Lipowitz: “Dormimos acima dos 2300 metros e descemos para ganhar oxigénio”

  🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Direitos Reservados

⏱️ Tempo de leitura:  3 minutos



Florian Lipowitz descreve o treino em altitude na Serra Nevada e o método rigoroso da Red Bull — BORA — hansgrohe para preparar Tadej Pogačar e Jonas Vingegaard.


Florian Lipowitz transforma a preparação para a Volta a França numa rotina de isolamento controlado, de altitude extrema e de esforço meticulosamente planeado.

O alemão da Red Bull — BORA — hansgrohe, terceiro classificado na última Grande Boucle, surge como um dos principais candidatos a voltar a lutar pelo pódio em 2026, numa edição em que o cenário volta a estar dominado por nomes como Tadej Pogačar e Jonas Vingegaard.

Enquanto isso, Lipowitz opta por um método de preparação que leva o corpo ao limite antes mesmo do início da corrida.

Faça o "Entrar no Mundo das Modalidades" a sua fonte no Google.

 Altitude extrema

A base escolhida para a preparação final é a Serra Nevada, em Espanha, um dos locais mais utilizados no ciclismo moderno para blocos de altitude.

O objetivo é simples: simular condições de esforço prolongado com menor disponibilidade de oxigénio, obrigando o organismo a adaptar-se a níveis de exigência superiores aos encontrados em competição.

“Dormimos ligeiramente acima dos 2300 metros”, explicou Lipowitz em entrevista à Eurosport.

>Nos primeiros dias, a adaptação é lenta e controlada. O corpo responde ao ar rarefeito, enquanto o treino é ajustado para evitar quebras excessivas.

Método controlado

O plano não se limita a permanecer em altitude elevada. 

Existe uma estratégia precisa de variação do esforço e da altitude ao longo do dia.

“Nos primeiros três ou quatro dias, ficamos a uma altitude relativamente alta. Há até uma estrada que sobe a 3000 metros de altitude. Tentamos aclimatar o mais depressa possível.”

A rotina combina longas horas de repouso em altitude com sessões específicas de treino em diferentes níveis de oxigénio.

É um equilíbrio delicado entre o ‘stress’ fisiológico e a recuperação.

Descida táctica

Um dos elementos mais curiosos da preparação é a descida controlada para treinar.

Durante os blocos de intensidade, os ciclistas descem temporariamente para altitudes mais baixas, onde a disponibilidade de oxigénio permite realizar séries mais exigentes.

“Quando começamos o trabalho das séries, descemos para obter um pouco mais de oxigénio. Depois voltamos a subir.”

Este método permite combinar dois estímulos opostos: a resistência da altitude e a intensidade do esforço em condições mais favoráveis.

Exigência mental

Para Lipowitz, a preparação não é apenas física.

O desgaste psicológico também desempenha um papel central.

“É preciso estar mentalmente preparado para passar três semanas aqui. Não há muito mais do que comer, dormir e treinar.”

O isolamento, a repetição dos treinos e a ausência de estímulos externos fazem parte do processo.A disciplina torna-se tão determinante quanto a potência demonstrada nas pernas.

Luta pelo pódio

O objetivo está bem definido.

Depois do terceiro lugar na última Volta a França, Lipowitz quer se consolidar entre os grandes candidatos à classificação geral.

A consistência demonstrada por Lipowitz, materializada nos pódios alcançados na Volta ao País Basco e na Volta à Romândia, confirma a sua crescente afirmação no pelotão internacional e sustenta a ideia de que já integra o grupo de corredores com ambições legítimas nas grandes voltas.

Ainda assim, o desafio mantém-se gigantesco.

O domínio de Tadej Pogačar e Jonas Vingegaard continua a moldar a hierarquia do ciclismo mundial, obrigando os restantes candidatos a explorar margens de progressão cada vez mais reduzidas.

Preparação moderna

A abordagem da Red Bull — BORA — hansgrohe reflete a tendência atual do ciclismo profissional.

A ciência do treino tornou-se determinante.

Cada variável da preparação — da altitude à recuperação, passando pela nutrição e pela gestão da carga de treino — é analisada ao pormenor. O desafio já não consiste apenas em alcançar uma boa condição física para o Tour, mas em sincronizar o pico de forma, física e mental com o início da prova.

Lipowitz é um dos exemplos mais claros dessa nova geração de corredores moldados na preparação científica intensiva. 

Mirar julho

Com o Tour cada vez mais próximo, a preparação em altitude entra na fase final. Os dias em Serra Nevada representam o último grande bloco de trabalho antes da descida para a competição.

Se o método será suficiente para voltar a subir ao pódio em Paris, só a estrada o dirá. No entanto,  uma coisa é certa: Lipowitz prepara-se como alguém que não quer apenas participar na Volta a França — quer disputar o seu desfecho até ao último dia.

🟡 Leia também

📰 Últimas notícias

Comentários

Mensagens populares