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Rui Oliveira continua a bater à porta da vitória — e a porta já fica sem trinco
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅5 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 3 min · 🌱EMM
Há derrotas que deixam azia. E há segundos lugares que começam a cheirar a aviso.
Rui Oliveira ficou em segundo no prólogo da 87ª Volta a Portugal, atrás do companheiro de equipa Julius Johansen, mas saiu de Lisboa com uma mensagem bem mais importante do que a classificação: a primeira vitória em estrada continua a fugir-lhe, mas já não consegue esconder-se muito bem.
O português da UAE Emirates perdeu quatro segundos para Johansen, especialista na luta contra o relógio e primeiro líder da Volta, mas colocou atrás de si nomes que conhecem estas estradas como poucos. Entre eles, Rafael Reis.
Nada mau para quem, há três semanas, nem sabia se conseguiria alinhar.
“É um sentimento agridoce. Não ganhei, mas perdi para o Julius, um colega de equipa. Ele é dos melhores do mundo nesta especialidade.”
Tradução livre para quem acompanha de fora: não ganhou, mas também não veio brincar aos ciclistas olímpicos em passeio pela Volta.
Rui Oliveira chegou à corrida após uma lesão num pé que lhe roubou dias de treino e colocou em dúvida a própria presença na prova.
“Fiz tudo para respeitar a corrida e as pessoas que me queriam cá. Dignifiquei a equipa e estou feliz. Se ganhasse, estaria mais claro.”
É precisamente aqui que está a história.
Rui Oliveira já tem uma medalha olímpica de ouro no Madison, já passou pelos principais palcos internacionais e já sabe o que é competir ao mais alto nível. Só lhe falta uma coisa no currículo de estrada: aquele momento em que levanta os braços primeiro.
E parece cada vez mais determinado a resolver o assunto.
“Ficar à frente de nomes como o de Rafael Reis mostra que estou no caminho certo.”
Se havia dúvidas sobre o efeito de correr em Portugal, Rui Oliveira tratou de as esclarecer.
“Não há nada como isto. Passo grande parte do ano a ouvir outras línguas lá fora e aqui posso falar português com todas as pessoas.”
E depois há o público.
“Ouvir o meu nome do princípio ao fim dá-me uma motivação extra.”
Deu mesmo.
“Esta foi das melhores exibições da minha vida. Realizei uma marca superior à que tinha planeado. Isso mostra o quão motivado e feliz estou.”
Ou seja: o homem veio à Volta para competir e descobriu que correr em casa também dá combustível.
Agora falta gastá-lo na direção certa.
Queluz que se prepare
A próxima oportunidade é nesta quinta-feira, com a chegada a Queluz. E Rui Oliveira não esconde que as conhece como metas que podem encaixar no seu perfil.
“É uma chegada que me favorece, embora haja outros ciclistas muito rápidos. Vamos com humildade e espero estar na luta.”
Entre os nomes que já estão debaixo de olho estão Tomás Contte, da Aviludo, e Santiago Mesa, da Anicolor.
A estratégia está definida. A motivação também.
A primeira vitória na estrada continua a faltar. Mas depois deste prólogo, a pergunta já não é se Rui Oliveira consegue ganhar na estrada. É quando.
E a Volta a Portugal tem ainda muitos quilómetros pela frente para responder.
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