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João Almeida: “Chegamos ao limite do corpo humano”

🖋️ António Vieira Pacheco · 📅5 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️3 min · 🌱EMM O português falou sem filtros sobre o calor extremo, os problemas que marcaram a sua época, a recuperação da forma, a luta pela geral e o objetivo que ainda persegue na Vuelta. João Almeida não vive uma Vuelta a Espanha normal. Após uma temporada marcada por problemas físicos e por uma queda que voltou a interromper a sua preparação, o português continua à procura da melhor condição — mas também de uma oportunidade para deixar a sua marca na corrida espanhola. Numa entrevista ao Cyclingnews , antes da 15.ª etapa, Almeida falou de praticamente tudo. E deixou um alerta particularmente forte sobre as condições que o pelotão enfrenta. Corpo no limite O calor é uma das principais preocupações do português. Almeida considera que as temperaturas condicionam fortemente a corrida e entende que os ciclistas se aproximam de um ponto perigoso para o organismo. “Chegamos ao limite do corpo huma...

Espanha tornou-se a escola de muitos jovens portugueses

🖋️ António Vieira Pacheco · 📅5 de setembro 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️3 min · 🌱EMM 

Jovens portugueses vão para o estrangeiro para evoluirem.

Uma porta aberta

A fronteira deixou de ser há muito tempo uma barreira para os jovens ciclistas portugueses. Quando chegam ao momento de dar o salto dos juniores para os sub-23, cada vez mais corredores olham para Espanha como uma oportunidade para continuar a crescer, ganhar experiência e aproximar-se do profissionalismo.

Gabriel Baptista e Gonçalo Amaral são dois exemplos dessa realidade. Ambos têm 21 anos e representam a Technosylva Rower Bembibre, formação da província de Leão que participa regularmente em provas portuguesas e mantém uma ligação próxima ao calendário nacional.

Numa entrevista ao jornal O JOGO, os dois corredores falaram dessa experiência e explicaram por que decidiram procurar, além-fronteiras, as oportunidades que o ciclismo português nem sempre lhes consegue oferecer.

Baptista, natural de Barcelos, está na segunda época em Espanha, após ter passado pela Anicolor. A experiência em Portugal não é desvalorizada, mas a mudança permitiu-lhe encontrar um ambiente que considera importante para continuar a evoluir.

“Recomendo ir para fora”, afirmou o corredor, numa decisão que traduz uma tendência cada vez mais visível entre os jovens portugueses.

Amaral fez esse caminho ainda mais cedo. O ciclista de Famalicão deixou Portugal há três anos, após terminar o percurso júnior no ABTF Betão/Bairrada. Desde então, a experiência acumulada em Espanha tornou-se uma parte importante da sua formação.

“Tem sido uma mais-valia, uma aprendizagem enorme”, explicou.

O problema da transição

O verdadeiro desafio surge quando um corredor deixa para trás os juniores e entra numa nova etapa da carreira.

Em Espanha, os sub-23 dispõem de um espaço competitivo próprio, com provas destinadas ao escalão e adversários da mesma faixa etária. Para um jovem ainda em formação, competir nesse contexto significa ganhar experiência, amadurecer e evoluir antes de dar o salto para as exigências de um pelotão profissional.

É precisamente essa diferença que Amaral considera determinante.

Em Portugal, a transição para os sub-23 nem sempre garante a um jovem corredor oportunidades regulares para competir e continuar a evoluir.. A competição contra atletas mais experientes, aliada à existência de poucos projetos capazes de proporcionar um percurso de desenvolvimento contínuo, pode tornar os primeiros anos particularmente difíceis.

E quando faltam resultados, visibilidade e oportunidades, a motivação pode desaparecer.

O problema não é apenas desportivo. É também uma questão de continuidade na formação.

Durante anos, o caminho tradicional passava por cumprir praticamente todo o percurso sub-23 em Portugal antes de procurar uma equipa profissional. Hoje, muitos jovens antecipam a saída.

“Há uns anos era impensável”, recorda Baptista.

A mudança de mentalidade acompanha, assim, uma alteração no próprio mercado do ciclismo jovem. Para alguns corredores, emigrar deixou de ser uma aventura de futuro e passou a ser uma decisão tomada logo após os juniores.

Mais do que bicicletas

A diferença também está nas estruturas.

Na Technosylva, os portugueses encontram uma organização logística que lhes permite enfrentar um calendário exigente com melhores condições de apoio. Autocarro, camião e viaturas de acompanhamento fazem parte de uma estrutura que reduz algumas das dificuldades inerentes à competição fora de casa.

Mas é, sobretudo, a quantidade e a qualidade da competição que podem fazer a diferença.

É a competir que um jovem aprende. É preciso errar, voltar a estar no pelotão, compreender as suas dinâmicas e descobrir, aos poucos, até onde o corpo pode chegar.Sem oportunidades suficientes, esse processo fica comprometido.

É por isso que a experiência espanhola pode representar mais do que uma simples mudança de equipa: pode ser uma verdadeira escola.

Apesar da aposta em Espanha, nenhum dos dois fecha definitivamente a porta a um regresso.

A ligação ao ciclismo português mantém-se forte, até porque a Technosylva continua a marcar presença em provas nacionais. E existe um objetivo que continua a fazer parte do imaginário de qualquer corredor português.

A Volta a Portugal.

Chegar ao mais alto nível europeu é a prioridade, mas disputar a principal corrida por etapas portuguesa continua a ser um sonho. Para dois jovens que atravessaram a fronteira à procura de oportunidades, um eventual regresso à Volta teria ainda um significado especial.

Seria a prova de que sair foi, afinal, uma forma de aprender a voltar mais forte.

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