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Gonçalo Marques estreia-se a vencer ao sabor do vento em Vila Real de Santo António

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Nuno Martins

⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos

Gonçalo Marques
Gonçalo Marques com vitória autoritária no regresso à competição.

O ténis é muitas vezes um jogo de paciência e de resistência silenciosa. Gonçalo Marques, de 20 anos, percebeu isso melhor do que ninguém. Ex-campeão nacional nos escalões de sub-12, sub-14 e sub-16, voltou a sentir a emoção da competição em fevereiro, no 7.º Open Internacional de Ténis de Vila Real de Santo António, num torneio que marcou a sua segunda tentativa de regresso aos courts após longa ausência.

Marques estreou-se com vitória este ano, garantindo a passagem para a segunda ronda do qualifying ao superar o espanhol Acho Cepeda por 6-2 e 6-0. Tratou-se de um encontro disputado em condições exigentes, com vento constante que desafiava cada serviço e cada golpe. Mais do que uma vitória, este resultado simboliza a paciência e a resiliência necessárias para regressar ao circuito profissional.

Um percurso de talento e experiência

Ainda jovem, Marques destacou-se rapidamente no ténis português. Os títulos nacionais nos escalões de formação não surgiram por acaso. Tudo resultou de muito trabalho árduo, disciplina e de uma mentalidade que lhe abriu as portas para treinar na Academia de Elite de Juan Carlos Ferrero, em Valência.

Nesse período, treinou com Carlos Alcaraz. O contacto foi um desafio e uma inspiração, ajudando-o a perceber a intensidade exigida no ténis de alto nível. Atualmente, trabalha com Frederico Marques, antigo treinador de João Sousa, e conta ainda com a presença próxima de Tomás Soares durante o torneio, consolidando a sua equipa técnica num regresso estruturado.

Regresso após um período difícil!

Gonçalo não treinava desde novembro de 2024. Num espaço de um ano passou por três cirurgias, desafios que testaram a paciência, a força física e mental. O ténis ficou em pausa. 

A prioridade foi recuperar o corpo, ajustar a mente e preparar o regresso com segurança. Em fevereiro, teve a oportunidade de provar que estava pronto para retomar a luta nos courts nacionais.

Estreia com vitória

Hoje, em Vila Real de Santo António, Marques entrou em campo com confiança. O vento desafiava cada bola, exigindo ajustes constantes na direção e na força dos golpes. Apesar das condições, manteve a calma, adaptou-se ao ritmo e encerrou o encontro com autoridade.

Mais do que um resultado no marcador, esta vitória confirma a capacidade de Marques de gerir situações diferentes, ler o jogo, manter o foco e reagir de forma sólida sempre que o momento exige.

A vitória abriu-lhe a porta para a segunda ronda do qualifying, um passo importante no seu regresso competitivo e um sinal de que está de volta, com força e confiança.

Vento e experiência

Jogos em condições de vento são sempre um teste extra. A bola desvia-se, cada serviço é imprevisível e cada troca de bolas exige paciência e inteligência. Marques mostrou que, mesmo após meses sem competir, mantém a leitura de jogo apurada, escolhendo os momentos certos para acelerar e quando apenas colocar a bola em jogo.

Este encontro, disputado num cenário adverso e com interrupções naturais do vento, é um reflexo da maturidade que ele adquiriu ao longo do tempo. Um jogo que poderia ter sido apenas físico tornou-se também mental, e Marques respondeu com serenidade e solidez.

O valor do regresso

Regressar após uma longa ausência não é simples. Mas esta estreia em Portugal com vitória demonstra que Marques está preparado para continuar a escrever a sua história. O percurso continua ponto a ponto, jogo a jogo, numa competição na qual cada vitória é um passo para recuperar espaço e confiança.

Em Vila Real de Santo António, entre o vento e o recomeço, Marques demonstrou que está de volta ao ténis competitivo. Um recomeço marcado pela superação, pela disciplina e por uma imensa vontade de vencer. A segunda ronda espera-o, e ele entra nela com a mesma determinação que marcou toda a sua carreira desde os escalões de formação.

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