Annamaria Erdelyi: “Representar o CTM Mirandela é como estar em minha casa”
🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis de Mesa/CTM Mirandela
⏱️ Tempo de leitura: 5 minutos
Annamaria Erdelyi nasceu há 40 anos na Sérvia, numa região com forte tradição húngara, e, desde os sete anos, o ténis de mesa fez parte da sua vida.
Embora o seu destino ainda
fosse invisível, sinais do seu talento já se desenhavam com nitidez. No
entanto, ninguém poderia prever que se tornaria uma das figuras mais marcantes
da modalidade mundialmente.
Olhar para trás revela que talvez não seja surpreendente: o ténis de mesa corre-lhe demasiado nas veias. O pai era árbitro, a
irmã mais velha já jogava, e Annamaria seguiu naturalmente os seus passos.
É em Mirandela que continua a escrever o presente da sua carreira. Ao serviço do CTM Mirandela há 18 anos, tornou-se uma figura determinante na consolidação do clube entre as principais referências do ténis de mesa nacional, contribuindo para a conquista de títulos marcantes como o Campeonato Nacional, a Supertaça e a Taça de Portugal.
Em paralelo à competição em Portugal, representa também a formação espanhola de Jaén, ampliando o seu alcance no panorama internacional.
Esta projeção além-fronteiras
acrescenta experiência e profundidade competitiva a um percurso longo e
consistente no ténis de mesa.
Com talento, experiência e dedicação
inabalável, a atleta sérvia-húngara conquistou não só títulos, mas também o
respeito daqueles que acompanham a modalidade em Portugal.
Fora da mesa, revela-se igualmente
determinada, mas com uma simplicidade que a aproxima. Entre treinos, competições
e desafios constantes, há também espaço para a reflexão, a memória e o lado
mais humano, raramente visível em competição.
Numa conversa descontraída com o
repórter do Entrar no Mundo das Modalidades, Annamaria revisita o seu
percurso no desporto, partilhando as motivações que a levaram a persistir e a
evoluir ao longo dos anos. Com franqueza e entusiasmo, fala também dos desafios
que marcaram a sua carreira e de como cada obstáculo contribuiu para fortalecer
a atleta e a pessoa que é hoje.
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Bilhete de Identidade |
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Nome: Annamaria
Erdelyi |
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Nacionalidade: Sérvia |
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Data de
nascimento: 27/9/1985 |
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Modalidade: Ténis
de Mesa |
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Clube em
Portugal: CTM de Mirandela |
A paixão que começou em família!
Entrar no Mundo das Modalidades — O que a fez
escolher esta modalidade em detrimento de outras?
Annamaria Erdelyi — A minha irmã, que é seis anos mais velha, já praticava ténis de mesa, e o meu pai era árbitro. Na minha aldeia, na Sérvia, quase todas as crianças praticavam este desporto, por isso era natural que eu também me tornasse jogadora. O ténis de mesa era muito popular naquele lugar.
EMM — Qual é o momento mais marcante da
carreira até hoje?
AE — Há
vários. O primeiro que me vem à memória foi quando tinha 14 anos. Em 2000,
sagrei-me campeã da Europa de cadetes. Com 17 anos, ainda júnior, fui campeã europeia de pares femininos no escalão de seniores ao lado da minha irmã.
Depois, em 2008, quando cheguei a Portugal e
representei o CTM Mirandela, o clube sagrou-se pentacampeão nacional na época
de 2008/09. Foi uma vitória saborosa e difícil de conquistar, o meu primeiro
título em Portugal, e tornou-se um momento marcante na minha carreira.
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| A equipa do CTM de Mirandela, na qual Annamaria é a líder e voz da experiência. |
EMM — Conquistou títulos importantes pelo CTM Mirandela, incluindo o Campeonato Nacional, a Supertaça e a Taça de Portugal feminina. O que sente ao representar o clube nestes momentos?
AE — Sempre representei o CTM Mirandela com muito orgulho. Para mim, é como representar a minha própria casa. Já estou no clube há muitos anos e sinto-me totalmente em casa aqui. Cada título conquistado com a equipa deixa-me imensamente feliz e reforça o orgulho de vestir estas cores.
Treino, rotina e preparação mental
EMM — Qual é a rotina de treino e preparação
antes de um campeonato ou de um encontro importante?
AE — Tenho rotinas bem definidas e gosto de manter a consistência. Antes de campeonatos ou encontros importantes, concentro-me em aspetos específicos do meu jogo e no treino mental, que considero o mais importante. Durante a época, os treinos são repetitivos, mas fundamentais para manter a forma e o ritmo de competição.
EMM — Como lida com a pressão nos jogos
decisivos, especialmente nas finais?
AE — A
pressão é sempre difícil, mas já estou habituada. Participo nas finais de
campeonato há quase 18 anos. Quando chegam os play-offs em Portugal, há sempre aquele receio de que algo possa correr mal, mas hoje já não sinto tanto
nervosismo. Na maioria das vezes, as coisas acabam por correr bem, o que me dá
confiança para continuar a competir.
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| A jogadora sérvia é a representante da marca Joola em Portugal. |
Sem
ídolos, mas com referências
EMM — Quem são os seus ídolos no ténis de
mesa?
AE — Sinceramente,
não tenho ídolos. Quando era mais nova, admirava a minha irmã, Szilvia Erdelyi.
Gostava da maneira como ela abordava a mesa: jogava com naturalidade, com vontade de competir e sem se queixar. Sempre quis jogar assim, de forma natural e
sem complicar.
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| Um dos muitos troféus conquistados pela atleta sérvia ao longo de 18 anos ao serviço do Mirandela. |
EMM — Qual é a sua maior motivação para
continuar a competir ao mais alto nível?
AE — Antes
de mais, sou profissional de ténis de mesa. A minha motivação vem de conquistar títulos, tanto em Portugal, pelo CTM Mirandela, como em Espanha, pelo clube que também represento. Representar a Sérvia e lutar por vitórias pelo meu país também me deu enorme orgulho e força para continuar a competir ao mais alto nível.
AE — Diria para nunca terem medo de sonhar em
grande, porque com dedicação e trabalho tudo é possível — e acreditar em si
próprio faz toda a diferença.
O lado humano da competição
EMM — O que os adeptos provavelmente não sabem sobre o lado divertido ou inesperado da vida de uma jogadora de ténis de mesa?
AE — Sempre
adorei a vida em equipa, especialmente quando jogava pela seleção. Nos
torneios, por exemplo, depois dos jogos, reuníamo-nos e saíamos juntos. Apesar
de competirmos umas contra as outras na mesa, fora dela éramos grandes amigas, e
essas amizades são muito valiosas. Também adoro as viagens e conhecer novos
lugares e estar com a equipa faz parte da diversão.
EMM — Fora das mesas, tem algum passatempo ou
ritual que a auxilia a manter a calma ou inspiração para competir?
AE — Leio
muito, quase diariamente, e gosto bastante. A leitura ajuda-me a acalmar e a
relaxar antes dos encontros. Além disso, estou a estudar Psicologia, e esses
estudos também me ajudam a manter a calma e a compreender melhor o lado mental
da competição.
Portugal e Sérvia: duas culturas desportivas
EMM — Quais são as diferenças ou semelhanças
que percebe entre o ténis de mesa praticado na Sérvia e em Portugal?
AE — É
uma pergunta um pouco difícil para mim, porque já não vivo na Sérvia há muitos
anos. Saí de lá com 17 anos e já passaram cerca de 23 anos. De vez em quando, volto à Sérvia para participar nos campeonatos.
No que toca aos treinos, pelo menos
antigamente, na Sérvia tudo era um pouco mais rigoroso e exigente. Em termos de
mentalidade, os sérvios mostram mais as suas emoções e vivem o desporto de forma
muito intensa. Em Portugal sinto que os atletas são geralmente mais calmos.
EMM — A Sérvia é muitas vezes vista como um país com grande tradição desportiva. De que forma a Sérvia valoriza e apoia os seus atletas?
AE — A
Sérvia é uma nação muito desportiva. As pessoas gostam muito de desporto,
conhecem os atletas e acompanham as competições com grande interesse. Há um
amor e uma paixão pelo desporto muito fortes. Os atletas são muito valorizados
e o país apoia-os de várias formas.
A conversa com Annamaria revela não apenas o talento e a dedicação de uma jogadora de
alto nível, mas também a personalidade e visão que a tornam uma referência no
ténis de mesa mundial.
Entre vitórias, treinos exigentes em Mirandela
e desafios internacionais, continua a inspirar novos atletas, mantendo uma
forte ligação à nossa Nação e à região denominada Terra Quente.




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