Jonas Vingegaard conquista Pila e acaba com o reinado rosa de Eulálio
🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Direitos Reservados
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
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| Afonso Wulálio foi um guerreiro em Pila, mas caiu para o segundo lugar da classificação geral. |
A montanha acabou por impor a sua
hierarquia. Ao fim de nove dias de resistência, inteligência e controlo, Afonso
Eulálio deixou de vestir a camisola rosa da Volta a Itália, num sábado em que
Jonas Vingegaard transformou a subida para Pila numa demonstração de força.
O dinamarquês da Visma-Lease a Bike
venceu isolado a 14.ª etapa do Giro e assumiu a liderança da classificação
geral, num dia desenhado para expor fragilidades e separar candidatos.
Foi exatamente isso que aconteceu.
O português da Bahrain Victorious, que passou nove dias na liderança da classificação geral, terminou a etapa no 15.º lugar, a 2,48 minutos de Vingegaard. Cai ao segundo posto da geral, agora a 2,26 minutos do dinamarquês, mas mantém a liderança da juventude, com 1,56 minutos de vantagem sobre Giulio Pellizzari..
A estrada começou a se selecionar cedo
A etapa apresentava cinco contagens
de montanha e um final longo e exigente em Pila, cenário suficiente para
endurecer a corrida desde longe.
O pelotão foi perdendo peças ao longo
do dia e a seleção natural começou muito antes da subida decisiva. A
intensidade aumentou progressivamente até restarem apenas os homens da geral.
A partir daí, a corrida deixou de ser
coletiva e passou a ser uma questão de resistência individual.
O momento decisivo
Eulálio ainda resistiu durante boa
parte da subida final, mas começou a perder contacto com o grupo dos favoritos
a 8,5 quilómetros da meta.
O português entrou então numa luta
silenciosa contra a inclinação e o desgaste acumulado, acabando por precisar da
ajuda preciosa de Damiano Caruso, companheiro de equipa que regressou atrás
para o acompanhar.
Enquanto isso, Vingegaard preparava o
golpe.
O ataque surgiu a 4,6 quilómetros da
chegada. Seco, direto e sem resposta.
Um ataque sem reação
Quando acelerou, o dinamarquês abriu
imediatamente espaço sobre os restantes favoritos. A subida tornou-se um
corredor vazio à sua frente.
Sem necessidade de olhar para trás,
Vingegaard foi construindo a vitória metro após metro, até cruzar a meta
isolado em Pila.
O austríaco Felix Gall foi o
perseguidor mais próximo, mas nunca conseguiu aproximar-se verdadeiramente do
vencedor da etapa.
Atrás, a corrida de Eulálio passou a
ser outra: limitar perdas e defender-se num terreno que favorecia claramente os
rivais mais explosivos na montanha longa.
Mudança de liderança
A vitória permitiu a Vingegaard
assumir a camisola rosa e alterar completamente o cenário da classificação
geral.
Depois de vários dias em modo de
gestão e controlo, o dinamarquês escolheu o primeiro grande teste de alta
montanha para atacar a corrida de frente.
A Visma-Lease a Bike esperou pelo
terreno certo — e encontrou em Pila o espaço ideal para mudar o Giro.
O fim de nove dias históricos
Apesar da perda da liderança, Eulálio
fecha um ciclo marcante nesta edição da corrida.
O português resistiu nove dias
vestido de rosa, controlou momentos difíceis, ganhou tempo em bonificações e
transformou-se numa das grandes figuras da primeira metade do Giro.
Num cenário inicialmente improvável,
conseguiu defender-se perante equipas mais profundas e candidatos teoricamente
superiores na montanha.
Giro entra noutra fase
A corrida muda agora de dimensão.
Com Vingegaard na liderança e a alta
montanha instalada no percurso, o Giro entra definitivamente no território dos
ataques diretos e das diferenças sérias entre os candidatos.
Pila não decidiu a corrida. Mas mudou-lhe claramente o rumo.

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