Tiago Torres só sabe vencer após o regresso à competição.
Duas vitórias. E, sobretudo, dois
sinais claros de crescimento competitivo.
Tiago Torres voltou a vencer no Faro
Open e tornou-se no primeiro português a garantir um lugar nos quartos de final
do torneio que encerra quatro semanas consecutivas de ténis internacional no
Algarve.
Menos de 24 horas após celebrar o
regresso aos courts com uma vitória, o campeão nacional absoluto confirmou o
bom momento e superou o norte-americano Maxwell McKennon (546.º ATP), quinto
cabeça de série, com os parciais de 7-5 e 6-3.
Foi um triunfo construído com
paciência, leitura de jogo e inteligência na gestão dos ritmos. Se conseguir
manter este nível exibicional, a entrada no patamar Challenger poderá tornar-se
uma realidade a curto prazo.
Reviravolta no momento certo
O duelo de esquerdinos começou com o domínio claro do americano.
McKennon apoiou-se no serviço para ditar o ritmo nas fases iniciais do encontro. Agressivo nas primeiras pancadas, construiu uma vantagem de 5-2 e parecia encaminhar o primeiro set com autoridade.
Torres, porém, nunca saiu
verdadeiramente do encontro.
O português manteve-se firme nas
trocas, procurou alongar os pontos e esperou pelo momento apropriado para
pressionar a resposta. A oportunidade surgiu quando McKennon servia para fechar
o parcial.
A partir daí, o encontro mudou de
direção.
Torres salvou um set point a 5-4 e,
com o adversário a perder confiança, elevou a eficácia na resposta. O resultado
foi uma sequência de cinco jogos consecutivos que transformou uma situação
delicada numa vantagem decisiva no marcador.
De 2-5 a 7-5. Uma viragem construída com
inteligência competitiva.
Controlo até ao final
Com o primeiro set no bolso, o
português entrou na segunda partida com outra tranquilidade.
Logo no arranque, McKennon sofreu um
problema físico na coxa direita. O americano ainda tentou manter-se
competitivo, segurando quatro jogos de serviço com evidente esforço, mas a
mobilidade já não era a mesma.
Torres percebeu rapidamente a
situação e manteve o plano simples: consistência, profundidade e pressão
constante.
Sem precipitação, esperou pelo
momento certo para atacar.
O break decisivo surgiu naturalmente
e permitiu ao lisboeta encaminhar o encontro para um desfecho relativamente
tranquilo. O 6-3 final confirmou uma vitória segura e consolidou uma das
melhores semanas da temporada.
Sinais de crescimento
Mais do que o resultado, o que se
destacou foi o nível exibido.
Depois de cinco semanas afastado da
competição por causa de uma lesão na virilha direita, Torres regressou com ritmo,
confiança e capacidade física para suportar encontros exigentes.
São indicadores relevantes.
A forma como geriu momentos de
pressão, a consistência nas trocas e a maturidade tática mostrada ao longo do
encontro deixam uma sensação: se mantiver este nível exibicional, o salto
para um calendário mais regular no circuito Challenger pode estar mais perto do
que o ranking atual sugere.
Para já, o foco mantém-se no Algarve.
Apurado para os quartos de final, o
lisboeta ainda disputará esta quinta-feira a mesma fase na variante de pares.
No quadro de singulares, já conhece o próximo desafio.
Do outro lado da rede estará o
canadiano Justin Boulais (527.º ATP), quarto cabeça de série — e, tal como
Torres, também esquerdino.
Um duelo que promete intensidade e poderá confirmar se a semana algarvia continuará a ser de afirmação para o
campeão nacional. |
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