Pogačar responde aos assobios com vitória e Vingegaard aponta à alta montanha
🖋️ António Vieira Pacheco · 📅 14 julho 2026 · 📸 Direitos Reservados · ⏱️ 2 min · 🌱EMM
A 10.ª etapa da Volta a França
deixou muito mais do que uma nova vitória de Tadej Pogačar. O líder respondeu
aos assobios de parte do público com um triunfo no Dia da Bastilha, reforçou a
liderança da classificação geral e assumiu que essas reações apenas lhe dão
mais motivação. Do outro lado, Jonas Vingegaard reconheceu a superioridade do
rival nesta fase da corrida, mas garantiu que continua à espera das longas
subidas para tentar inverter o rumo do Tour.
Vitória simbólica
Pogačar voltou a mostrar
porque é o homem mais forte desta edição da Grande Boucle. Após atacar na
subida para Le Lioran, o esloveno conquistou a terceira vitória nesta
edição e aumentou a vantagem para 3,36 minutos sobre Jonas Vingegaard na classificação
geral.
No final, explicou que o
triunfo teve um significado especial por coincidir com o Dia da Bastilha.
“Desfrutei da jornada e, no
final, não sabia que ia ganhar até ao último quilómetro. Então, lembrei-me de que
era Dia da Bastilha e tentei honrar a camisola. Obrigado a todos os fãs que
vieram hoje à estrada. Foi um ambiente incrível, mesmo com uns
assobios. A todos os que assobiaram, dão-nos mais força.”
Apesar do ambiente festivo,
alguns adeptos mostraram o seu desagrado perante o domínio exercido pelo líder
da UAE Emirates, que soma três vitórias em etapas e parece controlar a
corrida com autoridade.
Ajustar contas
Para Pogačar, a chegada a Le Lioran representava também uma oportunidade de acertar contas com o passado.
Há dois anos, o esloveno
atacou em Puy Mary, mas acabou derrotado no sprint por Jonas Vingegaard na
chegada à mesma localidade. Desta vez, quis evitar qualquer repetição desse
cenário.
O líder da classificação geral
revelou ainda que teve dificuldades de comunicação durante a etapa devido aos
novos rádios utilizados pela equipa.
“Hoje, estávamos a testar novos rádios e, quando havia muito público, não conseguia ouvir nada. Nos últimos 10 quilómetros não sabia as diferenças nem quem fazia o quê. Só pensava em chegar ao topo.”
A recordação da derrota de 2024 nunca lhe saiu da cabeça.
“Havia um pouco de dúvida na
minha cabeça, porque há dois anos o Jonas veio de trás e eu estava vazio no
sprint.”
Desta vez, porém, ninguém
conseguiu aproximar-se.
Tour perfeito
O tetracampeão da Volta a
França continua a acumular números impressionantes.
Além da vitória, igualou os 60 dias de Miguel Induráin de camisola amarela e deverá isolar-se no terceiro lugar da lista histórica já na próxima etapa.
Pogačar reconheceu ainda que o
percurso desta primeira metade da prova favorece a estratégia da UAE Emirates.
Segundo o esloveno, tudo corre
praticamente na perfeição, tanto para si como para a equipa, graças às
características das etapas disputadas até agora.
Esperança dinamarquesa
Jonas Vingegaard voltou a
perder tempo para o rival e terminou apenas na sétima posição da etapa, a 44
segundos de Pogačar.
Mesmo assim, o dinamarquês
mantém a confiança de que a alta montanha poderá alterar o rumo da corrida.
“Estou ansioso pelas subidas
longas.”
O bicampeão do Tour explicou
ainda que, quando Pogačar atacou no Col de Pertus, percebeu imediatamente que
teria de gerir o esforço individualmente.
“Quando atacou, sabia que
tinha de encontrar o meu ritmo e que seria um contrarrelógio até ao final.
Felizmente, tive auxílio na última subida. Penso que foi um dia OK para nós.”
Apesar das perdas, acredita
que a corrida continua longe de estar decidida.
Evenepoel aproxima-se
Enquanto Pogačar consolidava a liderança, Remco Evenepoel encurtou distâncias para Jonas Vingegaard
O belga terminou em segundo
lugar na etapa, apenas 32 segundos atrás do vencedor, e ficou a somente
30 segundos do dinamarquês na luta pelo segundo lugar da classificação geral.
Após ter ultrapassado um
momento difícil numa das subidas decisivas, Evenepoel mostrou-se satisfeito com
o resultado.
“É bom recuperar algum tempo,
sobretudo com o que temos pela frente no fim de semana.”
O campeão olímpico acredita que as grandes etapas de montanha poderão voltar a provocar diferenças significativas entre os favoritos.
Ayuso sobe
Juan Ayuso também saiu
reforçado da jornada.
O espanhol assumiu a liderança
da classificação da juventude e ascendeu ao quarto lugar da classificação geral, a 4,22
minutos de Pogačar.
No final, reconheceu que
tentou colaborar na perseguição ao Camisola amarela, mas que simplesmente não
tinha margem para fazer mais.
“Gostava de ter contribuído
mais para aumentar as distâncias para quem vinha atrás e encurtar para a frente,
mas fiz tudo para simplesmente conseguir manter-me aí.”
Apesar da boa posição na
geral, Ayuso prefere manter os pés bem assentes na terra.
"Estou numa boa posição e atravesso um bom momento na luta pelo pódio."Mas não quero deixar-me levar, nem pretendo começar a pensar no que pode acontecer daqui a duas semanas.”
Seixas confirma talento
Outro dos destaques do dia foi
Paul Seixas.
O jovem francês de apenas 19
anos terminou na terceira posição da etapa, a 34 segundos de Pogačar,
confirmando o enorme potencial que tem demonstrado nesta edição da Volta a
França.
No final, mostrou-se
particularmente satisfeito por ter acompanhado alguns dos melhores
corredores do mundo.
“Nem todos os terceiros
lugares têm o mesmo sabor, e o de hoje foi difícil de alcançar e é ótimo. O meu
objetivo era terminar entre os melhores e consegui.”
Com a alta montanha a aproximar-se, Pogačar chega numa posição de força e com uma vantagem confortável. Ainda assim, Vingegaard continua convencido de que as grandes ascensões poderão oferecer novas oportunidades para relançar a luta pela camisola amarela, numa Volta a França que entra agora na fase mais exigente do percurso.
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