Oeiras derruba Francisca e o top 250 foge

                                                                     Por António Vieira Pacheco

Regresso à terra batida com derrota.
Créditos: FPT. A desilusão de Kika.

Nem sempre o regresso traz a doçura da memória. Um ano após ter vivido momentos altos em Oeiras, onde chegou pela primeira vez aos quartos de final num torneio WTA e levantou um troféu em pares, Francisca Jorge voltou ao Oeiras Open WTA 125 com vontade de repetir a história — mas encontrou um desfecho diferente. Na estreia da edição de 2025, a tenista portuguesa cedeu frente à húngara Anna Bondar, por 6-4 e 7-5, num encontro marcado pela instabilidade do tempo e as oscilações do jogo.

Com o céu carregado e a terra batida húmida, a tarefa revelava-se ingrata desde o primeiro momento. A três mil e novecentos quilómetros dali, em Vilnius, a número um nacional tinha ainda no corpo o esforço de semana intenso na Billie Jean King Cup, onde ajudou Portugal a selar mais uma página feliz em piso rápido e sob teto coberto. A transição brusca para o pó de tijolo, em somente dois dias, pesou mais do que o esperado e a longa viagem de avião não ajudou a recuperar do desgaste.

Bondar, mais experiente e habituada a este tipo de palcos, entrou melhor e não deu espaço para hesitações. No primeiro ‘set’, foi a única a criar e concretizar oportunidades de break. Mas Kika, fiel à sua combatividade, cresceu com o decorrer da partida. Ganhou profundidade nas respostas, mudou alturas e direções, e chegou a liderar o segundo parcial por 5-2, encostando a adversária às cordas.

Mas o ténis, tantas vezes mental, tem caprichos próprios. A húngara resistiu, virou o ímpeto a seu favor e fechou com uma sequência implacável de cinco jogos consecutivos, deixando a portuguesa sem tempo para nova resposta.

Com esta eliminação precoce, Francisca não conseguiu defender os pontos somados há um ano, o que implicará uma descida no ‘ranking’ WTA — sairá, pelo menos, do top 250, passando para a 275.ª posição na próxima atualização.

Apesar da queda, o percurso continua a ser de construção e afirmação. A temporada ainda mal começou, e se o corpo recuperar, o talento e a determinação farão o resto. Oeiras não sorriu desta vez, mas o caminho segue — com olhos postos já no próximo desafio.

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