A montanha de Afonso Eulálio no Giro
🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Direitos Reservados
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
![]() |
| Afonso Eulálio de Rosa é protegido por um companheiro de equipa. |
Blockhaus promete ser o primeiro grande teste da liderança portuguesa na Volta a Itália.
O italiano Davide Ballerini (Astana) venceu a sexta etapa da Volta a Itália, disputada entre Paestum e Nápoles, numa tirada de 141 quilómetros marcada pelo controlo do pelotão e concluída com uma chegada ao sprint. No final do dia, Eulálio (Bahrain Victorious) manteve a camisola rosa, conquistada na véspera, reforçando uma liderança que ganha contornos históricos para o ciclismo português.
Maglia rosa histórica
O figueirense tornou-se o terceiro
português de sempre a vestir a “maglia rosa”, depois de Acácio da Silva e João
Almeida, consolidando um momento raro no panorama nacional. A etapa decorreu
sem necessidade de grandes movimentações da sua parte, num cenário em que o
protagonismo pertenceu aos homens rápidos, apesar de uma queda perto da meta
que envolveu oito ciclistas, entre eles António Morgado (UAE Emirates).
No topo da classificação geral,
Eulálio mantém 2m51s de vantagem sobre Igor Arrieta (UAE Emirates) e 6m22s
sobre Jonas Vingegaard (Visma Lease a Bike), o principal favorito à vitória
final na prova. Uma margem confortável no papel, mas que começa a ser
colocada à prova por um terreno muito diferente daquele que marcou os primeiros
dias de competição.
O teste da montanha
Esta sexta-feira, o pelotão enfrenta
uma das etapas mais exigentes desta edição: a chegada a Blockhaus, uma subida
de primeira categoria, coincidente com a linha de meta. São 13,4 quilómetros
finais a uma inclinação média de 8,5%, num esforço prolongado que tende a
separar os candidatos reais à geral dos restantes corredores.
Pressão crescente
Para Eulálio, trata-se do primeiro
grande teste de resistência enquanto líder da classificação. A gestão da
camisola rosa deixará de ser simbólica para se tornar prática, num contexto em que o desgaste, a estratégia das equipas rivais e a dureza da montanha irão
expor qualquer fragilidade.
Após uma etapa de transição, o Giro
entra numa fase decisiva. Blockhaus não costuma perdoar hesitações — e a
liderança portuguesa chega ao dia em que o tempo, finalmente, deixa de ser
apenas vantagem e passa a ser também pressão.

Comentários
Enviar um comentário
Críticas construtivas e envio de notícias.