FPTM procura medalhado paralímpico de 1984 para homenagem do IPDJ
🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Direitos Reservados
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
| Alguém sabe de Paulo Jorge Santos? |
Um apelo público nas redes sociais
A Federação Portuguesa de Ténis de
Mesa (FPTM) lançou um apelo público na sua página oficial do Facebook,
procurando localizar o antigo atleta paralímpico Paulo Jorge Santos, medalhado
em 1984, para viabilizar uma homenagem do Instituto Português do Desporto e
Juventude (IPDJ).
Na publicação, a FPTM refere que,
apesar de vários esforços, não foi possível estabelecer contacto até ao
momento. Por isso, solicita a colaboração do público para auxiliar na localização do
antigo atleta.
Há algo de discretamente anacrónico neste gesto: uma federação nacional a recorrer ao alcance difuso das redes sociais para resolver uma ausência que, em teoria, deveria pertencer ao domínio dos arquivos institucionais.
Hoje, depende também do acaso ou da memória de alguém que ainda se lembre. Ou então da sorte de encontrar quem ainda guarde essa história viva.
O atleta de 1984
Paulo Jorge Santos conquistou a
medalha de bronze na prova individual de ténis de mesa classe C4 nos Jogos
Paralímpicos de 1984, realizados em Nova Iorque e Stoke Mandeville, numa
das fases iniciais do movimento paralímpico moderno.
O seu nome integra a lista de
medalhados portugueses dessa edição. Na altura, o desporto paralímpico tinha pouca visibilidade, menor cobertura
mediática e estruturas organizativas ainda em consolidação.
Era um tempo em que muitas medalhas
existiam antes da memória digital — e algumas, ao que parece, também antes da
memória institucional.
O conteúdo da publicação
Na mensagem divulgada pela FPTM, o
atleta será homenageado pelo Instituto Português do Desporto e Juventude
(IPDJ), numa iniciativa que reconhece o seu percurso desportivo quase quatro
décadas depois da conquista da medalha.
A FPTM sublinha que, apesar dos
esforços realizados, não foi possível estabelecer contacto com o antigo atleta.
O apelo solicita ainda a colaboração
de qualquer pessoa que disponha de informações sobre o seu paradeiro, incentivando
a partilha da publicação. Uma tentativa aberta, quase coletiva, de reconstruir
um rasto que o tempo e a falta de registos tornaram difuso.
Um problema recorrente
O caso não é isolado. O caso não é isolado. Expõe uma dificuldade frequente em várias federações desportivas: a perda de contacto com atletas de décadas passadas.
Isto ocorre num contexto em que, à época, os registos não estavam centralizados nem digitalizados.
Nos anos 80, a gestão de dados
dependia de arquivos físicos, de contactos pessoais e de estruturas administrativas
menos duradouras. Com o passar do tempo, esses fragmentos tornam-se difíceis
de reconstituir.
O resultado é uma espécie de
arqueologia administrativa: procurar pessoas por meio de vestígios que
sobreviveram mais por acaso do que por sistema.
Memória institucional e desporto paralímpico
Mais do que um caso individual, a
situação levanta questões sobre a preservação da memória desportiva, em
particular no contexto do desporto paralímpico, historicamente menos mediático
e com menor preservação documental.
Há uma ironia silenciosa neste tipo
de histórias: atletas que representaram o país ao mais alto nível internacional
podem, décadas depois, tornar-se difíceis de localizar no interior do sistema que representaram.
A procura continua
Quatro décadas após a conquista da
medalha, o paradeiro de Paulo Jorge Santos permanece por confirmar. Até hoje, não há registo público atualizado sobre a sua
localização ou contacto.
A FPTM mantém o apelo ativo,
numa tentativa de localizar o antigo atleta e concretizar a homenagem prevista
pelo IPDJ — e, no processo, recuperar não apenas uma pessoa, mas também uma
parte da memória desportiva que o tempo deixou em suspenso.
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