🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis
⏱️ Tempo de leitura: 2 minutos
![]() |
| Matilde desgastada acaba por falhar final no Jamor. |
Tarde sem réplica!
A semana mais simbólica da carreira
de Matilde Jorge encontrou um travão inapelável. No Women’s Indoor
Oeiras Open, a portuguesa despediu-se nas meias-finais após uma exibição
imaculada de Alina Korneeva. A russa venceu por 6-0 e 6-3, em apenas 74
minutos, impondo um ritmo alto e uma intensidade constante que raramente
permitiram à 287 mundial instalar o seu jogo.
Foi a meia-final mais importante da
história recente do ténis feminino português. E, apesar da derrota, o
significado permanece intacto. Matilde elevou a fasquia. Colocou o nome entre
as protagonistas de um torneio WTA 125 disputado em casa. Jogou com personalidade.
Cresceu sob pressão.
Do outro lado da rede, apresentava-se uma adversária numa versão quase perfeita, sem fissuras nem concessões.
Poder e frescura
Alina Korneeva, 157.ª do ranking
mundial, apresentou-se mais fresca fisicamente e com maior armamento. Cada
resposta saíu profunda. Cada aceleração encontrava linhas. O primeiro ‘set’ foi
resolvido sem concessões. No segundo, Matilde ainda procurou reagir, variou ritmos e tentou aumentar as trocas, mas a russa manteve o controlo emocional e
tático.
Aos 18 anos, Korneeva celebrou, em Oeiras, a 40.ª vitória da carreira como profissional em solo português. Um número impressionante. É revelador de uma afinidade rara com o país.
Portugal como casa
Campeã do ITF W100 da Figueira da Foz
em 2023 — no qual voltou a ser finalista em 2025 — vencedora nas Caldas da Rainha
em 2024 e triunfadora nos ITF W50 de Leiria e Évora em semanas consecutivas de
2025, Korneeva regressa agora a uma final em território que já sente quase como
terceira casa.
A Rússia é o berço. Espanha é a base
competitiva. Portugal é terreno fértil.
Integrada na academia de Rafael
Nadal, a jovem russa evolui sob uma estrutura exigente. É maioritariamente
acompanhada por Anabel Medina Garrigues, antiga jogadora espanhola que
regressou ao Complexo de Ténis do Jamor 15 anos depois de ali ter conquistado o
antigo Estoril Open. Há simbolismo neste reencontro com o palco português. Há
continuidade geracional.
No domingo, às 11 horas, Korneeva
disputará a maior final da carreira. A adversária será Darja Vidmanova. Para
Korneeva, pode ser a consagração definitiva de uma ligação especial a Portugal.
Para Vidmanova, a afirmação num novo patamar competitivo.
História escrita
Quanto a Matilde Jorge, a derrota não
apaga a dimensão do feito. A portuguesa despede-se do torneio com a meia-final
mais relevante do ténis feminino nacional nesta categoria. Sai reforçada.
Crescida. Respeitada.
A prestação no Jamor deverá valer-lhe uma subida de cerca de 30 posições no ranking mundial. Um avanço decisivo na corrida por um lugar, pela primeira vez, no quadro de qualificação de Roland Garros. O sonho do
Grand Slam deixa de ser abstrato. Passa a ser objetivo concreto.
Matilde mostrou maturidade. Mostrou
serenidade em momentos de tensão. Transformou expectativa em rendimento.
O Women’s Indoor Oeiras Open teve uma
vencedora na meia-final. Mas teve uma afirmação portuguesa.
O resultado foi claro. O significado é maior.
Leia também: Matilde Jorge brilha em azul no Jamor Próxima notícia: Matilde Jorge escreve história no Jamor

Comentários
Enviar um comentário
Críticas construtivas e envio de notícias.