Gastão Elias avança firme no Algarve
🖋️Por: António Vieira Pacheco
📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis
⏱️ Tempo de leitura: 3 minutos
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| Elias nos quartos de final de um torneio ITF M25 pela segunda semana consecutiva. |
A brisa atlântica que sopra sobre os courts de Vila Real de Santo António trouxe consigo uma atmosfera de
expectativa e resiliência. Entre o som seco das pancadas na bola e o silêncio
tenso dos pontos decisivos, houve um nome que voltou a impor-se com autoridade:
Gastão Elias. Experiente, metódico e cada vez mais pragmático na abordagem
competitiva, o tenista da Lourinhã escreveu mais um capítulo consistente na sua
ligação especial ao torneio algarvio.
Diante de Tiago Cação, atual 887.º do
ranking ATP, Elias (389.º) confirmou o favoritismo e venceu por 6-4 e 6-4 e
garantiu a primeira vaga nos quartos de final do 8.º Open Internacional de
Ténis de Vila Real de Santo António. Foi o terceiro triunfo em outros tantos
confrontos entre ambos, num duelo que, apesar do desfecho linear, teve momentos
de elevada densidade competitiva.
Elias foi o vencedor da sexta edição do torneio,
realizada no ano passado, numa campanha marcada por lucidez tática e notável
solidez mental. Essa memória recente parece funcionar como um esteio. Uma
espécie de herança competitiva que continua a frutificar nos courts algarvios.
Desde o primeiro jogo, Elias
revelou-se cerebral. Optou por variações de ritmo, alternando profundidade com
bolas mais trabalhadas.
Cação, combativo e resiliente, tentou
contrariar a cadência do encontro com investidas agressivas e subidas à rede
pontuais. Contudo, a clarividência estratégica do jogador mais experiente
acabou por prevalecer. Não houve exuberância gratuita; houve, isso, sim, uma
exibição austera e eficaz.
Consistência que nasce da experiência
Aos 35 anos, Elias continua a
demonstrar que o ténis de alto rendimento não vive apenas da potência dos
jovens. Vive também da leitura do jogo, da gestão emocional e da capacidade de
modular a intensidade competitiva
Há uma semana, no primeiro dos dois
torneios que a cidade organiza consecutivamente pelo quarto ano, Elias tombou nos quartos de final. Ainda assim, nesta edição soma já três triunfos
consecutivos em Vila Real de Santo António, um registo que reforça a sua
afinidade com as condições locais — desde a velocidade do piso até à influência do
vento marítimo, fatores que exigem adaptação constante.
O encontro com Cação foi, acima de
tudo, um exercício de controlo. Elias evitou dispersões, manteve a concentração
e soube neutralizar qualquer tentativa de reviravolta. A vitória por duplo 6-4
espelha equilíbrio nos números, mas também autoridade na gestão dos
momentos-chave.
Próximo obstáculo no horizonte
Para prolongar a série vitoriosa e
continuar a trilhar o caminho rumo às fases decisivas, o antigo top 60 mundial
terá pela frente o vencedor do duelo entre Lui Maxted (451.º ATP) e Naoya Honda
(937.º ATP). Independentemente do adversário, o desafio exigirá a mesma
acuidade tática e o mesmo estoicismo competitivo.
O torneio algarvio, inserido no
circuito ITF M25, tem-se afirmado como um palco de reafirmação para jogadores
experientes e de afirmação para jovens talentos. Elias posiciona-se em algum ponto entre esses dois mundos: já percorreu os grandes palcos do circuito ATP, mas mantém intacta a ambição de competir no mais alto nível.
Num desporto no qual a volatilidade
emocional pode decidir partidas, a sobriedade de Elias surge como um diferencial.
O seu jogo pode não ser exuberante como antes, mas é sólido; pode não ser arrebatador, mas
é eficiente. E, no ténis profissional, essa combinação vale tanto quanto qualquer
golpe fulgurante.
No Algarve, o Mágicos sonha com mais
um título na carreira.



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