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Francisca Jorge: “Senti-me bem em campo e adaptada às condições”

 🖋️Por: António Vieira Pacheco

📸 Créditos: Federação Portuguesa de Ténis

⏱️ Tempo de leitura: 2 minutos

Francisca Jorge feliz com o triunfo em Oeiras.
Francisca Jorge sorri após vitória no Jamor.

Confiança que fala mais alto

 No court central do Jamor, onde já acumulou 20 vitórias em singulares do Campeonato Nacional Absoluto, Francisca Jorge demonstrou hoje que a familiaridade pode transformar-se em vantagem. A número um de Portugal começou o Women’s Indoor Oeiras Open com uma vitória convincente sobre a polaca Linda Klimovicova, oitava cabeça de série, por 6-1 e 6-2, e reforçou a sensação de conforto num palco que conhece ao pormenor.

Gosto de jogar nestes campos e estou bastante familiarizada com o ambiente. As bolas não são aquelas com que estamos habituadas a jogar, mas a adaptação já está feita e hoje senti-me bem em campo”, afirmou Francisca após o encontro, refletindo a combinação de técnica, experiência e segurança que a caracteriza.

A vimaranense entrou em court com a confiança de quem já fez do Jamor quase uma segunda casa. Cada ponto disputado pareceu reforçar a invencibilidade doméstica, mesmo diante de uma adversária com experiência internacional.

Autoridade no court

O primeiro set foi praticamente intocável. Francisca impôs ritmo e variações de direção, quebrando cedo o serviço da adversária e mantendo a pressão. Cada ponto demonstrou precisão e capacidade de controlar os momentos decisivos, traduzindo experiência e maturidade.

No segundo set, Klimovicova reagiu e trouxe mais intensidade, mas Kika manteve o controlo emocional. A polaca conseguiu alguns pontos importantes, mas a portuguesa respondeu com paciência e frieza, encerrando o encontro de forma autoritária.

“Com confiança e ritmo, Francisca Jorge conseguiu impor o seu jogo desde cedo. Em palavras suas:

Senti-me bastante bem em campo. Tive uma pequena quebra no início do segundo set, com a mudança da bola nova, mas rapidamente recuperei. Consegui aplicar o plano que tinha em mente, o que me deu vantagem. Foi um encontro muito disputado, decidido nos detalhes, e estou muito contente com o nível que apresentei, analisou a portuguesa.

Pressão transformada em confiança

Apesar da estreia neste palco, este ano, em contexto internacional, Francisca não sentiu qualquer pressão que comprometesse o seu jogo. “Não sinto qualquer género de pressão em termos de resultados. Pode meter alguma pressão em mim por sentir que estou a jogar bem, mas não propriamente por poder chegar mais ou menos longe”, explicou.

O Jamor oferece-lhe mais do que familiaridade física. A presença da equipa técnica, a rotina de treinos e o conhecimento do espaço criam uma base segura para que a portuguesa jogue com liberdade e foco. É a combinação de talento e rotina que faz com que cada vitória seja quase natural, fruto de adaptação e de experiência acumulada.

Olhar para a frente

Na segunda ronda, Francisca terá pela frente a checa Darja Vidmanova, 137.ª do ranking, a mesma jogadora que afastou Gabriela Amorim na ronda anterior. Antes disso, ainda hoje, regressa ao court principal para disputar a primeira ronda de pares ao lado da irmã mais nova, Matilde Jorge, que também compete nos singulares.

A cumplicidade familiar é um recurso adicional. Cada troca de olhares e cada gesto em court reforçam a confiança e permitem decisões rápidas. Jogar ao lado da irmã transforma o Jamor num ambiente de estímulo, onde conforto e competição se misturam.

Farol do ténis nacional

Francisca continua a consolidar a sua narrativa de invencibilidade no court central. Entre confiança, técnica e experiência, cada vitória alimenta a série de sucessos que já marcou o Jamor.

O Women’s Indoor Oeiras Open é mais do que um torneio; é um laboratório de adaptação e crescimento. Francisca provou que consegue transpor o domínio doméstico para o contexto internacional, mantendo calma, ritmo e decisão mesmo diante de adversárias experientes. Cada ponto jogado reforça não só a confiança, mas também a posição da portuguesa como farol do ténis nacional.

No Jamor, Francisca não joga apenas para vencer. Joga para aprender, crescer e inspirar. Cada vitória fortalece a confiança, cada jogo serve de ensaio para desafios maiores.

No Women’s Indoor Oeiras Open, a vimaranense mostrou mais do que técnica: revelou maturidade, serenidade e visão de jogo.

Entre confiança e domínio, a vimaranense continua a moldar o seu legado. No Jamor, talento e trabalho transformam cada ponto em aprendizagem e em sucesso.

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