Wout van Aert:“Foi um dia dececionante”

 🖋️ Por: António Vieira Pacheco

 📅 Data: 10 de junho de 2026

⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos

📸 Fotografia: Direitos Reservados

O belga desligou-se muito cedo do contrarrelógio de equipas.

 Belga perdeu contacto com a equipa logo na primeira subida, mas acredita que ainda pode recuperar a melhor forma antes do Tour de France.

A vitória da Team Visma | Lease a Bike no contrarrelógio coletivo da 3.ª etapa do Tour Auvergne-Rhône-Alpes acabou por esconder uma das imagens mais inesperadas do dia: a de Wout van Aert a perder contacto com os companheiros logo nos primeiros quilómetros da etapa.

O belga não conseguiu acompanhar o ritmo imposto pela sua equipa na primeira subida do percurso e acabou por ficar para trás após cerca de oito minutos de corrida. Apesar disso, a formação neerlandesa manteve um desempenho de excelência e conquistou a vitória da etapa, terminando nove segundos à frente da Netcompany INEOS Cycling Team.

No final da jornada, Van Aert não procurou desculpas para justificar o sucedido e admitiu que a sua atuação ficou bastante aquém das expectativas.

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Ritmo demasiado forte

Apesar do triunfo coletivo, o belga mostrou-se desapontado com o seu rendimento individual.

“É uma mistura de sentimentos”, confessou Van Aert à Sporza. “É bom estar no pódio com a equipa, mas não sinto que tenha contribuído muito.”

O corredor explicou que não sofreu nenhum problema mecânico nem foi vítima de um incidente que justificasse a quebra precoce. A realidade foi mais simples e direta: não conseguiu acompanhar o ritmo dos colegas.

“Na primeira subida, o ritmo estava imediatamente demasiado forte para mim. Não há muito a esconder num contrarrelógio coletivo”, admitiu.

A imagem do belga a perder contacto com os companheiros causou alguma surpresa, sobretudo porque Van Aert continua a ser considerado um dos corredores mais completos e versáteis do pelotão internacional.

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Força coletiva

Mesmo ficando cedo para trás, Van Aert fez questão de elogiar a impressionante exibição da sua equipa.

“Quando se pedala com corredores deste nível, pode ser doloroso. Se eu não conseguir fazer a minha parte, se o Ben Tulett tiver um furo durante a etapa e, ainda assim, a equipa fizer o melhor tempo, isso diz muito sobre a força destes ciclistas”, afirmou.

A formação neerlandesa voltou a demonstrar a profundidade do seu bloco, conseguindo manter um ritmo elevadíssimo até aos quilómetros finais.

O trabalho acabou por ser concluído por Matteo Jorgenson, que fez um esforço decisivo na fase final do percurso e ajudou a garantir mais uma vitória da equipa dirigida por Grischa Niermann.

Abaixo do esperado

Mais preocupante do que o resultado da etapa parece ser o que a exibição revelou sobre a condição física atual do corredor belga.

Van Aert chegou ao Tour Auvergne-Rhône-Alpes sem esconder que ainda está a construir a sua melhor forma para o Tour de France, mas esperava apresentar um nível superior ao demonstrado neste contrarrelógio coletivo.

“Sabia que seria uma corrida difícil, mas pensei que estaria num nível melhor do que mostrei hoje”, reconheceu.

O corredor acrescentou ainda que uma única etapa não define o seu estado de forma global, embora admita que o resultado foi frustrante.

“Cada dia é um retrato do momento. E hoje não foi um bom dia.”

Olhos no Tour

Com o Tour de France a aproximar-se rapidamente, as dúvidas sobre a condição física do belga começam inevitavelmente a surgir.

Questionado sobre a possibilidade de atingir a melhor forma antes do arranque da Grande Boucle, marcado para 4 de julho, Van Aert preferiu não fazer previsões.

“É difícil responder a essa pergunta agora. Hoje foi um dia dececionante para mim. Vamos ver como as coisas evoluem.”

Ainda assim, o corredor garantiu que não pretende resignar-se ao resultado.

“Não vou ficar de braços cruzados e aceitar isto.”

As próximas etapas do Tour Auvergne-Rhône-Alpes serão, por isso, importantes para avaliar a evolução do seu estado físico e perceber até que ponto poderá aproximar-se do nível que o tornou uma das principais figuras do ciclismo mundial.

Deceção assumida

Também a estrutura da Team Visma | Lease a Bike reconheceu que esperava uma prestação diferente do seu líder.

O diretor de desempenho da equipa, Mathieu Heijboer, admitiu que o plano passava por manter Van Aert integrado no grupo por mais tempo.

“Foi mais cedo do que esperávamos. O plano era levar os nossos ciclistas mais fortes para a subida final”, explicou.

Apesar disso, o responsável procurou enquadrar o episódio numa perspetiva mais ampla.

“É um pouco dececionante; temos de ser honestos. Mas estamos a olhar para o panorama geral. O Wout está a utilizar esta corrida para evoluir e acreditamos que continuará a melhorar.”

Sinal de alerta

Embora a vitória da Team Visma | Lease a Bike tenha permitido minimizar o impacto mediático do episódio, a exibição de Van Aert deixa inevitavelmente algumas interrogações a poucas semanas do Tour de France.

O belga continua a ser uma peça fundamental nos planos da equipa neerlandesa, quer para estar na luta pelas etapas, quer para ajudar a alcançar os objetivos na classificação geral.

Por agora, tanto o corredor como a equipa mantêm a confiança de que os próximos dias trarão sinais positivos. Contudo, o contrarrelógio coletivo do Tour Auvergne-Rhône-Alpes deixou uma certeza: Wout van Aert ainda está longe da versão que habituou os adeptos a ver nos seus melhores momentos.

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