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Nelson Oliveira sobe na geral após vitória de Olav Kooij no Tour de France

🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 8 julho 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 1 min · 🌱EMM Tour de France 2026: acompanha todos os resultados e análises no hub completo da prova.    Nelson Oliveira voltou a ganhar terreno na classificação geral da Volta a França, numa etapa em que Olav Kooij conquistou a primeira vitória da carreira na maior corrida do ciclismo mundial. O português da Movistar terminou integrado num grupo que chegou após uma queda nos quilómetros finais, subindo quatro posições na geral antes da primeira grande etapa de montanha, com chegada em alto a Gavarnie-Gèdre. O velocista neerlandês da Decathlon foi o mais forte ao sprint em Pau, impondo-se a Max Kanter (Astana) e Tim Merlier (Soudal), enquanto a queda a 5,6 quilómetros da meta provocou cortes no pelotão. Tadej Pogačar liderou o grupo principal, que perdeu 14 segundos para o vencedor, mas sem alterações entre os principais candidatos à classificação geral. Nelson Oliveira foi 99.º classificado, a 47 seg...

Afonso Eulálio: “Estar em casa é o meu passatempo favorito”

  🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Direitos Reservados

⏱️ Tempo de leitura:  3 minutos

Afonso abre o livro nas páginas mais recentes da carreira.


O telefone não para

A vida de Afonso Eulálio mudou tão depressa quanto uma etapa de montanha pode rebentar um pelotão. Desde que vestiu a maglia rosa no Giro, o português passou a viver mergulhado em chamadas, mensagens e atenções inesperadas. Ao ponto de nem atender o Presidente da República.

O Presidente da República tentou ligar-me e deixou-me uma mensagem”, contou o ciclista português, referindo-se a António José Seguro, durante o segundo dia de descanso da Volta a Itália.

A explicação surgiu logo depois, quase entre sorrisos: “Nestes dias, tenho tantas chamadas e mensagens que não atendi o telemóvel”.

A frase resume bem o momento surreal vivido pelo corredor da Bahrain Victorious. Há poucas semanas era apenas mais um gregário num pelotão cheio de estrelas. Agora, tornou-se o rosto inesperado da corrida italiana.
A nova vida de líder

A liderança do Giro trouxe fama, pressão e uma rotina ainda mais pesada. Os dias começam cedo e acabam tarde, quase sempre engolidos pela exigência constante da maior corrida italiana.

Quase todos os dias vou-me deitar à meia-noite; no dia seguinte estou a pé às 7 horas”, revelou.

Entre entrevistas, massagens, deslocações e obrigações da camisola rosa, sobra pouco espaço para desligar. E talvez, por isso, a resposta sobre o seu maior passatempo tenha surpreendido.

Ter tempo para estar em casa é o meu passatempo favorito”, confessou.

A frase tem algo de simples e poderoso ao mesmo tempo. Como se, no meio do ruído do Giro, o português procurasse apenas silêncio. Para quem passa meses entre hotéis, aeroportos e estradas intermináveis, casa transforma-se quase num refúgio invisível.

Em dois meses, tenho três, quatro dias em casa. Quando vamos para casa, para nós é como estar de férias”, explicou.

Rui Costa é o início de tudo

No meio das inúmeras mensagens recebidas nos últimos dias, houve uma que teve um significado especial: a de Rui Costa.

O campeão do mundo de fundo em 2013 era o ídolo de infância de Eulálio, numa altura em que ainda dava as primeiras pedaladas no BTT com amigos “depois da escola”.

Hoje, a realidade parece improvável até para ele próprio. O jovem de 24 anos chegou ao World Tour apenas no ano passado e admite que nunca imaginou viver algo semelhante.

Não sonhava estar no World Tour, menos ainda estar vestido de rosa”, confessou.

A camisola rosa apareceu como uma porta aberta para um universo que parecia demasiado distante. Eulálio aproveitou-a sem medo.

Entre Cacia e o Giro

Apesar de estar no centro mediático do ciclismo mundial, o português continua agarrado às pequenas referências da sua vida longe das corridas.

Falou de Cacia, onde vive atualmente com a namorada e onde a população decidiu pintar o apoio de cor-de-rosa. Fitinhas, bandeiras e entusiasmo ajudam a empurrar emocionalmente o líder do Giro.

Também revelou gostos simples e descontraídos: é benfiquista, aprecia risotto, barbecue e ouve reggaeton.

Pequenos detalhes que aproximam o corredor das pessoas e ajudam a explicar por que se tornou uma das figuras mais acarinhadas desta edição do Giro.

O sofrimento invisível

Por trás da imagem festiva da camisola rosa também há desgaste. Muito desgaste.

Eulálio admite que sobra pouco tempo para falar com a família e os amigos em Portugal. A liderança da corrida italiana funciona quase como um holofote permanente, impossível de desligar.

Ainda assim, o português mantém uma postura surpreendentemente leve para alguém que está a viver os dias mais intensos da carreira.

Talvez porque ainda olhe para tudo isto com um misto de espanto e gratidão. Afinal, há poucos meses, discutir a liderança de uma grande Volta parecia um cenário impossível.

O contrarrelógio que pode mudar tudo

Na terça-feira, Eulálio regressa à estrada para defender a liderança no contrarrelógio entre Viareggio e Massa. Parte com 2,24 minutos de vantagem sobre Jonas Vingegaard, o grande favorito à vitória final.

Mas o português sabe que o relógio pode ser implacável.

O dinamarquês surge como uma ameaça constante, enquanto Felix Gall ocupa o terceiro lugar da classificação geral. O Giro entra agora numa fase em que cada segundo pesa como chumbo.

Mesmo assim, Eulálio continua a pedalar com a leveza de quem ainda está a descobrir o tamanho do próprio sonho.

E talvez seja precisamente isso que torna esta história tão diferente das outras 

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