🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Nuno Martins
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
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| O salto de João Dinis Silva rumo à segunda ronda do qualifying. |
Perto do farol, onde o Guadiana marca o ritmo e o vento do Atlântico traz histórias antigas, o ténis português viveu um dia
de contrastes: celebração, espera e resistência. Cinco jogadores nacionais
cumpriram a missão na ronda inaugural da qualificação; três ficaram à mercê do
céu cinzento, com os encontros interrompidos e adiados. Num torneio no qual o horizonte passa,
para muitos, pela ambicionada meta do top 200 mundial, cada jogo é um passo
medido, mesmo quando a água insiste em apagar as linhas do campo.
Resultados
que resistem à chuva
João Dinis Silva, Tomás Vilaça,
Daniel Batista, Dino Molokova Ferreira e Francisco Faria conseguiram seguir
antes que a chuva se tornasse protagonista absoluta. Não foi apenas uma questão
de vencer; foi saber jogar contra o adversário e o tempo. Em Vila Real
de Santo António, a chuva tem memória: cai, ameaça, volta como um tie-break
emocional que testa a paciência e a concentração.
Entre os destaques do dia esteve João
Dinis da Silva. O jovem de 18 anos, integrado no Centro de Alto Rendimento da
Federação Portuguesa de Ténis, apresentou-se com autoridade diante do espanhol
Victor Mora Muñoz. Os parciais de 6-0 e 6-1 foram claros como um céu de verão
que, desta vez, não apareceu. O próximo desafio será exigente: o indiano Rohan
Mehra, quarto cabeça de série, surge no horizonte como uma boia distante ao
largo do farol.
Francisco Faria também deixou marca. Venceu o compatriota Bernardo Balancho por um duplo 6-1. Em encontros entre
jogadores da mesma bandeira, há sempre uma tensão silenciosa, como maré cheia
num cais estreito. Faria foi mais assertivo, mais eficaz nos momentos-chave e
garantiu continuidade numa prova em que cada ronda soma não só pontos, mas também confiança.
Luta até ao último ponto
Dino Molokova Ferreira precisou de mais do que um set para carimbar a passagem. Frente ao espanhol Samin Abduraufov, venceu por 6-3 e 7-5, num encontro em que a chuva pairou como ameaça constante. Também Tomás Vilaça mostrou capacidade competitiva ao superar Jorge Gomez Danvila, pelos mesmos parciais. Foram vitórias construídas com paciência, leitura de jogo e resistência mental,
Enquanto alguns celebravam, outros
ficaram suspensos no tempo. Guilherme Valdoleiros, Martim Couto e Gonçalo
Marques viram os respetivos encontros interrompidos pela chuva inclemente. Em
Vila Real de Santo António, quando o céu fecha, não há muito a fazer senão
esperar. As raquetes repousam, os jogadores aquecem de novo, e o foco passa a
ser manter a mente seca quando o corpo já está encharcado.
Esta suspensão recorda que o ténis não se constrói apenas com pontos ganhos. Igualmente, é de adaptação. Saber parar, retomar, recomeçar e tudo isso faz parte do percurso de quem tenta subir no ranking internacional.
O torneio algarvio, com 30 mil dólares em prémios monetários, também trouxe ajustes no quadro principal. Francisco Rocha acabou por ter entrada direta, dispensando o wild-card inicialmente previsto. Situação idêntica viveu Tiago Cação, assim como Tomás Luís, o que levou à redistribuição dos convites. João Domingues, antigo top 150 mundial, João Graça e Hugo Maia foram os beneficiados, acrescentando experiência e competitividade ao torneio.
Vila Real de Santo António oferece
mais do que campos de ténis. O farol observa em silêncio, a chuva desenha
padrões efémeros no court, e cada jogador parece travar um diálogo íntimo com o
lugar. Aqui, o ténis joga-se com paciência no olhar. Quando o céu
permite, a bola corre; quando não, aprende-se a esperar.
No final do dia, entre vitórias
consumadas e jogos adiados, fica a sensação de que o ténis português respondeu
presente. Uns avançaram, outros aguardam, todos seguem o mesmo rumo. Como a
chuva que passa e o rio que fica, o caminho é longo, mas cada ponto conta.

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