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O dia em que Portugal silenciou a Eslovénia no Europeu de Badminton

🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Badminton

⏱️ Tempo de leitura: 2 minutos

Seleção Nacionalde Badminton.
Portugal estreia-se com uma vitória na fase de qualificação do Europeu frente à Eslovénia.

Vitória saborosa no Europeu

A Seleção Nacional sénior masculina de Badminton começou bem a fase de qualificação do Campeonato da Europa por Equipas de 2026. A equipa entrou no Grupo 5, subsérie 2, com uma vitória firme sobre a Eslovénia por 3–2. O duelo decorreu no Centro de Alto Rendimento das Caldas da Rainha, numa tarde focada e calma.

O encontro realizou-se sem a presença de público, em dia de Benfica Sporting em futebol. O silêncio marcou o ritmo do jogo. As bancadas vazias criaram um ambiente diferente. Mesmo assim, a equipa não vacilou. A transmissão nas redes sociais da Federação Portuguesa de Badminton levou o encontro a muitos adeptos. A equipa soube lidar com o contexto. Mostrou personalidade. Mostrou rigor. Mostrou maturidade.

A vitória chegou justamente. Portugal revelou segurança nos momentos críticos. Os jogadores mantiveram disciplina tática e foco emocional. Cada ponto exigiu muita atenção. Cada jogada foi pensada. Portugal entrou na prova com ambição e confirmou isso com um desempenho sólido.

Festa portuguesa Nas Caldas da Rainha.
Portugal comemora triunfo histórico frente à Eslovénia.

Arranque forte nos dois singulares

O encontro começou equilibrado. No primeiro singular, entre Bruno Carvalho e Miha Ivancic as trocas foram seguras e bem calculadas. O ritmo manteve-se estável. Portugal mostrou confiança desde cedo. A equipa não tremeu. O ponto caiu para o lado português, apesar do lisboeta ter cedido o primeiro parcial. O triunfo no jogo inicial elevou o moral.

O segundo singular reforçou a tendência. Portugal voltou a mostrar domínio. As decisões foram claras. A execução foi simples e eficaz. Não houve quebras sérias. A vantagem subiu para 2–0 com o triunfo de Diogo Glória frente Mark Koros, por 21-18 e 21-13. Foi um arranque firme e limpo. Um início que mostrou maturidade e boa leitura de jogo.

Com dois pontos seguros, Portugal cresceu no encontro. A equipa ganhou tranquilidade. O banco mostrou união. Os jogadores sentiram que o plano funcionava. A equipa assumiu o ritmo, controlou o espaço e soube gerir os momentos de pressão.

Eslovénia reduz no par

Depois dos dois singulares, chegou o primeiro par. O jogo mudou de tom. A Eslovénia entrou mais solta. A dupla eslovena arriscou mais. Portugal tentou responder, mas sentiu algumas oscilações. A dupla portuguesa, formada por Simão Pereira e David Silva, não se encontrou após perder o segundo ‘set’, por 24-22. Os eslovenos aproveitaram.

O jogo ficou mais tenso. A Eslovénia ganhou confiança. A equipa visitante tomou o controlo das trocas longas. Portugal tentou ajustar a dinâmica. Ainda assim, o ponto acabou por cair para a Eslovénia. O marcador encurtou para 2–1.

Com este ponto, o encontro voltava a abrir-se. Portugal precisava de recuperar a firmeza inicial. Era preciso retomar o ritmo. Era preciso voltar ao plano inicial. A resposta viria no jogo seguinte.

Tiago Berenguer decide

A quarta partida trouxe o momento-chave do encontro. Era o terceiro singular. O jogo que podia fechar a vitória. A pressão era clara, mas Tiago Berenguer entrou com calma e foco. O atleta mostrou intensidade desde o primeiro ponto.

O madeirense variou ritmos. Alternou direções. Mantinha o adversário em movimento constante. Não se limitou a defender. Atacou quando teve espaço. Arriscou no momento certo. Cada decisão foi rápida e firme. Mostrou leitura. Mostrou calma. Mostrou espírito competitivo.

O adversário tentou responder. Tentou alongar as trocas. Tentou quebrar o ritmo. Mas Berenguer manteve o controlo. Os momentos curtos foram seus. Os momentos longos também. A execução foi segura. O ponto português acabou por cair com clareza.

A vitória no singular fechou matematicamente o encontro. A celebração foi intensa. Um “siiiim” forte ecoou no CAR. O gesto de Cristiano Ronaldo surgiu naturalmente. Era adrenalina pura. Era orgulho. Era confiança.

O segundo par ainda se jogou. O regulamento determina que se realiza, O jogo já não alterava o resultado. A Eslovénia aproveitou a fase final e venceu. O marcador fechou em 3–2. Nada mudava na história. Portugal foi superior nos momentos decisivos. Os singulares ditaram o rumo do encontro.

“Foi um bom jogo contra um jogador experiente”

Bruno Carvalho analisou o encontro em exclusivo para o Entrar no Mundo das Modalidades. O jogador destacou o nível do atleta adversário e a exigência do duelo:

“Foi um bom jogo contra um jogador experiente. Sabia que teria vantagem quanto mais longo fosse o encontro e embora ele tenha entrado demasiado forte. Contudo, consegui contornar o marcador e dar um ponto importante para a nossa equipa.”

Bruno, de 31 anos, ainda reforçou o impacto dos três singulares ganhos e o valor do momento:

“Conseguimos vencer os 3 singulares e saímos assim vitoriosos do encontro e visto que é algo que não acontecia há muito tempo, é algo de que nos devemos sentir orgulhosos.”

O jogador virou depois o olhar para o próximo duelo. A mensagem foi clara:

“Amanhã contra a Suécia vai ser bastante mais difícil, mas o nosso objetivo é continuar na luta pela qualificação. Embora eles sejam claro favoritos, cada jogo é um jogo e amanhã teremos 5 jogos para tentar vencer.”

A apresentação portuguesa antes do encontro com a Eslovénia.
O grito português antes da vitória portuguesa frente à Eslovénia.

Diogo Glória: “Muito feliz pela vitória da equipa”

Diogo Glória destacou logo a união do grupo. A força coletiva foi o ponto central da sua análise:

“Estou muito feliz pela vitória da nossa equipa. A nossa união e atitude ajudou imenso que o encontro caísse para o nosso lado.”

O jogador fez também a sua avaliação pessoal. A leitura foi equilibrada e consciente:

“Por outro lado, contente por conseguir dar o ponto a singulares. Consegui controlar o jogo de início ao fim, embora sinta que haja margem para aumentar o nível jogado.”

Diogo olhou depois para o duelo com a Suécia. A mensagem final trouxe ambição e foco:

“Amanhã vamos lutar pela vitória no grupo contra uma Suécia, favorita no papel, mas estamos conscientes que podemos causar surpresas.”

Portugal segue com confiança

A vitória sobre a Eslovénia foi mais do que um bom resultado. Foi um sinal claro de crescimento. Portugal mostrou capacidade de decisão. Mostrou disciplina. Mostrou ambição.

Os três singulares vencidos revelam evolução. Revelam força mental. Revelam maturidade competitiva. A Seleção entrou bem na prova e ganhou moral para o que se segue. Regressou aos triunfos, após um hiato de 17 anos.

A Suécia será um desafio maior. A equipa é forte. Tem profundidade técnica. Tem ritmo. Tem experiência. Mas Portugal chega confiante. A equipa acredita no seu valor. Acredita no plano. Acredita que pode lutar pela qualificação.

O primeiro passo foi firme. Agora, a Seleção segue com foco, energia e ambição.

Portugal, 3 - Eslovénia 2

 

Bruno Carvalho – Miha Ivancic

18-21, 21-10 e 21-12

 

Diogo Glória – Mark Koros

21-18 e 21-13

 

Simão Pereira/David Silva – Gal Bizjak/ Maj Poboljsaj

21-17/22-24 e 13-21

 

Tiago Berenguer – Ziga Podgorsek

21-11 e 21-8

 

Diogo Glória/ Gabriel Rodrigues – Miha Ivancic/ Tadej Jelenka

15-21 e 16-21

 

 

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