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Destaque do Universo do Ciclismo e dos Desportos de Raquetes

McNulty campeão do Mundo: os Estados Unidos ganharam onde os favoritos falharam

🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 28 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 4 min · 🌱EMM Brandon McNulty é o novo campeão do mundo de estrada. O norte-americano atacou a 33 quilómetros da meta, abriu espaço aos perseguidores e resistiu até ao fim em Montreal, conquistando uma camisola arco-íris que há décadas escapava ao ciclismo dos Estados Unidos. Mas reduzir a vitória de McNulty ao ataque final seria contar apenas metade da história. O título mundial começou a ser construído muito antes do corredor da UAE Team Emirates-XRG aparecer sozinho na frente. Foi construído por uma seleção norte-americana que percebeu algo essencial numa corrida de 273 quilómetros: quando a força individual não chega para controlar todos os movimentos, o número e a inteligência podem fazer a diferença. E foi precisamente isso que aconteceu. A estratégia norte-americana havia sido definida pelo selecionador Michael Creed antes da partida. A ideia era simples: a equipa deveria ter representantes no g...

“Surpreendi muita gente, a mim também”: Barry ganhou o Mundial quando quase ninguém esperava

     🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 25 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 4 min · 🌱EMM 

Surpresa no Mundial de Sub-23.

Ashlin Barry chegou ao Mundial Sub-23 sem se considerar favorito. Saiu de Montreal campeão do mundo, aos 19 anos e no próprio dia de aniversário. O americano admite que a vitória também o surpreendeu.

Há corridas em que o favorito confirma o seu estatuto. Há outras em que um nome pouco falado aparece no momento certo, faz a aposta certa e, quando todos percebem o que acontece, já não há tempo para o travar.

Ashlin Barry escolheu a segunda versão.

O americano conquistou esta sexta-feira o título mundial de estrada Sub-23, em Montreal, precisamente no dia em que completou 19 anos. Um aniversário difícil de esquecer, sobretudo porque terminou com uma camisola arco-íris nos ombros e com uma confissão pouco habitual para um campeão do mundo: nem ele estava propriamente à espera daquilo.

Barry atacou, entrou na frente, manteve a vantagem e chegou sozinho à meta. Enquanto atrás se discutia quem tinha pernas para ganhar, o jovem americano tratava de fazer outra coisa: ganhar.

E, depois, explicou que também ficou surpreendido.

Sem plano para isto

O mais interessante na história de Barry talvez esteja precisamente aí.

Não apresentou a vitória como resultado de um plano genial desenhado ao milímetro. Pelo contrário. A entrada na fuga surgiu porque o americano percebeu que poderia ter dificuldades em acompanhar os melhores trepadores no Mont Royal.

“Eu queria sair na frente da corrida porque não sabia se conseguiria acompanhar os melhores escaladores no Mont Royal.”

A decisão fazia sentido. O que aconteceu depois foi que ninguém parecia ter escrito no guião.

“Não fazia parte do plano ir tão cedo. Mas achei a corrida difícil e consegui entrar na fuga com alguns ciclistas fortes, que eu sabia que estariam dispostos a colaborar.”

È pronto. Às vezes uma corrida começa a mudar precisamente quando alguém decide fazer aquilo que não estava previsto.

Barry encontrou companhia, teve colaboração e, sobretudo, soube encontrar uma oportunidade que não desperdiçou.

A partir daí, a corrida deixou de ser uma questão de saber se conseguiria acompanhar os favoritos. Passou a ser uma questão muito mais interessante: será que os favoritos conseguiriam apanhá-lo?

O relógio a dizer outra coisa

O americano tinha outra referência para comparar o seu desempenho.

Depois do contrarrelógio, tinha admitido que talvez pudesse ter feito uma gestão diferente da energia. Quando lhe perguntaram se aquela reserva estava, afinal, destinada à prova de estrada, Barry não apresentou uma explicação particularmente elaborada.

Porque não havia grande necessidade.

Barry é o novo campeão mundial de estrada de sub-23.
“Eu esperava sair-me melhor no contrarrelógio do que nesta corrida de estrada, com certeza. Então, sim, foi uma surpresa para mim.”

Uma resposta simples para uma situação que, provavelmente, não teve nada de simples.

Barry chegará ao dia decisivo sem pôr entre os principais favoritos. E terminou-o como campeão mundial.

É uma diferença considerável entre o que se espera de uma corrida e o que uma corrida pode realmente oferecer.

Confiar e esperar

Quando se está sozinho na frente de um Mundial, há duas possibilidades: acreditar demasiado cedo ou começar a olhar demasiadas vezes para trás.

Barry optou por confiar.

“Eu confiei nos meus instintos, mantive o meu próprio ritmo e ficava pensando que, a qualquer momento, alguns ciclistas viriam me alcançar.”

Só que não vieram.

Ou, pelo menos, não chegaram a tempo de impedir aquilo que começava a parecer cada vez mais possível.

A vantagem manteve-se e o americano começou a perceber que a fuga já não era apenas uma fuga. Podia ser uma candidatura ao título.

Mas havia um problema.

As pernas.

“Eu sentia as minhas pernas a fraquejar, então pensei que poderia desistir a qualquer momento.”

É provavelmente uma das imagens mais interessantes desta vitória: um corredor isolado à frente, cada quilómetro a aproximá-lo da camisola arco-íris e, ao mesmo tempo, a sensação de que tudo podia acabar a qualquer instante.

Atrás, os adversários. À frente, a meta. Dentro das pernas, a dúvida.

E ainda assim, Barry continuou.

A determinada altura, porém, a matemática começou a mudar.

“Considero que, entre uma e duas voltas antes do final, foi ficando mais real; a vantagem manteve-se o tempo todo.”

Ainda não era certeza. Era apenas uma possibilidade suficientemente concreta para começar a ser levada a sério.

Depois apareceu o Mont Royal.

E foi aí que Barry disse ter percebido que o título podia ser dele.

“Penso que no topo do Mont Royal, na última subida, foi quando, realmente, acreditei.”

Não no início da fuga.

Não quando conseguiu abrir espaço.

Não quando percebeu que os perseguidores demoravam a aproximar-se.

No topo da última subida.

A partir desse momento, faltava, sobretudo, sobreviver.

Uma última volta “surreal”

A descrição de Barry sobre os últimos quilómetros não é propriamente a de alguém que já estivesse a preparar a comemoração.

É a de alguém que ainda não acreditava totalmente no que estava a acontecer.

“Aquela última volta foi simplesmente surreal.”

A vantagem continuava.

E Barry continuava.

“Quando a vantagem se manteve e eu continuei, foi um choque. Não sei como dizer de outra forma.”

Talvez não seja preciso dizer de outra forma.

Porque é precisamente isso que torna esta vitória tão inesperada: o próprio vencedor ainda estava a tentar perceber como tinha chegado àquele ponto.

“Surpreendi muita gente”

Depois de cruzar a meta, Barry teve de responder à pergunta inevitável.

Se alguns dos principais adversários não consideraram um erro permitir-lhe ganhar aquela vantagem, isso significava que tinham sido simplesmente derrotados por um corredor que, naquele momento, foi mais forte?

Barry não fugiu à questão.

“Sim, quer dizer, fiquei surpreso. Acho que surpreendi muita gente.”

E logo acrescentou aquilo que talvez seja a melhor síntese de toda a corrida:

“Eu não achava que era um dos favoritos hoje.”

Não achava.

E acabou campeão do mundo.

A frase seguinte diz quase tudo sobre o que passou pela cabeça do americano:

“Então, sim, é loucura.”

É mesmo.

De desconhecido a campeão

A camisola arco-íris tem esse efeito. Muda a forma como uma corrida é contada depois do seu término,

Antes da partida, há favoritos, candidatos, outsiders, estratégias e previsões. Depois da meta, tudo parece mais simples. O vencedor é aquele que chegou primeiro.

Entre uma coisa e outra há uma corrida inteira.

Barry aproveitou uma fuga que não estava inicialmente no plano, encontrou corredores com quem podia colaborar, manteve o seu ritmo, resistiu quando as pernas começaram a acusar o esforço e acreditou no momento em que a vantagem deixou de parecer provisória.

Não precisou de anunciar, antes da corrida, que o objetivo era ser campeão mundial.

Nem de se colocar na lista dos favoritos.

Fez outra coisa: apareceu quando era preciso.

Aos 19 anos, no dia do aniversário, Ashlin Barry conquistou o título mundial Sub-23 em Montreal.

E deixou uma conclusão particularmente saborosa para quem gosta destas histórias: o campeão mundial não precisava de ser convencido de que tinha surpreendido os outros.

Ele próprio ainda tentava convencer-se de que tinha acontecido.

“Surpreendi muita gente, a mim também.” Dificilmente haverá uma frase melhor para explicar uma camisola arco-íris que chegou quando quase ninguém a estava a pedir. 

Daniel Moreira foi o melhor português, em Montreal, ao concluir em 14.º lugar. Ficou a apenas 1m19s do novo campeão do mundo.

 

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