Francisca Jorge: “Passou de adversária para irmã”

 🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis

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Matilde Jorge explica o que sentiu com o abandono da irmã.

Francisca Jorge garantiu pela terceira vez na carreira o apuramento para os quartos de final de uma prova WTA 125, quase dois anos depois da estreia nessa fase, igualmente no Jamor. Um feito de prestígio que, desta vez, se deu à custa da irmã mais nova, Matilde, que abandonou o duelo ao fim de 33 minutos devido a uma lesão na perna esquerda.

Comecei a sentir que se passava alguma coisa, também porque conheço a Matilde. E senti que podia haver ali alguma coisa que eu não sabia, porque ela não comentou nada comigo. Mas pronto, faz parte, já é uma dor que ela tinha sentido a semana passada e não ajudou a ter uma primeira ronda difícil. Faz parte, somos atletas, estas coisas acontecem”, comentou Francisca no rescaldo do primeiro embate entre irmãs em torneios do WTA.

O encontro, aguardado pelo público e pelo circuito, foi interrompido inesperadamente, mas carregado de emoção. Antes mesmo da desistência oficial, as irmãs trocaram palavras enquanto Matilde era assistida. O tradicional abraço final tornou-se um momento de emoção pura para Francisca:

De adversária, passou a ser minha irmã. Senti-me segura até perceber o que estava a acontecer emocionalmente. Quando percebi que ela não estava bem, tive aquela reação com lágrimas e tudo.”

A vitória, embora inevitável pelo contexto físico, reforça a maturidade emocional de Francisca, que conseguiu transformar um momento delicado em força para os próximos desafios.

Aposta estratégica e vantagens físicas

No horizonte está a sérvia Teodora Kostovic (171.ª WTA), descrita por Francisca como uma jogadora “meio maluca” que “tem a vantagem de ainda não respeitar muito as adversárias, entre aspas, e tem subido rápido”.

A vitória por desistência dá a Kika uma poupança física crucial. Com isso, poderá preparar-se para o próximo duelo e lutar pela primeira meia-final de um torneio WTA 125. Curiosamente, a mesma fase que Matilde atingiu na semana anterior a maior meia-final da história do ténis feminino português.

Experiência e crescimento

Esta terceira tentativa surge quase dois anos depois da estreia na fase de quartos, no Oeiras Ladies Open, primeiro WTA 125 nacional. Francisca reflete sobre o próprio crescimento:

“Sinto que sou uma jogadora mais completa. Mais capaz e estou a jogar bom ténis. Sempre tive boas pancadas, mas isto é como no atletismo, dizem que os melhores atletas são os mais velhos, os que têm mais experiência, mais quilómetros em cima. Estou a sentir-me um bocadinho assim, estou a ganhar quilómetros nas pernas. Sinto-me capaz de jogar com estas jogadoras de nível superior. Quero mais, quero ultrapassá-las, quero jogar mais torneios de gabarito. Estou sempre à procura do melhor.”

As declarações revelam não apenas confiança. Demonstram ambição e maturidade competitiva. O percurso de Francisca  no circuito WTA mostra uma jogadora que combina talento com inteligência estratégica, aproveitando cada oportunidade para ganhar experiência e consolidar a sua posição entre as melhores portuguesas do circuito internacional.

Desafios pela frente

Além da busca pela primeira meia-final de um WTA 125, a dupla Jorge mantém em aberto a participação na variante de pares do torneio. Algo que não foi possível na edição anterior.

O calendário imediato inclui a preparação para a Billie Jean King Cup, marcada para 6 de abril no Jamor. Seguem-se ainda outros torneios internacionais de alto nível, nos quais ambas poderão medir forças com jogadoras de renome. Será uma oportunidade de ganhar quilómetros competitivos.

O primeiro duelo fratricida a este nível ficará marcado na memória. Não apenas pelo resultado, mas também pela carga emocional e pela maturidade de Francisca.

A vitória reforça a sua posição como líder do ténis feminino português. E prepara o terreno para desafios ainda maiores nos próximos torneios.

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