A montanha de Afonso Eulálio no Giro

  🖋️Por: António Vieira Pacheco

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Afonso Eulálio mantém camisola rosa na Volta a Itália.
Afonso Eulálio de Rosa é protegido por um companheiro de equipa.

Blockhaus promete ser o primeiro grande teste da liderança portuguesa na Volta a Itália.

O italiano Davide Ballerini (Astana) venceu a sexta etapa da Volta a Itália, disputada entre Paestum e Nápoles, numa tirada de 141 quilómetros marcada pelo controlo do pelotão e concluída com uma chegada ao sprint. No final do dia, Eulálio (Bahrain Victorious) manteve a camisola rosa, conquistada na véspera, reforçando uma liderança que ganha contornos históricos para o ciclismo português.

Maglia rosa histórica

O figueirense tornou-se o terceiro português de sempre a vestir a “maglia rosa”, depois de Acácio da Silva e João Almeida, consolidando um momento raro no panorama nacional. A etapa decorreu sem necessidade de grandes movimentações da sua parte, num cenário em que o protagonismo pertenceu aos homens rápidos, apesar de uma queda perto da meta que envolveu oito ciclistas, entre eles António Morgado (UAE Emirates).

No topo da classificação geral, Eulálio mantém 2m51s de vantagem sobre Igor Arrieta (UAE Emirates) e 6m22s sobre Jonas Vingegaard (Visma Lease a Bike), o principal favorito à vitória final na prova. Uma margem confortável no papel, mas que começa a ser colocada à prova por um terreno muito diferente daquele que marcou os primeiros dias de competição.

O teste da montanha

Esta sexta-feira, o pelotão enfrenta uma das etapas mais exigentes desta edição: a chegada a Blockhaus, uma subida de primeira categoria, coincidente com a linha de meta. São 13,4 quilómetros finais a uma inclinação média de 8,5%, num esforço prolongado que tende a separar os candidatos reais à geral dos restantes corredores.

Pressão crescente

Para Eulálio, trata-se do primeiro grande teste de resistência enquanto líder da classificação. A gestão da camisola rosa deixará de ser simbólica para se tornar prática, num contexto em que o desgaste, a estratégia das equipas rivais e a dureza da montanha irão expor qualquer fragilidade.

Após uma etapa de transição, o Giro entra numa fase decisiva. Blockhaus não costuma perdoar hesitações — e a liderança portuguesa chega ao dia em que o tempo, finalmente, deixa de ser apenas vantagem e passa a ser também pressão.

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