João Almeida:“não estou preparado para o Tour”

  🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Direitos Reservados

⏱️ Tempo de leitura:  3 minutos
João Almeida não vai ao Tour.

O ciclista da UAE Emirates admite que ainda não está ao nível exigido para a Volta a França e aponta a Vuelta como grande objetivo da época.

O ciclista português João Almeida regressa à competição em França, no Dauphiné, após um período prolongado de ausência devido a problemas de saúde cuja origem nunca foi totalmente identificada. O corredor da UAE Team Emirates regressa ao pelotão com objetivos distintos dos habituais, focado sobretudo em recuperar sensações competitivas e em perceber o seu verdadeiro estado físico.

Almeida admite que atravessou uma fase complicada, marcada por análises clínicas com valores alterados, mas sem  causa concreta diagnosticada pelos médicos. Esse período obrigou a uma paragem forçada e acabou por comprometer a preparação para algumas das grandes provas da temporada, incluindo a Volta a Itália, da qual acabou por desistir antes mesmo de participar como principal candidato.

“Fiz uma paragem para descansar antes do Giro e estou a treinar há três, quatro semanas. O treino tem corrido bem e já me sinto recuperado, mas nunca percebemos exatamente o que tive. Nas análises havia valores alterados, mas sem uma causa clara”, explicou o corredor.


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“Tour de França fora dos planos imediatos”


Após a Volta à Catalunha, onde já competiu longe da sua melhor forma, o português tentou retomar o ritmo, mas sentiu dificuldades em atingir o nível esperado para uma grande volta. A pressão do calendário e a necessidade de ser competitivo no Giro acabaram por acelerar uma decisão difícil, mas inevitável: abdicar da corrida italiana.

“Logo após a Catalunha, tive de descansar para recuperar da corrida e, depois, comecei a treinar gradualmente. Não me sentia mal, mas também não estava no meu melhor. Havia sempre pressão para me preparar para o Giro. Ainda fiz estágio em altitude, mas as análises não melhoravam”, acrescentou.

O abandono do Giro acabou por ser, segundo o próprio, uma decisão natural, permitindo também dar espaço a outros colegas de equipa. “Não estava preparado, acho que nem para uma etapa. Mais-valia dar oportunidade a outro colega para ter sucesso”, afirmou, sublinhando a importância da gestão física numa temporada longa.

O foco passa pelo Dauphiné, onde a abordagem será completamente diferente da habitual. Almeida não parte com ambições de classificação geral e assume que o objetivo passa por treinar em corrida e auxiliar a equipa sempre que possível.

“Não quero ir lá fazer nenhum resultado. Vou lá tentar auxiliar os meus colegas e ver como me sinto. É uma corrida muito exigente”, explicou.

Apesar do regresso à competição, o português é claro quanto ao futuro próximo. A presença na Volta a França está praticamente descartada por opção própria, uma vez que não se sente preparado para enfrentar o nível exigido pela maior corrida do mundo.

“Não me sinto preparado para fazer uma Volta a França. Há muitas arestas por limar. Independentemente de ir fazer resultado ou trabalhar, o Tour exige a melhor forma possível, e não estou nesse nível”, confessou.

O ciclista, vice-campeão da Vuelta de 2025, prefere agora apontar as baterias para a Volta a Espanha, que surge como principal objetivo da segunda parte da época. A estratégia passa por um longo período de treino após o Dauphiné, seguido de provas como San Sebastián e Burgos, antes do grande foco final da temporada.

“Sem dúvida alguma, farei a Vuelta. Para isso, preciso de um longo período de treino para estar a 100%”, concluiu.

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