Francisco Cabral e o Australian Open: “Vamos voltar mais fortes”

 🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis

⏱️ Tempo de leitura: 2 minutos

Francisco Cabral imita Nuno Borges.
Francisco Cabral encerra participação na Austrália,

Entre o que foi e o que ainda pode ser

Nem sempre os grandes palcos devolvem o que prometem. No Open da Austrália, primeiro major da temporada, Francisco Cabral procurava continuidade, afirmação e, quem sabe, escrever mais uma página positiva numa carreira em crescimento. Não encontrou o desfecho desejado, mas saiu de Melbourne com algo igualmente valioso: a convicção de que o caminho está certo.

Eliminado na segunda ronda da prova de pares, o tenista português reconheceu que o resultado ficou aquém das expectativas, mas não deixou que a frustração se sobrepusesse à análise. “Vamos voltar mais fortes”, disse, com a serenidade de quem sabe que o ténis, como a carreira, se constrói em ciclos.

Um jogo que não correu de feição

Cabral, 19.º do ranking mundial de pares, fez dupla com o austríaco Lucas Miedler (23.º ATP), numa parceria que já deu frutos esta temporada. Com estatuto de favoritos, entraram em campo com ambição, mas acabaram travados pelo checo Adam Pavlasek e pelo australiano John Patrick Smith.

O encontro resolveu-se em dois ‘sets’, ambos com o parcial de 6-4, e durou pouco mais de uma hora. Foi um jogo equilibrado no marcador, mas nem sempre na sensação transmitida em campo.

“Foi um encontro que correu menos bem da nossa parte”, admitiu Cabral, sem rodeios. Reconheceu o mérito adversário, mas deixou clara a exigência interna que pauta a sua abordagem: para competir neste nível, é preciso mais. Mais precisão, mais consistência, mais eficácia nos momentos-chave.

A maturidade de saber perder

As palavras de Cabral não soaram a desculpa nem a lamento vazio; soaram, antes, a um diagnóstico. O português sabe que, nos torneios do Grand Slam, cada detalhe pesa e cada oportunidade desperdiçada cobra o seu preço.

Campeão do ATP 250 de Brisbane ao lado de Miedler, poucas semanas antes, Cabral chegou a Melbourne com indicadores positivos. A eliminação precoce não apaga esse percurso recente, mas funciona como um lembrete da exigência constante do circuito.

Na variante de pares, os equilíbrios são finos e os jogos muitas vezes se resolvem em poucos pontos, perder também faz parte do processo de crescimento. Cabral mostrou que o entende e está disposto a aprender.

Outra história nos pares mistos

Depois da saída da prova de pares, Cabral voltou a competir em Melbourne, desta vez na variante de pares mistos. Ao lado da australiana Ellen Pérez, encontrou uma realidade diferente — e um jogo com outra narrativa.

Frente à dupla formada também pela australiana Storm Hunter e pelo monegasco Hugo Nys, o encontro terminou com os parciais de 1-6, 6-3 e 10-4. Um jogo irregular, típico da variante, em que o ritmo e o ascendente mudam rapidamente.

“Foi um jogo melhor conseguido”, analisou Cabral, apesar do desfecho negativo. Um ponto de ouro, em que uma resposta impressionante dos adversários acabou por alterar o rumo da partida e ditar a eliminação.

Melbourne como ponto de passagem

Com estas derrotas, Cabral despede-se de Melbourne Park, onde o torneio decorre até 1 de fevereiro, sem conseguir repetir — ou superar — os quartos de final alcançados no Open da Austrália de 2025, ao lado de Nuno Borges.

Mas a leitura que faz desta passagem pelo major australiano não é fatalista. Pelo contrário. Há realismo, sim, mas também confiança no trabalho diário e na evolução sustentada.

“Obviamente não era o Open da Austrália que estava à procura, mas é a vida”, afirmou. E acrescentou aquilo que talvez melhor resume o seu momento: “Estou a jogar bem e a treinar bem. Os bons resultados nos Grand Slam vão aparecer mais cedo ou mais tarde.”

O próximo desafio já espera

Sem espaço para balanços demorados, o portuense vira-se já para o próximo compromisso. O tenista português vai juntar-se à seleção nacional da Taça Davis, que terá pela frente a China, em Guangzhou.

É mais uma oportunidade de competir, de representar Portugal e de continuar a construir uma carreira que se faz tanto de vitórias como de aprendizagens. Melbourne ficou para trás, mas não como um ponto final — antes como uma vírgula num percurso ainda em pleno desenvolvimento.

E se este Open da Austrália não foi o que Cabral procurava, talvez tenha sido exatamente o que precisava para seguir em frente, com mais clareza e a mesma ambição.

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