🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis
⏱️ Tempo de leitura: 2 minutos
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| Matilde Jorge ambiciosa para o encontro de amanhã. |
Matilde Jorge entrou em campo como quem abre uma porta para a história. Cada passo no Jamor ressoa com o eco das conquistas passadas, mas também anuncia o futuro que ainda quer escrever.
Ao atingir as meias-finais do Women’s Indoor Oeiras Open, tornou-se a primeira portuguesa a alcançar esta fase numa prova WTA 125. O desafio de amanhã já se faz ouvir.
“Sinto que este feito ainda não acabou porque tenho jogo amanhã”, declarou a jovem de 21 anos na conferência de imprensa. ´
“Ainda não estou em mim. A minha primeira preocupação foi recuperar o melhor possível. Nem olhei para o telemóvel. Talvez só perceba depois. Só cairá a ficha quando ler as notícias. Mas não quero que isso me distraia dos meus objetivos.”
A receita da vitória
A adversária, Lucrezia Stefanini, é
uma guerreira. Já havia recuperado de match points em jogos anteriores, diante de Angelina Voloshchuk e Viktorija Golubic.
Matilde não hesitou. “Entrei
para dar tudo. Ela é muito dura, não me daria pontos grátis. Quis passar-lhe
essa mensagem.”
A estratégia era clara: intensidade,
paciência e foco absoluto. Cada ponto exigia precisão. Cada jogo é concentração
máxima.
Um duelo inédito
O próximo obstáculo é Alina Korneeva,
prodígio, russa de 18 anos, com 39 vitórias e quatro títulos em Portugal.
Korneeva derrotou Leyre Romero Gormaz por 7-6 (1) e 7-6 (4) em 1h53. Nunca se
enfrentaram, mas Matilde conhece a jovem. Treinaram juntas. Miguel Fragoso,
treinador do CAR, conhece cada detalhe do jogo de Korneeva.
“Ela é competente e lutadora, mas o meu
foco é estar concentrada em mim. Fazer o que sei e manter a mentalidade certa, o máximo de tempo
possível”, afirmou.
Prioridade aos singulares
Após a batalha nos singulares,
durante a qual foi assistida à perna esquerda, Matilde decidiu retirar-se dos
pares. Iriam jogar juntas, ela e a irmã Francisca, pelo acesso à final deste
sábado.
“Fui a única a perceber que não ia
conseguir jogar os pares. Por ser com a Kika, foi mais fácil tomar a decisão”, explicou. “Sempre soubemos que a
prioridade eram os singulares. Iria forçar demasiado a perna. Foi a melhor
decisão.”
A jovem de 21 anos acrescentou: “É
duro porque é um torneio maior, mas sabemos que ainda teremos oportunidades de
chegar a mais finais e ganhá-las.”
Na variante de pares, na qual compete ao
lado da irmã, Matilde é a 91.ª do ranking mundial e já conquistou 25 troféus,
dois deles em WTA 125.
Mentalidade vencedora
O Women’s Indoor Oeiras Open é mais
do que um torneio. É um laboratório de resistência mental.
A vitória não é apenas um marcador no
quadro. É um marco histórico para o ténis feminino português. Mostra
disciplina, paciência e capacidade de gerir a pressão. Matilde Jorge
transforma desafios em degraus. Cada triunfo é um avanço, cada jogo é uma lição.
Ainda há muito por escrever. Amanhã, nas meias-finais, cada bola, cada ponto e
cada decisão contará. A história do ténis feminino português tem um novo
capítulo. A jovem vimaranense não apenas venceu; reescreveu a narrativa,
mostrando que talento e trabalho caminham lado a lado.
No campo, o silêncio do público é cúmplice da tensão. Cada respiração é ouvida. Cada gesto é sentido. Matilde não apenas joga; ela comanda. Não apenas compete; ela define. A história continua, e o Jamor é testemunha privilegiada.

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