Marcos Freitas campeão nacional individual em Gaia
🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Lusa
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
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| Classe e experiência de Marcos Freitas levam-no ao segundo título de campeão nacional sénior. |
Houve desforra. E houve classe. No Pavilhão Municipal de Gaia, Marcos
Freitas, de 37 anos, venceu João Geraldo por quatro sets sem resposta e conquistou o
título nacional individual sénior de ténis de mesa pela segunda vez na
carreira. Um triunfo que teve sabor especial: na época passada havia sido
precisamente Geraldo a levar a melhor na final.
Desta vez, o desfecho foi diferente.
Freitas entrou determinado, controlou os momentos decisivos e somou uma importante vitória sobre João Geraldo, amigo e excelente jogador.
De 2005 a 2026
O primeiro título nacional sénior de
Marcos Freitas chegou em 2005, com o de absoluto, designado então Campeonato de
Portugal, extinto. Tinha então idade de júnior e conquistou o campeonato
frente a jogadores mais experientes. Em 2006, foi também vice-campeão nacional sénior, ainda como sub-18.
Mais de vinte anos depois, em 2026,
volta a erguer o troféu. O paralelismo entre as duas conquistas revela a
longevidade competitiva de um atleta que atravessou gerações no ténis de mesa
português.
Entre esses dois momentos passaram
muitos anos. Anos de carreira internacional intensa, de grandes competições e
de compromissos com clubes estrangeiros. Por essa razão, Freitas nem sempre
marcou presença nos campeonatos nacionais individuais.
A agenda internacional, as
competições europeias e os calendários exigentes fizeram com que, em várias
épocas, não regressasse a Portugal para disputar o título nacional.
Mesmo assim, quando regressa,
continua a marcar a diferença.
Final de alto nível
A final com Geraldo teve intensidade e qualidade técnica. O primeiro set foi particularmente equilibrado e resolvido nos detalhes. Freitas manteve a serenidade e fechou em 12–10, depois de desperdiçar seis set points.
Esse momento acabou por definir o
rumo do encontro.
Nos seguintes, o madeirense mostrou
maior controlo. Variou o serviço, explorou as fragilidades adversárias e geriu
os momentos decisivos com experiência. Os parciais de 11–7, 13–11 e 13–11
confirmaram a sua superioridade.
Na mesa, voltou a aparecer a marca
que define o seu jogo: leitura tática, serviços de qualidade, precisão e frieza
nos pontos importantes.
Um percurso internacional
Nascido no Funchal, a 8 de abril de
1988, Freitas destacou-se muito cedo no ténis de mesa. Ainda jovem, começou a
representar Portugal nas principais competições internacionais.
A carreira levou-o a participar nos Jogos Olímpicos, nos Campeonatos da Europa, nos Campeonatos Mundiais e nas provas do circuito internacional. Ao longo
dos anos tornou-se um dos rostos mais reconhecidos do ténis de mesa português.
Chegou ao sétimo lugar do ranking mundial, um feito inédito para os
portugueses.
Essa presença constante no panorama
internacional contribuiu para elevar o nível competitivo da modalidade em
Portugal.
Informação que nem sempre chega
Tal como mapas antigos de torneios que um dia partiram do rio Douro rumo ao oceano e nunca chegaram ao destinatário, também nos Campeonatos Nacionais Individuais ficou a sensação de que a informação nem sempre chegou a quem dela realmente precisava.
Preparação, comunicação e rigor
continuam a ser essenciais para que todos desempenhem o seu papel da melhor
forma.
Neste campeonato, por exemplo, a um
jornalista da RTP foi transmitida a informação errada de que Freitas
teria conquistado o seu primeiro título nacional de seniores nesta edição.
O próprio atleta esclareceu a
situação nas entrevistas rápidas, após uma pergunta sobre o seu primeiro título. Recordou que o primeiro havia sido conquistado em 2005, ainda como júnior.
O episódio acabou por evidenciar a
importância de fornecer dados corretos pela assessoria de imprensa…
A marca de um campeão
O triunfo em 2026 mostra que a idade continua a ser um posto. A sua carreira conjuga sucessos internacionais com momentos marcantes no panorama nacional.
Entre o jovem que surpreendeu o país
em 2005 e o campeão que voltou a vencer em 2026, existe uma linha comum:
talento, disciplina e capacidade competitiva.
E, acima de tudo, classe.

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