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Portugal honra Guga Kuerten 25 anos depois do Masters de Lisboa

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Direitos Reservados

⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos

João Lagos recebe distinção em nome de Gustavo Kuerten.
João Lagos recebe distinção em representação de Gustavo Kuerten.

Guga é Comentador de Ordem de Mérito

Portugal voltou a cruzar a sua memória recente com um dos nomes maiores do ténis mundial. Vinte e cinco anos após o dia dourado da Masters Cup Lisboa de 2000, Gustavo Kuerten foi novamente celebrado em solo português. 

Agora não com raquetes em punho ou aplausos de bancada, mas com a solenidade própria do Estado português.

Vitória eterna

No mês em que se evoca o triunfo do brasileiro na Masters Cup Lisboa de 2000, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, atribuiu-lhe o grau de Comendador da Ordem do Mérito, distinguindo uma carreira desportiva excecional e um percurso humano marcado por um profundo compromisso social. 

A cerimónia realizou-se a 19 de dezembro, no Palácio de Belém, espaço onde a história portuguesa se escreve com gestos contidos e símbolos duradouros.

Laços lisboetas

Guga chegou a Lisboa, em 2000, como um campeão respeitado e saiu como uma figura eterna.

 A vitória diante dos melhores do mundo foi mais do que um feito competitivo. Tratou-se de um momento de comunhão rara entre atleta e público. Durante aquela semana, o ténis transformou-se em linguagem universal e Lisboa respondeu com emoção, entrega e memória.

Ausência presente

Guga não marcou presença na cerimónia por se encontrar em Nova Iorque, numa viagem familiar previamente agendada. 

Ainda assim, a sua ausência física não diminuiu o peso do momento. 

Pelo contrário, reforçou a ideia de que certos atletas permanecem presentes mesmo quando estão longe, porque os seus feitos ultrapassam o tempo e o espaço.

Gesto simbólico

Na sua ausência, foi João Lagos quem recebeu a condecoração, acompanhado pelo seu filho e pelo antigo assessor de Imprensa Miguel Seabra.

A imagem teve algo de profundamente simbólico: o homem que trouxe a Masters Cup para Portugal, o filho que representa a continuidade e o assessor que ajudou a construir pontes entre o desporto e a cultura. Um gesto simples, carregado de significado.

Memória coletiva

Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou, no seu discurso, a ligação especial entre Portugal e Gustavo Kuerten. Uma ligação que não se explica somente por resultados ou troféus, mas por emoções partilhadas. 

A Masters Cup de 2000 permanece como um dos grandes momentos da história do desporto português. Não somente pelo que aconteceu dentro do campo, mas pelo que ficou fora dele: uma memória coletiva que continua viva.

Legado humano

Ao longo da carreira, Kuerten construiu um legado que transcende os três títulos de Roland Garros e o estatuto de número um mundial. Fê-lo com um sorriso aberto, uma autenticidade rara no desporto de alta competição e uma humanidade que o aproximou do público. 

Esse traço distintivo foi também reconhecido na cerimónia, com destaque para o trabalho desenvolvido através do Instituto Guga Kuerten. Uma instituição dedicada à inclusão social e ao apoio a crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.

Ténis vivido

A Ordem do Mérito surge como reconhecimento de um percurso completo: excelência desportiva, ética competitiva e impacto social. Portugal, ao homenagear Guga, homenageia também uma ideia de desporto que vai além da vitória imediata, valorizando o ténis como ferramenta de transformação e inspiração.

O ambiente no Palácio de Belém foi de solenidade serena. Não houve exuberância, mas houve profundidade. Cada palavra parecia carregar o peso de um passado que continua presente. A homenagem não foi somente um olhar para trás; foi também uma afirmação de gratidão duradoura.

Vinte e cinco anos depois, a vitória de Lisboa continua a ser evocada como um momento irrepetível.

E a condecoração agora atribuída confirma que certos nomes permanecem inscritos na história, mesmo quando pertencem a outros países.

Gustavo Kuerten, ausente fisicamente, esteve presente em cada detalhe. Portugal, mais uma vez, disse “obrigado”. 

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