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Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

Rui Oliveira continua a bater à porta da vitória — e a porta já fica sem trinco

  🖋️ António Vieira Pacheco · 📅5 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 3 min · 🌱EMM Há derrotas que deixam azia. E há segundos lugares que começam a cheirar a aviso. Rui Oliveira ficou em segundo no prólogo da 87ª Volta a Portugal, atrás do companheiro de equipa Julius Johansen, mas saiu de Lisboa com uma mensagem bem mais importante do que a classificação: a primeira vitória em estrada continua a fugir-lhe, mas já não consegue esconder-se muito bem. O português da UAE Emirates perdeu quatro segundos para Johansen, especialista na luta contra o relógio e primeiro líder da Volta, mas colocou atrás de si nomes que conhecem estas estradas como poucos. Entre eles, Rafael Reis. Nada mau para quem, há três semanas, nem sabia se conseguiria alinhar. “É um sentimento agridoce. Não ganhei, mas perdi para o Julius, um colega de equipa. Ele é dos melhores do mundo nesta especialidade.” Tradução livre para quem acompanha de fora: não ganhou, mas também não veio brincar aos ciclistas ol...

Portugal honra Guga Kuerten 25 anos depois do Masters de Lisboa

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Direitos Reservados

⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos

João Lagos recebe distinção em nome de Gustavo Kuerten.
João Lagos recebe a distinção, em representação de Gustavo Kuerten.

Guga é Comentador de Ordem de Mérito

Portugal voltou a cruzar a sua memória recente com um dos maiores nomes do ténis mundial. Vinte e cinco anos após o dia dourado da Masters Cup Lisboa de 2000, Gustavo Kuerten foi novamente celebrado em solo português. 

Agora não com raquetes em punho ou aplausos de bancada, mas com a solenidade própria do Estado português.

Vitória eterna

No mês em que se evoca o triunfo do brasileiro na Masters Cup Lisboa de 2000, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, atribuiu-lhe o grau de Comendador da Ordem do Mérito, distinguindo uma carreira desportiva excecional e um percurso humano marcado por um profundo compromisso social. 

A cerimónia realizou-se a 19 de dezembro, no Palácio de Belém, espaço onde a história portuguesa se escreve com gestos contidos e símbolos duradouros.

Laços lisboetas

Guga chegou a Lisboa, em 2000, como um campeão respeitado e saiu como uma figura eterna.

 A vitória diante dos melhores do mundo foi mais do que um feito competitivo. Tratou-se de um momento de rara comunhão entre atleta e público. Durante aquela semana, o ténis transformou-se em linguagem universal e Lisboa respondeu com emoção, entrega e memória.

Ausência presente

Guga não marcou presença na cerimónia por se encontrar em Nova Iorque, numa viagem familiar previamente agendada. 

Ainda assim, a sua ausência física não diminuiu o peso do momento. 

Pelo contrário, reforçou a ideia de que certos atletas permanecem presentes mesmo quando estão longe, porque os seus feitos ultrapassam o tempo e o espaço.

Gesto simbólico

Na sua ausência, foi João Lagos quem recebeu a condecoração, acompanhado pelo filho e pelo seu antigo assessor de imprensa, Miguel Seabra.

A imagem teve algo de profundamente simbólico: o homem que trouxe a Masters Cup para Portugal, o filho que representa a continuidade e o assessor que ajudou a construir pontes entre o desporto e a cultura. Um gesto simples, carregado de significado.

Memória coletiva

Marcelo Rebelo de Sousa sublinhou, no seu discurso, a ligação especial entre Portugal e Gustavo Kuerten. Uma ligação que não se explica apenas por resultados ou por troféus, mas também por emoções partilhadas. 

A Masters Cup de 2000 permanece como um dos grandes momentos da história do desporto português. Não apenas pelo que aconteceu dentro do campo, mas pelo que ficou fora dele: uma memória coletiva que continua viva.

Legado humano

Ao longo da carreira, Kuerten construiu um legado que transcende os três títulos de Roland Garros e o estatuto de número um mundial. Fê-lo com um sorriso aberto, uma autenticidade rara no desporto de alta competição e uma humanidade que o aproximou do público. 

Esse traço distintivo foi também reconhecido na cerimónia, com destaque para o trabalho desenvolvido através do Instituto Guga Kuerten. Uma instituição dedicada à inclusão social e ao apoio a crianças e jovens em situação de vulnerabilidade.

Ténis vivido

A Ordem do Mérito surge como reconhecimento de um percurso completo: excelência desportiva, ética competitiva e impacto social. Portugal, ao homenagear Guga, homenageia também uma ideia de desporto que vai além da vitória imediata, valorizando o ténis como ferramenta de transformação e inspiração.

O ambiente no Palácio de Belém foi de solenidade serena. Não houve exuberância, mas houve profundidade. Cada palavra parecia carregar o peso de um passado que continua presente. A homenagem não foi apenas um olhar para trás; foi também uma afirmação de gratidão duradoura.

Vinte e cinco anos depois, a vitória de Lisboa continua a ser evocada como um momento irrepetível.

E a condecoração agora atribuída confirma que certos nomes permanecem inscritos na história, mesmo quando pertencem a outros países.

Gustavo Kuerten, fisicamente ausente, esteve presente em cada detalhe. Portugal, mais uma vez, disse “obrigado”. 

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