Clube Ténis de São Miguel em risco: de referência nacional ao abandono

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Direitos Reservados

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As instalações continuam degradadas em Ponta Delgada..
As lonas voaram para o continente?

O Clube Ténis de São Miguel (CTSM), durante décadas uma das principais referências da modalidade em Portugal, atravessa atualmente um dos momentos mais delicados da sua história. 

Localizado na Fajã de Cima, em Ponta Delgada, na ilha de São Miguel, o clube, com mais de 40 anos de existência, encontra-se num estado de degradação que preocupa associados, atletas e todos os que acompanham de perto o ténis açoriano.

Para quem conheceu o CTSM em seus anos áureos, o cenário atual é difícil de aceitar. O repórter do EMM esteve no local em 1995 e 1996, quando da realização do Azores Open ao serviço de outro órgão de comunicação social, e recorda um espaço de excelência, que considerava um dos mais bonitos do país. Inserido numa envolvente natural única, o clube oferecia condições de topo, tanto para competição quanto para lazer, sendo palco de eventos relevantes e ponto de encontro para praticantes de todas as idades.

Promessas ambiciosas, execução insuficiente

Décadas depois desse período de prestígio, o CTSM enfrenta uma realidade bem distinta. Em março de 2023, foi anunciado um acordo entre o clube e a Câmara Municipal de Ponta Delgada com vista à requalificação das infraestruturas. O investimento previsto rondava um milhão de euros e incluía a cobertura de três campos de ténis, bem como a construção de dois courts de ténis de praia.

O projeto gerou expectativas elevadas, não só entre os sócios, mas também na comunidade desportiva regional. A intervenção era vista como essencial para revitalizar o clube e devolver-lhe a relevância de outros tempos. Em março de 2024, realizou-se a cerimónia de lançamento da primeira pedra, num momento simbólico que contou com a presença de Vasco Costa, então presidente da Federação Portuguesa de Ténis.

Na ocasião, foi também destacado o contributo de um mecenas, que terá assegurado apoio financeiro na ordem de meio milhão de euros. Além disso, foi mencionada a possibilidade de uma segunda fase do projeto, que incluiria a construção de uma nova zona social e a criação de seis campos de pádel, ampliando a oferta desportiva do clube.

Contudo, mais de um ano após o arranque formal da obra, a realidade no terreno está longe de corresponder ao plano anunciado. A intervenção está longe de estar concluída e, em vários pontos, parada no tempo, deixando o clube sem respostas e com infraestruturas incapazes de suportar a atividade desportiva.

Saída de sócios e degradação das condições

A falta de progresso nas obras e o estado geral das instalações têm tido consequências diretas na vida do clube. Nos últimos meses, tem-se verificado uma saída significativa de sócios, atletas e treinadores, muitos dos quais optaram por abandonar o CTSM devido à ausência de condições adequadas para treinar e competir.

Os courts apresentam sinais visíveis de desgaste, algumas áreas encontram-se inutilizáveis e a experiência global no clube deteriorou-se de forma acentuada. Para uma instituição que, durante vários anos, foi sinónimo de qualidade, o cenário atual representa um claro retrocesso.

Algumas fontes descrevem um ambiente de desânimo generalizado. A sensação de oportunidade perdida repete-se. Principalmente face aos apoios anunciados e às promessas feitas no arranque da requalificação. A expectativa de um novo ciclo de crescimento deu lugar a uma perceção de estagnação.

As lonas voaram?
Vale uma imagem do que mil palavras.

Denúncias e silêncio institucional

Para além das questões relacionadas com as infraestruturas, surgem também críticas à forma como o processo tem sido conduzido. Algumas fontes apontam para alegados entendimentos entre dirigentes do clube e responsáveis da Associação de Ténis dos Açores, levantando dúvidas sobre a transparência e eficácia da gestão.

 O silêncio das entidades responsáveis tem sido um dos pontos mais contestados por aqueles que defendem uma intervenção urgente.

Não existem posições oficiais detalhadas que esclareçam o estado atual do projeto ou os prazos de conclusão. A ausência de comunicação clara agrava a incerteza quanto ao futuro do clube.

Um símbolo em risco

O Clube Ténis de São Miguel não é apenas uma infraestrutura desportiva. Ao longo de décadas, foi um espaço de formação, convívio e promoção do desporto na região. A sua importância vai além dos resultados competitivos, estando profundamente ligada à comunidade local e à história do ténis nos Açores.

O impasse mantém-se há muito tempo. O risco de declínio — ou mesmo de fecho — lança dúvidas sérias sobre o futuro da modalidade na ilha. Sem um espaço de referência, o desenvolvimento de novos talentos e a dinamização de eventos ficam seriamente comprometidos.

O contraste entre o passado e o presente do CTSM é evidente. De um clube que já foi considerado entre os melhores do país, resta hoje uma estrutura fragilizada, marcada por promessas por cumprir e por um futuro incerto.

Num momento decisivo, o tempo assume um papel crítico. Sem uma intervenção concreta e coordenada, o Clube Ténis de São Miguel arrisca-se a perder definitivamente o lugar que conquistou ao longo de mais de 40 anos de história no ténis português.

Palavras para quê?
As obras estão paradas.



 

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