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O adeus precoce de Henrique Rocha no Maia Open
António Vieira Pacheco
Henrique Rocha regressou ao
Maia Open com a confiança de quem acabara de conquistar um título no Porto e
com oportunidade concreta de entrar no top 100 mundial. Saiu, porém, com uma
derrota difícil de explicar apenas pelos números: o português esteve três vezes
em posição de fechar o encontro, mas não conseguiu aproveitar nenhuma delas.
O tenista portuense, atual 106.º do ranking ATP e segundo cabeça de série, foi eliminado na primeira ronda pelo indiano Sumit Nagal, 253.º classificado mundial, por 3-6, 7-5 e 7-6 (5).
Uma derrota particularmente
amarga para o número três português, que tinha argumentos para seguir em frente
e chegar mais perto de um objetivo importante na carreira.
Uma entrada forte
O início do encontro confirmou
as expectativas em redor do português. No primeiro set, o português
assumiu o controlo, mostrou-se sólido nos seus jogos de serviço e não permitiu
qualquer ponto de break ao adversário.
O parcial terminou em 6-3, com
o jovem portuense, de 22 anos, a demonstrar capacidade para impor o seu jogo e a deixar a sensação de
que poderia resolver o encontro sem grandes sobressaltos.
Mas Nagal não se deixou
afastar. O indiano, que não vencia um encontro há cerca de dois meses, elevou o
nível de jogo no segundo set e encontrou na direita uma arma para contrariar o
domínio inicial do português.
A resposta teve consequências.
Nagal ganhou confiança, equilibrou as trocas de bola e acabou por vencer o
parcial por 7-5, levando a decisão para um terceiro set que se transformaria
num teste à resistência competitiva dos dois jogadores.
Três
oportunidades
Foi no terceiro set que o
encontro ganhou contornos dramáticos.
O portuense conseguiu colocar-se em posição privilegiada e chegou a fazer o break para 3-2. Mais tarde, voltou a ter vantagem e aproximou-se sucessivamente da vitória, servindo para fechar o encontro quando o marcador assinalava 5-4 e, novamente, 6-5.
Nas duas ocasiões, porém, o
português não conseguiu confirmar a vantagem.
Nagal resistiu à pressão,
recuperou os breaks e manteve-se vivo num encontro em que parecia estar várias
vezes à beira da eliminação. Rocha teve as oportunidades de que precisava, mas
faltou-lhe o último passo para transformar a superioridade em vitória.
O ténis também se decide
nestes momentos. E, quando a margem de erro desaparece, a capacidade de fechar
um encontro pode valer tanto quanto tudo o que foi feito nos jogos anteriores.
O português chegou ao
tie-break decisivo ainda com possibilidades de seguir em frente, mas o indiano
conseguiu colocar-se na frente. Rocha ainda reagiu e encurtou distâncias,
chegando a ganhar três pontos consecutivos, mas a recuperação não foi suficiente.
Nagal venceu o tie-break por
7-5 e fechou o encontro, consumando uma vitória que parecia improvável após o desenrolar do primeiro set.
O top
100 adiado
A derrota tem um peso
acrescido pelo momento em que acontece.
Oito dias depois de conquistar
o Eupago Porto Open, disputado no Monte Aventino, Henrique Rocha regressou à
região onde cresceu como tenista com a possibilidade de dar mais um passo
significativo na carreira.
O Maia Open representava uma
oportunidade de se aproximar do top 100 mundial e, caso alcançasse os
resultados necessários, tornar-se o nono português a atingir esse patamar.
Para isso, precisava de
chegar, pelo menos, aos quartos de finais. A eliminação logo na primeira ronda
afastou essa possibilidade e adiou a tentativa de entrar entre os cem melhores
do mundo.
O contraste entre o triunfo no Porto e a derrota na Maia não apaga o valor do título conquistado na semana anterior. Mostra, antes, como a margem entre uma semana de afirmação e outra de frustração pode ser curta no circuito profissional.
Henrique Rocha não caiu
perante um adversário do topo do ranking. Perdeu para um jogador classificado
147 posições abaixo de si e que atravessava um período sem vitórias. Mas
reduzir o encontro a essa diferença seria ignorar o essencial: o português teve
o jogo nas mãos e não conseguiu fechar.
A derrota deixa uma lição
competitiva evidente. Entrar bem, recuperar de momentos difíceis e criar
oportunidades não chegam quando falta transformar essas vantagens em vitória
Na Maia, Rocha esteve perto de
o conseguir. Por três vezes, teve o encontro ao alcance. Por três vezes, Nagal
encontrou uma forma de resistir.
O indiano segue em frente.
Para o português, ficam a frustração por uma oportunidade perdida e a
necessidade de voltar a procurar o caminho para o top 100.
No ténis, por vezes, a
diferença entre avançar e sair de cena está num único ponto. Na Maia, Henrique
Rocha teve vários pontos de partida para a vitória, mas nenhum deles foi o
último. E santos da casa não fazem milagre.
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