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Lance Armstrong ataca controlos antidoping no Tour de France de madrugada
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 20 julho 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 3 min · 🌱EMM
Lance Armstrong criticou duramente os dois controlos antidopagem realizados durante
a madrugada a Tadej Pogačar e Jonas Vingegaard na Volta a França. O antigo
ciclista norte-americano, despojado dos seus sete títulos do Tour por ‘doping’,
considerou que este tipo de procedimentos representa “uma violação dos direitos
humanos” e acusou a União Ciclista Internacional (UCI) de agir de forma “estúpida”.
As declarações foram feitas no
‘podcast’ The Move, depois de ambos os favoritos à vitória final
terem sido acordados durante a noite para cumprirem controlos antidopagem
surpresa.Sono interrompido
Jonas Vingegaard revelou que
foi acordado por volta das 2 horas para realizar o controlo, enquanto Tadej
Pogačar recebeu os oficiais perto das 5 horas da manhã e admitiu que conseguiu
dormir quatro horas antes da etapa.
O tema ganhou ainda maior
dimensão depois de Vingegaard ter sofrido uma queda na 15.ª etapa, que acabou
por levar ao abandono da Volta a França. O dinamarquês reconheceu posteriormente
que a interrupção do descanso “certamente não ajudou”, embora tenha recusado
estabelecer uma relação direta entre o controlo e o acidente.
“Uma violação dos direitos humanos”
Armstrong não poupou críticas
ao procedimento.
“Foram bater-lhe à porta às
duas da manhã; acordaram-no a meio do Tour para fazer um controlo antidopagem.
Como disse Robbie McEwen na TNT Sports, isto é uma violação dos direitos
humanos. Fiquei sem palavras.”
O norte-americano sublinhou
que ninguém questiona a necessidade dos controlos antidopagem, mas considera
inadmissível que sejam efetuados durante o período de descanso dos atletas.
“Este é o evento desportivo
mais duro do mundo. Dormir é essencial. Ninguém diz que não devam existir
controlos, mas não os façam no equador da noite. Não durante a prova mais exigente
do ciclismo.”
Comparação com outras modalidades
Para reforçar a crítica,
Armstrong comparou a situação com as outras grandes figuras do desporto mundial.
“O que aconteceria se fossem bater à porta do Messi às duas da manhã? Wimbledon terminou há poucos dias. O que aconteceria se acordassem Federer às duas da manhã?”
Na
sua opinião, os ciclistas acabam por ser sujeitos a um tratamento que
dificilmente seria aplicado noutras modalidades.
“Não vão ganhar qualquer
credibilidade com isto. O que fazem? Repito: esta é a prova mais difícil do
mundo. Não se faz isto com estes corredores. É pura estupidez.”
Pogačar também questionou
Depois da etapa, Tadej
Pogačar abordou o assunto, embora de forma mais cautelosa.
O portador da camisola amarela
admitiu que a falta de descanso poderá ter influenciado o estado físico e
mental de Vingegaard antes da queda.
“O Jonas teve de fazer um
controlo antidopagem às duas da manhã. Isso faz-nos pensar. Talvez estejamos
menos concentrados quando o sono é completamente interrompido.”
O esloveno fez, no entanto,
questão de evitar uma ligação direta entre o controlo e o acidente.
“Não digo que essa foi a
causa, mas pode ter contribuído. O único descanso verdadeiro que temos durante
o Tour é quando dormimos. Não me parece algo muito humano.”
Debate continua
Os regulamentos permitem
realizar controlos antidopagem inopinados durante a noite, incluindo no período
entre as 23h00 e as 06h00, uma medida destinada a garantir a eficácia da luta
contra a dopagem.
Ainda assim, o episódio
reacendeu o debate sobre o equilíbrio entre a necessidade de manter um programa
rigoroso de controlos e a preservação das condições de recuperação dos atletas
durante uma das competições mais exigentes do calendário mundial.
As declarações de Armstrong
juntam-se, assim, às críticas já expressas por Vingegaard e às reservas
manifestadas por Pogačar, numa discussão que promete continuar a marcar o final
da Volta a França.
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