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Rui Oliveira viu a vitória e a Tavfer fechou-lhe a porta em Elvas
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 8 agosto 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 2 min · 🌱EMM
Rui Oliveira esteve novamente próximo da vitória na etapa da Volta a Portugal.
Tão perto que já quase
conseguia ver o que procura desde o início da Volta a Portugal: os
braços levantados e a primeira vitória na estrada.
Mas em Elvas havia uma
Tavfer-Credibom-Mortágua com outros planos.
E quando Rui Oliveira lançou o
ataque para tentar, finalmente, neutralizar a perseguição ao primeiro triunfo,
encontrou dois homens vestidos de amarelo… não, de Tavfer.
João Matias fechou a porta.
Leangel Linarez abriu os braços.
Foi assim que terminou uma
etapa cozida a 38 graus, marcada por uma queda no último quilómetro e por
mais uma oportunidade perdida para o campeão olímpico de Madison.
Primeiro o calor e depois a corrida
Entre Beja e Elvas, os
ciclistas tiveram de enfrentar uma espécie de forno sobre rodas.
Temperaturas a rondar os 38
graus transformaram cada quilómetro numa pequena batalha pela sobrevivência.
E, quando os bombeiros
apareceram pelo caminho com chuveiros para refrescar o pelotão, provavelmente
ninguém perguntou se aquilo fazia parte do plano de corrida.
A água era bem-vinda.
Muito bem-vinda.
Porque hoje não era apenas o
adversário que pedalava.
O calor também corria.
E corria depressa.
A queda apareceu no pior momento
Quando faltava apenas um
quilómetro para Elvas, Gonçalo Oliveira, de Óbidos, caiu na frente do pelotão.
O incidente condicionou a
aproximação à meta e eliminou da discussão alguns corredores que ainda sonhavam
com o sprint.
Mas houve quem escapasse.
Leangel Linarez.
João Matias.
E Rui Oliveira.
O líder da Volta estava onde
queria estar.
E, desta vez, não esperou que a
corrida lhe oferecesse a oportunidade.
Foi procurá-la.
Rui lançou-se.
Por momentos, pareceu poder
finalmente ser hoje.
Todavia, João Matias estava
atento.
O corredor da Tavfer anulou a
tentativa do português e, numa demonstração de trabalho da equipa, fez
exatamente o que tinha de fazer.
Preparou a vitória do
companheiro.
Linarez agradeceu.
E levantou os braços.Rui continua à espera
É talvez a história mais
curiosa destes primeiros dias da Volta.
O português veste amarelo.
Foi segundo no prólogo.
Quarto em Queluz.
Sexto em Albufeira.
Agora foi quinto em Elvas.
Está sempre lá.
Só ainda não esteve onde mais
queria.
No primeiro lugar.
O campeão olímpico na pista
continua, assim, à procura de uma vitória que teima em fugir-lhe.
E quanto mais perto fica, mais
cruel parece a espera.
Em Elvas esteve mesmo perto.
Mas o ciclismo não entrega os prémios por proximidade.
Ou se ganha ou alguém levanta
os braços por nós.
Desta vez foi Linarez.
Para o venezuelano, foi a
terceira vitória de etapa na Volta a Portugal, depois das duas conquistadas em
2023.
E chegou num dia
particularmente especial: tinha completado dois anos na véspera.
A melhor maneira de celebrar?
Esperar até Elvas e oferecer a
si próprio uma vitória.
Agora vem a Torre
E aqui muda tudo.
Até agora houve sprints,
fugas, calor e bonificações.
Agora aparece a montanha.
No domingo, a Volta parte
de Figueiró dos Vinhos e termina na Torre, o ponto
mais alto de Portugal continental.
Rui Oliveira parte de amarelo.
Tem nove segundos de
vantagem sobre Rafael Reis.
Mas a Torre não quer saber de
nove segundos.
Nem de camisolas olímpicas.
Nem de vitórias que ficaram
por conquistar.
Na Serra da Estrela, as pernas
vão falar.
E talvez seja aí que a Volta
comece verdadeiramente a separar quem quer ganhar de quem pretendia começar
bem.
O irmão de Ivo Oliveira chegou a Elvas
ainda de amarelo.
Chegou à procura
da vitória.
Agora vai descobrir uma coisa
diferente:
Se defender uma
camisola que arrebatou antes de conquistar o que realmente queria.
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