Afonso Eulálio confessa: “Os últimos cinco quilómetros foram os mais longos da minha vida”

  🖋️Por: António Vieira Pacheco

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Eulálio afirma que foram os 5 últimos quilómetros mais complicados da sua vida.
Este senhor é um grande guerreiro e mantém a camisola branca.

Dia de sofrimento nas Dolomitas deixa o português mais pressionado na luta pela camisola branca.

Afonso Eulálio viveu um dos dias mais exigentes da sua participação na Volta à Itália, numa etapa-rainha marcada por seis ascensões de montanha, desgaste extremo e mudanças importantes na classificação geral. No final dos 151 quilómetros entre Fai della Paganella e Alleghe, o português da Bahrain Victorious manteve a camisola branca da juventude, mas acabou por descer ao sexto lugar da geral.

Dia de sofrimento nas Dolomitas!

O jovem corredor luso reconheceu o impacto da dureza da etapa e não escondeu o esforço acumulado ao longo de um dia em que esteve constantemente sob pressão.

“Não me senti muito mal, os outros é que se sentiram melhores do que eu… Não havia muito a fazer”, afirmou Eulálio no final da tirada, resumindo diretamente a dificuldade em responder ao ritmo imposto pelos principais candidatos na alta montanha.

Desde cedo, a etapa mostrou-se seletiva. O pelotão foi-se a fragmentar nas primeiras dificuldades do dia, com o ritmo elevado a provocar cortes sucessivos. Eulálio chegou a perder contacto em duas das seis montanhas do percurso, incluindo a subida ao Passo Giau, o ponto mais alto desta edição da corrida. Ainda assim, o português conseguiu recuperar em ambas as ocasiões, demonstrando capacidade de resistência num terreno onde qualquer hesitação se paga caro.

“Andei sempre com os da frente e sofri muitíssimo”, explicou o corredor, sublinhando a exigência constante do ritmo imposto pelos principais favoritos à geral.

Última subida decisiva

Apesar das dificuldades, o português conseguiu manter-se integrado no grupo de elite até às fases avançadas da etapa. A sua consistência foi novamente posta à prova na subida final para Piani di Pezzè, onde acabou por ceder definitivamente face ao aumento de intensidade dos principais rivais. Ainda assim, conseguiu evitar mais perdas e terminar o dia sem um descalabro na classificação.

“Cada vez via menos ciclistas no grupo e, no final, já não conseguia fazer melhor. Cheguei à última montanha com poucas forças, já limitado”, acrescentou, descrevendo o desgaste progressivo sentido ao longo da jornada.

A exigência da etapa ficou ainda mais evidente nas palavras do próprio corredor, que não escondeu o impacto físico do percurso.

“Os últimos cinco quilómetros foram os mais longos da minha vida”, confessou Eulálio, numa das frases que melhor traduzem o sofrimento vivido nas estradas das Dolomitas.

Apesar de ter perdido posições na classificação geral, o português conseguiu preservar um dos seus principais objetivos na corrida: a camisola branca da juventude. No entanto, a margem encurtou e a luta pela classificação torna-se agora mais apertada à entrada da última etapa de alta montanha.

Na geral, Eulálio desceu ao sexto posto após ser ultrapassado por Derek Gee, que beneficiou da sua presença na fuga do dia para ascender na classificação. O português encontra-se agora a 7m26s da liderança da prova, ocupada por Jonas Vingegaard, que voltou a demonstrar solidez na defesa da camisola rosa.

O dinamarquês, colega de equipa de outros protagonistas da corrida e figura dominante nesta edição, controlou a etapa sem grandes sobressaltos, terminando integrado no grupo dos principais favoritos. Atrás dele, Felix Gall mantém-se como o principal perseguidor direto, enquanto o restante do top 10 sofreu pequenas alterações em função do desgaste acumulado na etapa-rainha.

Para Eulálio, o principal foco passa agora pela luta direta pela camisola branca, na qual mantém uma vantagem curta sobre Davide Piganzoli. A diferença é de apenas 1m03s, um intervalo que promete tornar a última etapa decisiva numa verdadeira batalha estratégica.

“Falta um dia a menos, mas eles estão mais perto de mim. Veremos como é amanhã”, afirmou o português, consciente de que a margem confortável que já teve na classificação da juventude está agora reduzida.

A corrida entra assim na sua fase final com tudo por decidir na alta montanha. A última etapa antes de Roma promete ser um novo teste extremo, com 200 quilómetros e uma dupla passagem pela exigente subida de Piancavallo, um verdadeiro colosso de 14,5 quilómetros a 7,8% de inclinação média.

Será nesse cenário que Eulálio terá de defender as suas posições, num esforço final que poderá ditar não apenas a classificação da juventude, mas também o lugar final do português no top 10 da Volta à Itália.

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