🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis
⏱️ Tempo de leitura: 2 minutos
Brilho com medida
Matilde Jorge fez história no Jamor.
Tornou-se a primeira portuguesa a disputar uma meia-final com selo WTA. Fê-lo
em casa, no Women’s Indoor Oeiras Open, diante de um público que
reconheceu o momento. Mas recusou a euforia.
Não houve celebrações exuberantes.
Nem houve discursos inflamados. Apenas um jantar tranquilo com amigas. O motivo é que, em poucos dias, haverá um novo WTA 125 no mesmo palco. O foco, por isso, mantém-se intacto.
“Não sinto que tenha sido tão histórico quanto as pessoas dizem. Estou super contente com isto, mas penso que é só isso. Deu-me apenas motivação para a próxima semana”, afirmou, com serenidade, na conferência de imprensa após a derrota nas meias-finais frente a Alina Korneeva.
Humildade intacta
A postura não surpreende quem
acompanha o seu percurso. Na véspera, após garantir a meia-final, a vimaranense
de 21 anos já relativizara o feito. Nem sequer havia ido ao telemóvel ler as
notícias. Preferiu manter distância do ruído.
O momento era grande. Mas Matilde
quis mantê-lo à sua escala.
A despedida do torneio trouxe também
uma clarificação importante: não foi o físico a decidir. Jogou com a perna
esquerda ligada. Ainda assim, sentia-se preparada.
“Ela entrou bastante intensa e
agressiva. Eu nem me sentia mal fisicamente, sentia-me pronta para mais três
‘sets’, mas a bola desacelerou muito no início e não me aproximava muito da
bola. Falhava muito cedo e estes erros também lhe dão muito oxigénio porque não
tem de fazer muito. Jogou simples e eu não consegui dar-lhe muitas bolas. Fico
triste por não conseguir dar mais luta neste jogo.”
Análise sem filtros
A leitura foi lúcida. Direta.
Técnica.
Korneeva impôs intensidade desde o
primeiro ponto. Matilde reconheceu dificuldades na adaptação às condições. A
desaceleração da bola condicionou a aproximação e o momento. Os erros precoces
alimentaram a adversária.
Não houve desculpas. Houve análise.
No segundo ‘set’, tentou ajustar.
Subiu a percentagem de risco controlado. Procurou mais margem. Mas faltou
consistência no serviço.
“No segundo set, servi melhor e entrei mais sólida. Procurei jogar com mais margens. E também colocar mais bolas no court. Após isso, tive baixa percentagem de primeiros serviços. Nem sequer consegui puxar por ela para tornar o jogo mais exigente. Dei-lhe sempre muita vantagem. Ao 2-0 podia ter continuado a apertar, mas havia sempre pontos em que falhava mais cedo. Senti que, em comparação, tinha pouca determinação e intenção. Por isso, ficava sempre muito dependente do que ela fazia. Ela, por seu lado, dominava constantemente o ritmo do jogo.”
A autocrítica é clara. Faltou
intenção. Faltou agressividade sustentada. Ficou dependente do ritmo imposto
pela russa.
Crescimento real
Ainda assim, o desempenho no Jamor alterará o seu posicionamento competitivo. A meia-final deverá traduzir-se numa subida
de cerca de 30 lugares no ranking mundial. Um salto relevante.
Mais do que números, há sinais.
Matilde mostrou capacidade de competir neste patamar. Mostrou gestão
emocional. Mostrou maturidade tática.
A história existe, mesmo que a
relativize. É a primeira portuguesa numa meia-final do WTA. É um marco. Mas para
Matilde, é apenas um ponto de partida.
O próximo torneio começa em breve. No
mesmo local. Na mesma categoria. Com nova oportunidade.
Sem deslumbramento. Sem ruído. Com ambição controlada.
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