🖋️Por: António Vieira Pacheco
O segundo WTA 125 de Oeiras ainda mal
começou e já traz um enredo de intensidade máxima. O sorteio do quadro
principal de singulares, conhecido este domingo, abriu caminho para um cenário que
prende a atenção. A possibilidade de um confronto entre as irmãs Francisca e Matilde Jorge logo na segunda ronda. Um frente a frente inédito a este nível.
Um encontro com peso competitivo e emocional.
Das cinco portuguesas com entrada
direta no quadro, quatro ficaram na metade superior. Uma concentração
que aumenta a probabilidade de embates internos e garante, desde cedo,
jogos exigentes para as representantes nacionais.
Repetição exigente
Tal como na semana passada, Francisca
(217.ª WTA) terá pela frente Linda
Klimovicova na ronda inaugural. A polaca ocupa o 129.º lugar do ranking mundial
e surge como sexta cabeça de série. O duelo recente continua fresco. A
exigência mantém-se intacta.
Francisca sabe que não pode vacilar desde o primeiro ponto. Cada troca exigirá concentração máxima e ritmo constante. Klimovicova combina profundidade de bola
com agressividade controlada. Não concede ritmo facilmente. Para a vimaranense,
a chave passará por assumir iniciativa e gerir os momentos de maior pressão.
Caminhos que se podem cruzar
Matilde (287.ª), semifinalista do
primeiro torneio e protagonista de uma das semanas mais marcantes do ténis
feminino português, aguarda adversária proveniente do qualifying. As
cinco portuguesas que tentaram ultrapassar esse obstáculo ficaram pelo caminho,
o que significa que Matilde enfrentará uma jogadora já rodada.
Se ambas superarem os respetivos
encontros inaugurais, o Jamor poderá assistir a um duelo entre irmãs por um
lugar nos quartos de final. Um cenário raro. Intenso. Carregado de simbolismo.
Seria um confronto de estilos
próximos, mas com nuances distintas. Francisca tende a procurar maior
variação. Matilde apresenta cadência e solidez mental crescentes. Mais do que
uma história familiar, estaria em causa a afirmação individual num palco internacional.
Desafios de alto grau
Na mesma metade superior do quadro
estão ainda Ana Filipa Santos e Madalena Matias, duas das três jogadoras
contempladas com wild card.
Santos (936.ª), que na semana
anterior optou por não competir, terá uma tarefa árdua. Do outro lado da rede
estará a principal cabeça de série, Viktorija Golubic (89.ª WTA). Um duelo
particular, desde logo técnico: ambas executam a rara esquerda a uma mão no
circuito feminino. A tenista suíça traz experiência consolidada e um currículo robusto.
Santos procurará surpreender com ousadia e disciplina tática.
Madalena Matias (1432.ª) vive um
momento distinto. Estreia-se neste patamar competitivo. O sorteio colocou-a
frente a Fiona Crawley (202.ª), norte-americana que chega ao Jamor embalada
pelo título no ITF W50 do Porto. Ritmo competitivo não lhe falta. Para Matias,
será um teste de intensidade e de gestão emocional.
Metade inferior
Angelina Voloshchuk (402.ª) foi a
única portuguesa posicionada na metade inferior do quadro. O desafio não é
menos exigente. A primeira adversária será Elina Avanesyan (158.ª), jogadora
arménia habituada a contextos de maior pressão e a duelos prolongados.
Voloshchuk terá de impor
agressividade controlada. A margem de erro será curta. A adversária cresce nos momentos de maior tensão e alia essa frieza a uma consistência defensiva. Será na gestão do risco, na escolha criteriosa dos momentos para acelerar, que poderá residir a chave do encontro.
O Jamor prepara-se, assim, para uma
semana em que o talento nacional estará amplamente representado, mas sujeito a
provas duras desde o primeiro golpe. O sorteio não ofereceu facilidades. Ofereceu,
isso sim, narrativas fortes.
Entre possíveis reencontros, estreias
ambiciosas e confrontos com cabeças de série, o segundo WTA 125 promete
intensidade desde o primeiro dia. E, talvez, um encontro familiar que elevaria
ainda mais o protagonismo português no cenário internacional.


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