Marcos Freitas, o resistente que Portugal continua a subestimar
🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: WTT
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
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| Marcos Freitas é o número dois na hierarquia do WTT na 78ª posição. |
O veterano mesa-tenista que não cede
Há atletas que atravessam décadas sem
perder a relevância. Não porque procurem palco, mas porque o próprio desporto
insiste em chamá-los de volta. Freitas é um desses raros casos. Aos 38
anos, continua a ocupar um lugar que muitos já lhe haviam retirado mentalmente
— não por falta de mérito, mas porque Portugal tem a tendência a olhar para os
seus atletas como se tivessem prazo de validade.
O madeirense insiste em contrariar
essa lógica. E fá-lo com a serenidade de quem sabe que a resistência também é
uma forma de talento. A recente subida de dez posições no ranking mundial,
alcançando o 78.º lugar, surge como mais uma demonstração de que continua competitivo
num circuito onde a renovação acontece a um ritmo impiedoso.
A arte de permanecer
A sua carreira é um exercício de
permanência num desporto que não perdoa hesitações.
O ténis de mesa mudou, acelerou,
reinventou-se. Os protagonistas sucederam-se a um ritmo quase industrial. E,
enquanto muitos ficaram pelo caminho, Freitas encontrou forma de continuar.
Não se impôs pela força, mas pela
inteligência competitiva, pela capacidade de adaptação e pela calma com que
atravessa ciclos que derrubarão os jogadores mais jovens. A longevidade, no seu
caso, não é um acaso: é uma construção.
Num contexto internacional cada vez
mais físico e acelerado, permanecer entre os nomes relevantes exige mais do que
experiência. Exige leitura tática, resistência mental e compreensão
profunda do jogo. Freitas continua a demonstrar essas qualidades numa fase da
carreira em que muitos já desapareceram do circuito competitivo.
Uma voz num desporto que raramente fala
Mas há algo que o distingue ainda
mais. Num ecossistema onde o silêncio se tornou hábito — atletas que evitam
entrevistas, treinadores que se escondem atrás de resultados, dirigentes que
comunicam apenas para dentro — Freitas tornou-se uma exceção.
Não fala para se promover; fala
porque entende que o desporto precisa de ser explicado. Fala porque sabe que a
modalidade não cresce se continuar fechada sobre si própria. Fala porque sabe que o silêncio nunca ajudou uma modalidade a crescer.
Marcos Freitas é o campeão nacional individual... Veja aqui!
Tornou-se uma das figuras mais relevantes do ténis de mesa português contemporâneo. Não apenas pelo que conquistou em competição. Mas pela forma como compreende o papel público da modalidade.
O líder discreto
O último Mundial por Equipas voltou a
demonstrá-lo. Não foi apenas a qualidade do jogo, nem a fiabilidade competitiva
que já se tornou marca da casa. Foi a forma como se manteve como referência num
momento em que a seleção precisava de estabilidade e liderança.
Freitas deu as duas.
Sem gestos excessivos, sem
necessidade de protagonismo artificial, continuou a assumir o papel de
equilíbrio de uma equipa em renovação. E, mesmo assim, permanece
frequentemente tratado como se fosse apenas mais um nome numa convocatória.
Como se a sua longevidade fosse um detalhe. Como se a sua presença não fosse,
na verdade, um dos pilares que ainda sustentam a modalidade em Portugal.
O resistente que Portugal ainda não reconheceu
Hoje, Freitas representa algo raro no
desporto português: a combinação entre excelência, maturidade e consciência
pública.
Não precisa de provar nada, mas
continua a provar tudo.
Não precisa de justificar a idade,
mas continua a desmentir os preconceitos associados a ela. Não precisa de
falar, mas continua a ser uma das poucas vozes que realmente acrescentam ao
debate desportivo nacional.
Num país que tantas vezes demora a
reconhecer os seus resistentes, Freitas permanece — discreto, sólido,
indispensável.
E talvez seja precisamente por isso
que continua a ser subestimado: porque resiste sem pedir aplausos. Porque
permanece sem exigir reconhecimento. Porque, no fundo, sempre foi maior do que
o espaço que lhe deram.
Ao longo deste projeto são contadas histórias de atletas, bastidores, entrevistas e realidades menos visíveis do ténis de mesa português.
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