Marc Soler fora do Tour, mais uma baixa na UAE
🖋️Por: António Vieira Pacheco
📅10 junho 2026
📸 Créditos: Direitos Reservados
⏱️ Tempo de leitura: 4 minutos
O quebra-cabeça da UAE Team Emirates-XRG para o Tour de France ganhou mais uma peça fora do lugar. Depois do que se passou em torno de João Almeida, tudo indica agora que Marc Soler também não conseguirá recuperar a tempo da maior corrida do calendário mundial.
Segundo informações avançadas pelo jornalista Isaac Vilalta, da Catalunha Rádio, o espanhol continua a recuperar da queda sofrida na segunda etapa do Giro d'Italia e deverá realizar novos exames médicos nos próximos dias. Para já, a sua presença no Tour parece cada vez mais improvável.
A notícia tem um significado especial para Soler. A edição deste ano passa por Vilanova i la Geltrú, a sua cidade natal, durante a segunda etapa, oferecendo-lhe uma rara oportunidade de competir perante os seus conterrâneos.
Mas o destino parece ter outros planos.
Desde que chegou à UAE em 2022, proveniente da Movistar, Soler tornou-se uma das peças mais fiáveis da estrutura que protege Tadej Pogačar nas grandes montanhas. Nunca havia falhado uma participação na Grande Boucle ao serviço da equipa dos Emirados.
Perder um corredor com esse perfil representa muito mais do que perder um simples gregário. É retirar uma peça de confiança de uma máquina construída para vencer.
Sinais preocupantes
Os sinais de alerta já tinham sido deixados por Matxin Joxean Fernández durante o Giro d'Italia.
Na altura, o responsável desportivo admitiu que Soler estava longe das condições ideais e revelou que o espanhol nem sequer se encontrava a treinar normalmente.
As palavras ganharam agora ainda mais peso, numa altura em que a contagem decrescente para o Tour entra na fase decisiva.
E Soler não é caso único.
Ausência portuguesa
Almeida reconheceu recentemente que não se sente preparado para enfrentar uma prova da exigência do Tour de France, após semanas marcadas por limitações físicas e por uma preparação longe do ideal.
As dificuldades ficaram igualmente visíveis nos primeiros dias do Critérium du Dauphiné, onde Almeida perdeu contacto com os melhores logo nas fases iniciais das etapas inaugurais.
Embora a decisão final ainda não esteja tomada, o cenário está longe de transmitir tranquilidade aos responsáveis da UAE.
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Plano alternativo!
Apesar das ausências e das dúvidas, a formação dos Emirados
continua a reunir argumentos impressionantes.
Isaac del Toro surge como uma certeza para apoiar Pogačar na
alta montanha. Adam Yates continua igualmente nos planos, caso confirme a
evolução física esperada.
Tim Wellens e Nils Politt aparecem praticamente garantidos,
oferecendo potência para os terrenos mais rápidos e experiência para proteger o
líder esloveno nos momentos mais delicados.
Brandon McNulty também deverá regressar ao Tour, após uma
época construída especificamente com esse objetivo.
Últimas vagas
A luta concentra-se agora nas posições finais.
Florian Vermeersch parece partir em vantagem, sobretudo
depois da consistência demonstrada durante a primavera. Pavel Sivakov, presença
habitual ao lado de Pogačar nas últimas campanhas vitoriosas, também surge bem
colocado.
Pelo caminho poderão ficar nomes importantes.
Jonathan Narváez, vencedor de etapas no Giro, viu as suas
hipóteses diminuírem drasticamente após os problemas físicos sofridos na
corrida italiana. Felix Großschartner permanece como alternativa credível caso
sejam necessárias alterações de última hora.
Já Jay Vine continua numa corrida contra o relógio após a
lesão sofrida no Giro, mas dificilmente terá tempo suficiente para convencer a
equipa técnica.
Corrida ao relógio
A UAE continua convencida de que chegará ao Tour com a melhor
equipa possível. No entanto, à medida que os dias decorrem, a lista de
interrogações parece crescer mais rapidamente do que a lista de certezas.
Para Pogačar, a situação ainda não representa um problema.
Mas numa corrida onde os detalhes costumam decidir vitórias e derrotas, cada
ausência pesa.
E quando começam a faltar peças importantes, até as equipas
mais fortes são obrigadas a olhar para o espelho e a perguntar: será esta
realmente a formação ideal para conquistar Paris?
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