“É simplesmente bizarro”: SD Worx ameaça recorrer aos tribunais
🖋️Por: António Vieira Pacheco
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Equipa neerlandesa contesta a desclassificação da líder do Giro feminino, questiona o processo de medição da bicicleta e admite recorrer ao Tribunal Arbitral do Desporto.
A tempestade em torno da exclusão de Lorena Wiebes do Giro d'Italia Women está longe de terminar. Embora a SD Worx-Protime tenha recuperado terreno na corrida graças ao contrarrelógio dominador de Anna van der Breggen, que lhe devolveu a camisola rosa, a formação neerlandesa continua determinada a contestar a decisão que afastou uma das principais figuras da prova.
A desclassificação de Wiebes, motivada por uma alegada infração ao peso mínimo regulamentar da bicicleta, abriu uma frente de conflito entre a equipa e a União Ciclista Internacional. E, ao que tudo indica, o caso poderá mesmo chegar às instâncias judiciais do desporto.
“Para nós, isto não se resume ao resultado desportivo”, afirmou o diretor da equipa, Erwin Janssen. “Está em causa a reputação da Lorena e todas as consequências que esta decisão provocou.”
Segundo o responsável, a SD Worx já contratou assessoria jurídica especializada e reúne toda a documentação necessária para avançar com os passos seguintes.
A equipa considera que os prejuízos vão muito além da perda da vitória ou da continuidade na corrida. Entre os danos identificados estão prémios monetários, pontos UCI e possíveis impactos nos contratos associados a patrocinadores.
“Há várias dimensões neste processo. Estamos a avaliar tudo o que perdemos por causa desta decisão”, explicou Janssen.
No centro da contestação está a verificação técnica realizada. A SD Worx entende que o procedimento não cumpriu os padrões exigidos para uma competição desta dimensão e critica a falta de transparência durante a inspeção.
“É simplesmente bizarro que estejamos a ser ignorados desta forma”, disparou o dirigente. “As equipas são obrigadas a funcionar ao mais alto nível profissional, mas depois encontramos processos de medição conduzidos de forma muito pouco profissional.”
A equipa alega ainda que não teve oportunidade de solicitar uma segunda medição independente e que nenhum representante foi chamado a validar oficialmente os resultados através da assinatura de um relatório técnico.
Outro dos argumentos apresentados prende-se com a própria margem da alegada infração. De acordo com Janssen, a bicicleta de Wiebes foi repetidamente verificada ao longo da temporada e apresentou sempre valores entre 6,83 e 6,85 quilogramas, acima do limite regulamentar de 6,8 kg.
Por isso, a SD Worx acredita que fatores externos podem ter influenciado a medição realizada no Giro.
“A bicicleta da Lorena sempre esteve nos limites. Pelo que ouvimos de especialistas, o vento pode influenciar significativamente uma medição deste tipo. É uma possibilidade que investigamos”, explicou.
A falta de comunicação por parte da UCI tem contribuído para aumentar a tensão. Janssen revelou ainda que a equipa teve dificuldades em obter esclarecimentos desde que a decisão foi anunciada.
“A UCI simplesmente não responde. Ninguém atende o telefone. Só o nosso advogado conseguiu falar com alguém de posição superior na organização.”
Apesar da firmeza da decisão da federação internacional, que mantém que uma bicicleta abaixo do peso regulamentar constitui uma infração clara. No entanto, a SD Worx acredita que há fundamentos sólidos para contestar a decisão.
O caso promete continuar a gerar debate nas próximas semanas e poderá transformar-se num dos episódios jurídicos mais mediáticos do ciclismo feminino recente.
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