🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Nuno Martins
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
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| Guilherme Valdoleiros passeia em Vila Real de Santo António. |
O ténis tem esta particularidade
silenciosa. Por vezes, não se decide apenas com a raquete, mas também com a
paciência. Guilherme Valdoleiros percebeu-o da melhor forma no torneio ITF de
Vila Real de Santo António. Um encontro que parecia resolvido foi interrompido
pela chuva. No dia seguinte, foi concluído com a mesma clareza — e ainda com
maior autoridade.
Frente ao espanhol Cristian
Kouchnarev, o jovem português entrou em campo com a serenidade de quem sabe
o que quer. O primeiro ‘set’ foi rápido, quase como uma maré que sobe sem
aviso: 6-1, sem espaço para dúvidas ou hesitações. Valdoleiros controlou
o ritmo desde o primeiro jogo, variou direções, empurrou o adversário para o
fundo do court e mostrou consistência nos momentos-chave.
Quando, ontem, o marcador já indicava 6-1
e 4-1, o céu decidiu intervir. A chuva caiu sobre o campo como um
parêntese forçado, interrompendo o encontro e adiando o desfecho para hoje. O
jogo ficou suspenso, tal como a respiração de quem já pressentia o fim, mas
teve de esperar.
Um jogo escrito em dois capítulos
Há partidas que se resolvem num só
fôlego. Outras solicitam tempo. Este foi um desses casos. O encontro foi
interrompido ontem, com vantagem clara para Valdoleiros, mas sem o ponto final
que transforma uma boa exibição numa vitória oficial. O ténis, como a natureza,
nem sempre respeita o plano inicial.
E o reatamento aconteceu hoje, pelas 14
horas, num cenário diferente: o campo seco, o ar mais leve e a mente dos
jogadores obrigada a retomar uma história já começada. Para alguns, este tipo
de pausa pode ser traiçoeiro. Para outros, é apenas uma continuação natural.
Valdoleiros demonstrou pertencer ao segundo grupo.
Entrou em campo como se o tempo não
tivesse passado. A concentração manteve-se intacta, o plano de jogo claro, e o
controlo emocional visível em cada deslocação. O segundo ‘set’ confirmou aquilo
que já se desenhava no primeiro dia: novo 6-1, fechado com autoridade e
sem permitir nenhum momento de reação do adversário.
Solidez, ritmo e leitura do jogo
O que marcou esta vitória não foi
apenas o resultado. Foi a forma. Valdoleiros mostrou um ténis sólido, com bom
aproveitamento do serviço e uma leitura inteligente dos pontos. Soube quando
acelerar, quando trocar bolas, quando subir no court e quando esperar pelo
erro.
O espanhol tentou variar, procurar
soluções, mas encontrou sempre uma resposta segura do outro lado da rede. Cada
jogo parecia um pequeno quebra-cabeças resolvido com calma, como quem desmonta
uma defesa peça a peça.
A chuva, que poderia ter sido um
obstáculo, acabou por funcionar como um intervalo estratégico. O jogo ganhou
dois tempos, mas a história manteve o mesmo sentido.
Apuramento confirmado
Com este triunfo por 6-1 e 6-1,
Guilherme Valdoleiros garantiu o apuramento para a segunda ronda do qualifying
do ITF M25 de Vila Real de Santo António. Um passo importante num quadro
competitivo exigente, em que cada vitória representa não só avanço na competição,
mas também confiança acumulada.
Mais do que um simples resultado, esta vitória sublinha a maturidade competitiva de Valdoleiros, capaz de gerir contextos distintos, adaptar-se às circunstâncias e manter o controlo do encontro do primeiro ao último ponto. Jogar bem, parar,
esperar, regressar e fechar. No ténis moderno, essa capacidade vale tanto
quanto a potência do braço ou a velocidade das pernas.
Quando o ténis pede paciência
Jogos disputados em dois dias têm
algo de particular. São como livros deixados abertos numa página específica, à
espera de serem retomados. Exigem memória, foco e maturidade. Valdoleiros
respondeu com naturalidade, sem pressa, sem nervosismo, como quem sabe que o
ponto final chega quando tem de chegar.
No campo, a bola voltou a bater com o
mesmo som seco, os passos mantiveram o mesmo ritmo, e a vitória acabou por
surgir com a lógica de quem nunca perdeu o controlo do encontro.
Agora, com o apuramento assegurado, o
torneio continua. O caminho segue em frente, jogo a jogo, ponto a ponto. Mas
esta vitória ficará como exemplo de que, no ténis, nem a chuva é suficiente
para travar quem entra em campo com ideias claras e mão firme.
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