os mais fortes conseguirão responder. E, numa corrida que tem vivido à sombra de Pogačar, esta poderá ser a jornada em que o esloveno decide deixar de controlar para começar a dominar.

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