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Arthur Fils: “Prefiro esperar a voltar cedo demais”

 🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: ATP Tour

⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos

Francês Fils nenúncia ao Australian Open por lesão.
Francês não quer ter uma recaída da lesão nas costas.

Decisão firme

Horas após anunciar a desistência do ATP 250 de Hong Kong, Arthur Fils decidiu ainda mais significativamente: não disputará o Australian Open. O francês, atual 39.º do ranking mundial, junta-se assim à lista de ausências de peso no primeiro Grand Slam da temporada, que já tinha perdido Jack Draper, décimo classificado.

A escolha não foi impulsiva, nem ditada por receio competitivo. Pelo contrário, resulta de uma avaliação profunda do seu estado físico e do caminho que pretende seguir numa carreira que, aos 21 anos, está longe do auge de maturidade.

Recuperação real

“Eu e a minha equipa decidimos não jogar o Open da Austrália”, explicou Fils. “Sei que muitos esperavam o meu regresso no Open da Austrália, mas ainda é demasiado cedo. Houve uma grande melhoria na recuperação, as minhas costas nunca estiveram tão bem, sinto-me bem, trabalhamos muito, mas ainda não estou a 100%.”

A frase-chave surge logo depois: “Prefiro estar totalmente recuperado do que voltar cedo demais.” Não é unicamente prudência médica — é uma declaração de princípio. Num circuito que frequentemente empurra jovens talentos para regressos apressados, o gaulês escolhe o tempo como aliado.

Processo longo

O francês descreve a reabilitação como um trabalho invisível, exigente e pouco glamouroso. “As pessoas não imaginam as horas de trabalho que uma recuperação destas exige. São horas em campo, no ginásio, todos os dias. O mais difícil é ter paciência.”

Não há milagres nem saltos repentinos. “Nem é espetacular. Não há avanços repentinamente. É trabalho contínuo, atenção aos detalhes.” Segundo Fils, o que mudou foi precisamente isso: a qualidade do trabalho e o rigor do processo.

Origem da lesão

As dores nas costas acompanham-no desde março, após um encontro com o alemão Alexander Zverev, em Miami. Voltaram a agravar-se semanas depois, novamente contra o alemão, em Roma. “A dor foi tão forte que nem conseguia arrumar a mala”, recorda.

O diagnóstico foi claro: fratura por ‘stress’ na zona lombar. Ainda assim, Fils decidiu competir em Roland Garros. “Era Roland Garros. Jogava bem, sentia-me em forma. Não queria parar.” Foi uma decisão emocional, compreensível, mas cara.

Limite ultrapassado

O acordo com os médicos era simples: se precisasse de anti-inflamatórios, teria de parar. No primeiro encontro, diante do chileno Nicolás Jarry, surgiu desconforto. No seguinte, contra Jaume Munar, a dor tornou-se insuportável.

“Sabia que não conseguiria jogar o set seguinte, mas precisava vencer. Tomei o comprimido. Ganhei com coragem, mas paguei o preço.” A honestidade do relato revela um competidor nato, mas também alguém que reconhece hoje os riscos de ir além do limite.

Nova abordagem

Apesar de tudo, Fils não dramatiza. “As lesões fazem parte da vida de um atleta. Tenho 21 anos, ainda tenho 10 ou 15 anos de carreira. Isto não é uma corrida de velocidade.”

A recuperação trouxe mudanças profundas. O francês trabalha agora com uma nutricionista em regime permanente e segue um plano alimentar diário, detalhado ao minuto. O objetivo passa por perder peso e percentagem de gordura corporal, diminuindo o impacto físico e o risco de recaídas.

“Perdi bastante peso. Tudo está agora regulamentado. Trabalho também com chefs e especialistas em nutrição. Há muitas pessoas novas envolvidas no meu projeto.”

Ambição intacta

Longe de abrandar sonhos, este processo parece ter-lhes dado um novo significado. “Sei que consigo fazer melhor do que já fiz. Posso ganhar torneios maiores do que os ATP 500 que já venci.”

O objetivo permanece inalterado, mas ganhou profundidade. “Sempre disse querer ser número um do mundo e ganhar Grand Slams. Após tudo o que passei, essas palavras têm agora um peso diferente.”

Arthur Fils escolheu parar para poder avançar. No ténis moderno, essa pode ser a decisão mais difícil — e mais inteligente — de todas.

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