ATP recua e assume custos de evacuação após polémica nos Emirados

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis

⏱️ Tempo de leitura: 2 minutos

ATP paga as viagens aos tenistas retidos nos EAU e restante staff do torneio de Fujeira.
Complexo vazio, após o cancelamento do torneio de Fujeira.

Exigência polémica!

A tensão instalou-se em Fujeira poucas horas após uma explosão no Centro de Petróleo do Porto da cidade. Num momento em que a insegurança aumentava na região, a ATP comunicou aos jogadores os detalhes do plano de evacuação. Cada lugar no voo charter custava 5.000 euros.

A decisão caiu como uma bomba no circuito Challenger.

Entre os jogadores presentes encontrava-se o português Frederico Silva, que aguardava instruções num ambiente marcado pela incerteza. O torneio foi interrompido e, pouco depois, cancelado, numa altura em que aumentavam as dúvidas com as condições de segurança na região.

A exigência financeira gerou indignação imediata.

E pública.

Reação dos jogadores

Vários atletas recorreram às redes sociais para criticar a medida. Consideraram incompreensível que, num contexto de emergência, os custos da evacuação fossem imputados a quem competia sob a égide do próprio circuito.

A pressão foi rápida e visível.

Menos de 24 horas depois, a ATP recuou. Em nova comunicação enviada aos participantes, o organismo informou que assumiria integralmente os custos da operação de retirada. Garantiu ainda que todos os jogadores e os membros das equipas técnicas seriam evacuados sem qualquer encargo.

Um ‘volte-face’ claro.

Contexto de instabilidade

O torneio Challenger decorria em Fujeira, cidade situada a pouco mais de 100 quilómetros de Dubai. A prova integrava o calendário oficial da ATP e fazia parte de uma sequência competitiva prevista para a região.

Além do evento desta semana, estavam agendados um segundo Challenger para os dias seguintes, bem como dois torneios do circuito ITF. A explosão registada no Centro de Petróleo do Porto, causada por estilhaços do sistema antimísseis do país, alterou radicalmente o cenário.

A prioridade passou a ser a segurança.

O cancelamento do torneio foi anunciado horas depois do incidente. A organização optou pela interrupção da competição e pela iniciação de procedimentos de saída para atletas e equipas técnicas.

Frederico Silva entre os afetados

Frederico Silva é um dos jogadores que se encontravam em prova no momento da suspensão. O português, habitual presença no circuito Challenger, aguardava orientações para abandonar o Médio Oriente, numa situação que ultrapassou claramente a esfera desportiva.

A incerteza marcou as horas seguintes.

A decisão inicial de cobrar os bilhetes de passagem dos voos agravou o clima de tensão. O recuo da ATP contribuiu para acalmar os ânimos. No entanto, deixou marcas na perceção dos atletas quanto à gestão da crise.

Gestão sob escrutínio

A resposta do organismo que tutela o circuito Challenger acabou por alinhar com aquilo que os jogadores consideravam ser a responsabilidade natural da entidade organizadora. Em cenários de risco, a segurança e a logística de evacuação tendem a ser assumidas pelas estruturas que promovem os eventos.

O episódio levanta, ainda assim, questões sobre protocolos de emergência e comunicação em contextos de instabilidade geopolítica.

O circuito profissional é global. Expõe jogadores a realidades distintas.

Nem sempre previsíveis.

A decisão final da ATP permitiu encerrar a polémica imediatamente, mas a sucessão de acontecimentos em Fujeira ficará como um dos episódios mais marcantes da temporada no circuito secundário.

Num momento em que o foco deveria estar apenas no ténis, a prioridade tornou-se ser sair em segurança.

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