"Há recuperações por concluir": UAE mantém incógnita antes do Tour
🖋️Por: António Vieira Pacheco
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Adam Yates, Jay Vine e Marc Soler continuam a recuperar-se das lesões sofridas no Giro. A UAE Team Emirates-XRG adiou a escolha da equipa que acompanhará Tadej Pogačar na luta pela camisola amarela.
Durante grande parte dos últimos anos, a UAE Team Emirates-XRG habituou-se a preparar a Volta a França com uma sensação de controlo absoluto. Em torno de Tadej Pogačar, a estrutura foi-se tornando cada vez mais profunda, mais forte e mais completa. Mas a poucas semanas do arranque da edição de 2026, a realidade é diferente.
As lesões continuam a condicionar os planos de equipa dos Emirados Árabes Unidos; e a escolha dos homens que acompanharão Pogačar na defesa do título permanece em aberto.
A garantia foi dada por Andrej Hauptman, que admitiu que a equipa terá de esperar até aos últimos dias antes da corrida para fechar a convocatória.
“Ainda temos de esperar para perceber como evolui a recuperação de alguns corredores. Vamos aguardar até ao último momento para escolher aqueles que estiverem realmente nas melhores condições”, explicou.
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Dores italianas
Os problemas começaram durante o Giro d'Italia.
A formação dos Emirados havia chegado à corrida com ambições elevadas, mas viu rapidamente os planos desmoronarem-se devido a uma sucessão de contratempos físicos.
Adam Yates, Marc Soler e Jay Vine acabaram condicionados por lesões e foram obrigados a desistir da prova.
Segundo Hauptman, a corrida mudou completamente de rumo logo nos primeiros dias.
“Após a segunda etapa, os sonhos de uma boa classificação geral desapareceram. Os corredores que podiam lutar por posições importantes estavam lesionados.”
Apesar das dificuldades, a equipa conseguiu salvar o Giro com uma abordagem agressiva nas etapas, somando quatro triunfos parciais e mantendo-se entre os protagonistas da corrida.
Peças fundamentais
O principal problema para a UAE não está no que aconteceu em Itália, mas sim no impacto que esses problemas podem ter no Tour.
Yates, Soler e Vine fazem parte do grupo de montanha mais importante da equipa e considerados elementos essenciais para proteger Pogačar nas etapas decisivas.
A recuperação dos três será acompanhada até ao limite.
“Precisaremos muito deles durante o resto da temporada”, reconheceu Hauptman.
A situação de Jhonatan Narváez também é acompanhada com atenção. O equatoriano abandonou o Giro após um incidente insólito, quando estava na luta pela classificação por pontos.
Mesmo sem conseguir concluir a corrida, deixou indicações positivas sobre a forma física e poderá ser uma das opções para integrar o bloco de apoio ao líder esloveno.
Luxo competitivo
Poucas equipas têm a profundidade da UAE Team Emirates-XRG.
Essa abundância de talento obriga a uma seleção complicada.
Hauptman admite que haverá corredores numa condição física ótima que ficarão fora da convocatória.
“Somos a melhor equipa do mundo. Haverá ciclistas que mereceriam estar no Tour, mas que acabarão por ficar em casa.”
É um problema que a maioria das formações gostaria de ter.
Enquanto muitas equipas lutam para encontrar oito corredores competitivos, a UAE continua a escolher entre vários atletas para desempenhar papéis importantes numa Grande Volta.
Teste decisivo
Entretanto, Pogačar prossegue a preparação em altitude na Serra Nevada.
O esloveno regressará à competição na Volta à Suíça 2026, considerada internamente como o último grande ensaio antes da Volta a França.
A prova permitirá avaliar o estado de forma do campeão do mundo e perceber quais os ajustes que ainda poderão ser feitos na preparação final.
Para Hauptman, esse momento será determinante.
“Será um indicador muito importante para perceber se preparámos tudo da forma correta e se ainda precisamos de alterar algum detalhe antes do Tour.”
Rival conhecido
Do outro lado estará novamente Jonas Vingegaard.
O dinamarquês chega moralizado após conquistar o Giro d'Italia e voltar a demonstrar um nível muito elevado na montanha.
Ainda assim, a UAE prefere concentrar-se nos próprios processos.
“Sabemos o que temos de fazer para chegar ao Tour nas melhores condições possíveis.”
Hauptman garante que nunca duvidou da capacidade de recuperação do rival.
“Já sabíamos que Jonas era um corredor extraordinário. Nunca tive dúvidas de que voltaria ao seu melhor nível.”
Alerta inicial
A edição de 2026 arrancará em Barcelona com um contrarrelógio coletivo, uma novidade que poderá provocar diferenças decisivas logo no primeiro dia.
Para a UAE, não haverá margem para erros.
“Teremos de começar a toda a velocidade. Numa corrida de três semanas, qualquer etapa pode fazer a diferença. Se subestimarmos uma delas, podemos arrepender-nos mais tarde.”
Pogacar venceu as duas últimas edições da Volta a França com vantagens confortáveis sobre Vingegaard. No entanto, dentro da equipa ninguém acredita que esses números garantam qualquer tranquilidade.
A mensagem é clara: o passado não ganha corridas.
E enquanto alguns dos seus homens de confiança continuam entregues à recuperação, a UAE ainda aguarda as últimas respostas antes de definir quem acompanhará o esloveno na mais importante batalha do ano.
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