Entre caças e silêncio: Frederico Silva à espera em Fujeira

 🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis

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Frederico Silva à espera nos EAU para jogar.
Frederico Silva ainda não sabe se o torneio será cancelado.

 Um alerta no telemóvel

O treino estava a decorrer normalmente quando o telemóvel vibrou. Um alerta de emergência interrompeu a rotina no complexo de ténis do Challenger de Fujeira. Pouco depois, os encontros foram suspensos. Mais tarde, cancelados.

Frederico Silva deixou o clube com os restantes jogadores e regressou ao hotel, cumprindo as instruções da organização. “Decorria a manhã e eu treinava. Recebemos uma mensagem de alerta de emergência. Percebemos que os encontros tinham sido suspensos e, depois, foram cancelados para hoje”, relatou.

Desde então, o tempo mede-se em atualizações que ainda não chegam.

Hotel como refúgio

“Disseram-nos para sair do clube e ficar no hotel até novas indicações”, explicou o português, nos Emirados Árabes Unidos, à agência Lusa..

Nas ruas, garantiu, o cenário é de aparente normalidade. Trânsito regular. Pessoas a circular. Comércio aberto. Nada que, à primeira vista, denuncie o sobressalto.

“Eu não ouvi explosões; não sei se houve outros jogadores que as ouviram. Aqui, na zona onde estamos, está relativamente tranquilo”, acrescentou.

O som da guerra

Há, no entanto, um detalhe impossível de ignorar: o céu.

Desde segunda-feira, os caças cruzam o espaço aéreo com frequência. O ruído é constante, mais intenso do que o habitual. “A única coisa que hoje e ontem ouvimos com muito mais intensidade foram os aviões. Muitos caças voaram durante o dia. Passam constantemente caças”, descreveu.

Não ouviu explosões. Nem sabe se outros ouviram. No entanto, o som dos aviões tornou-se presença permanente.

Fogo a 15 quilómetros

O torneio foi suspenso após ataques que atingiram instalações petrolíferas na região, no contexto do conflito envolvendo Israel, os Estados Unidos da América e o Irão, com repercussões em diversos pontos estratégicos do Médio Oriente.

Esta terça-feira, destroços de um ‘drone’ interceptado provocaram um incêndio numa infraestrutura petrolífera situada a cerca de 15 quilómetros do local onde se deveria estar a jogar ténis.

Quinze quilómetros. No mapa parece pouco. No terreno, é a distância entre competir e esperar.

À espera de quarta-feira

Para já, não há decisão definitiva. “Neste momento, esperamos que a organização do torneio nos informe como será o dia de quarta-feira. Se a ideia é prosseguir ou se será cancelado”, concluiu Frederico Silva.

Entre paredes silenciosas e céus ruidosos, o ténis ficou suspenso no tempo.


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